“Esse é um tema que me importa muito. Eu já venho tentando trabalhar isso desde o primeiro ano de governo, para que possamos estabelecer pelo menos um padrão mínimo”, disse o petista.
O governador fez questão de pontuar que o debate não coloca em dúvida a relevância cultural das atrações contratadas. “Por mais que eu respeite o valor cultural de cada grupo e de cada artista, isso nunca esteve em discussão. Nunca colocamos em xeque a qualidade cultural de ninguém”. Ele reforçou, no entanto, que não considera adequado que um único artista concentre parcela significativa do orçamento público.
“O que não dá, às vezes, é para garantir um financiamento em que um único artista leve metade do orçamento destinado pelo Estado. É preciso haver limite. Quando se paga R$ 1 milhão ou mais por um show, muitas vezes o município não tem condições de arcar com isso”.
Órgãos de controle acompanham debate
Durante a entrevista, o governador destacou, também, que a discussão já está sob acompanhamento institucional, a exemplo do Ministério Público da Bahia (PM-BA), o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e a União dos Municípios da Bahia (UPB).
“O Ministério Público, a Defensoria e o Tribunal de Justiça estão acompanhando esse debate. O presidente Wilson, da UPB, está liderando esse movimento, e eu também quero participar dessa construção.” Jerônimo afirmou que pretende integrar a construção de critérios que orientem os investimentos nas festas populares.
“O nosso objetivo é que não haja prejuízo nem para a arte e os artistas, nem para as festividades, sejam elas de Carnaval ou de São João. Quero estar envolvido nesse processo para que possamos encontrar um equilíbrio, sem causar qualquer dano à cultura da Bahia”, conclui o governador.
Mobilização de forrozeiros cobra maior protagonismo de artistas baianos no São João
A fala do governador corrobora com o debate que ocorreu no dia 5 de fevereiro, onde os representantes do forró defendem maior protagonismo dos artistas do estado no São João. Cerca de mais de 50 artistas, produtores e representantes do segmento se reuniram em Salvador para discutir critérios mínimos de contratação nas festas juninas.
O encontro ocorreu na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB) e marcou uma nova etapa de diálogo com as instituições responsáveis pela organização e financiamento dos festejos.
Proposta prevê cota mínima de artistas baianos
Durante a reunião, o grupo apresentou uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) voltada à organização das programações municipais. O documento sugere que ao menos 50% das atrações contratadas sejam artistas da Bahia, com aplicação do mesmo percentual sobre os recursos investidos pelas prefeituras.
A proposta também defende transparência na divulgação dos contratos, com detalhamento dos valores pagos e dos critérios de escolha das atrações. Outro ponto levantado foi a necessidade de desburocratizar processos, especialmente para artistas em início de carreira ou com cachês menores.