Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o Ministério da Previdência Social, o ex-deputado federal Wolney Queiroz Maciel (PDT-PE) participou de uma reunião em 2023 na qual foi feito um alerta sobre o aumento de denúncias de irregularidades em descontos nos benefícios pagos pelo INSS.
Segundo a ata do encontro do Conselho Nacional da Previdência Social, realizado em 12 de junho do ano passado, a advogada Tonia Galleti, representante do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), solicitou a inclusão do tema dos acordos de cooperação técnica na pauta, o que foi negado. Ela reforçou o pedido diante das “inúmeras denúncias” envolvendo os acordos que permitiam o desconto de mensalidades de associações diretamente dos benefícios previdenciários.
Wolney estava presente na reunião como secretário-executivo da pasta. O então ministro Carlos Lupi, que deixou o cargo nesta sexta-feira (2), reconheceu a importância do tema, mas afirmou que seria necessário um levantamento mais detalhado para avançar com a discussão.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam o caso por meio da operação Sem Desconto, que apura fraudes nas autorizações e possível envolvimento de servidores do INSS. Entre 2019 e 2024, foram descontados R$ 6,3 bilhões dos benefícios — os órgãos agora buscam identificar a parcela desses valores obtida ilegalmente e elaborar um plano de ressarcimento aos beneficiários.
Lupi afirmou recentemente que o INSS realizou uma auditoria para apurar as denúncias e exonerou o diretor de Benefícios do instituto durante o processo. O Ministério da Previdência foi procurado, mas não se manifestou.