O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu a plenária da Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23) ao afirmar que ele e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tiveram uma “excelente química” ao se encontrarem minutos antes.
Os líderes se cumprimentaram com um aperto de mão, segundo um aliado de Lula. No fim de seu discurso, Trump confirmou o encontro e disse que os dois vão se encontrar na próxima semana.
“Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, disse o americano, que discursou após o petista.
A fala ocorre um dia após Washington ampliar as sanções a autoridades brasileiras em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na segunda (22), o governo americano incluiu a mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e da empresa que pertence à família do magistrado na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, criada para punir pessoas envolvidas em corrupção ou graves violações de direitos humanos.
Lula, que discursou antes de Trump, recheou sua fala com recados ao republicano sobre a disputa entre Brasil e EUA, mencionando “atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais”, “agressão contra a independência do Poder Judiciário” e “ingerência em assuntos internos”.
Leia abaixo o que Trump falou sobre Lula:
Nós também estamos usando tarifas para defender nossa soberania e a segurança em todo o mundo, incluindo contra nações que se aproveitaram de antigos governos americanos por décadas, incluindo da gestão mais corrupta e incompetente da história, a de Joe Biden, o sonolento.
O Brasil agora encara grandes tarifas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e na liberdade de nossos cidadãos americanos e outros, com censura, repressão e corrupção judicial, perseguindo críticos políticos nos EUA.
Tenho um problema em dizer isso, tenho que falar a vocês. Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Nós o vimos, eu o vi, ele me viu, eu o vi, e nós nos abraçamos. Então eu falei: “Você acredita que vou dizer isso em apenas dois minutos?”.
Na verdade, concordamos em nos encontrarmos na próxima semana. Não tivemos muito tempo para conversar, cerca de 20 segundos. Olhando em retrospecto, estou feliz que eu esperei, porque isso aqui [teleprompter] não está funcionando muito bem. Mas conversamos, tivemos uma boa conversa e concordamos em nos encontrar na próxima semana, se houver interesse.
Ele parecia um homem simpático, na verdade, ele gostou de mim, eu gostei dele. Eu só faço negócios com pessoas de quem gosto. Quando não gosto delas, não gosto delas. Mas tivemos, por pelo menos 30 segundos, uma química excelente, é um bom sinal.
Mas no passado, o Brasil taxou nossa nação injustamente. Mas agora, por causa das nossas tarifas, nós temos revidando, e estamos revidando com força. Como presidente, vou sempre defender a nossa soberania nacional e os direitos dos cidadãos americanos. Então, sinto muito em dizer que o Brasil está indo mal e vai continuar indo mal. Eles só vão se dar bem quando trabalharem com a gente. Sem nós, vão fracassar, assim como outros fracassaram.
Eduardo Bolsonaro diz que fala de Trump sobre Lula e Brasil mostra ‘genialidade’ do americano como negociador
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta terça-feira (23) que a fala de Donald Trump sobre o presidente Lula e sobre a relação dos Estados Unidos com o Brasil mostra “a genialidade” do republicano como negociador.
Para Eduardo Bolsonaro, os elogios fazem parte das “estratégias de negociação” do norte-americano e “nada do que aconteceu foi surpresa”.
Durante discurso, Trump relatou que se encontrou com Lula durante a Assembleia Geral da ONU e que ele e o petista tiveram “uma química excelente”. Ele afirmou ainda que o presidente brasileiro “pareceu um cara muito agradável”.
Segundo Trump, ele e o petista marcaram um encontro na próxima semana para debater as retaliações que os EUA vêm aplicando ao Brasil em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump declarou ainda que o Brasil vai mal sem os EUA.
“Depois disso, sorriu e mostra-se aberto a dialogar em uma posição infinitamente mais confortável, fiel àquilo que sempre defendeu: os interesses dos americanos em primeiro lugar. É a marca registrada de Trump: firmeza estratégica combinada com inteligência política. Por isso, longe de causar espanto, sua postura reafirma, mais uma vez, sua genialidade como negociador”, acrescentou Eduardo Bolsonaro.
O deputado – que está nos Estados Unidos e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República em razão de sua atuação contra o Brasil e o processo contra o seu pai no STF – disse ainda que Trump entra na mesa de negociações “quando quer, da forma que quer e na posição que quer”.
E que líderes como Lula assistem às ações de Trump “impotentes” e incapazes de influenciar “o jogo global”.
Para Eduardo, Lula tem a obrigação de “aproveitar a rara oportunidade de se sentar com Trump” com a “difícil missão de extrair algo positivo” da conversa.
O filho de Bolsonaro destacou a fala de Trump sobre o Brasil ir mal sem os Estados Unidos e disse que essa declaração reforça a crença dos bolsonaristas na “anistia ampla, geral e irrestrita” a envolvidos no 8 de janeiro.
O tarifaço marcou o pior momento das relações entre Brasil e EUA nas últimas décadas. Nesta segunda-feira (22), houve uma nova rodada de sanções do governo americano a cidadãos brasileiros, como a punição financeira à esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
No início do mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por liderar uma trama golpista e tentar se manter no poder.
Reveses na Câmara dos Deputados
Também nesta terça, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação, feita por bolsonaristas, de Eduardo para a liderança da minoria na Câmara.
Com a medida, Motta abriu caminho para que faltas de Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde fevereiro, continuem sendo contabilizadas, o que também pode levar à perda do mandato parlamentar.