Lula conversa com Trump por videoconferência e pede revogação de tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por videoconferência nesta segunda-feira (6) com o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo informações obtidas pela TV Globo.

A conversa estava marcada para as 10h30, e durou cerca de meia hora. Lula conversou com Trump do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. Ele estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do assessor especial Celso Amorim e dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Sidônio Palmeira (Secom).

Segundo as fontes, quem trouxe mais temas à mesa foi Lula. O petista aproveitou o telefonema para pedir que Trump reavalie o tarifaço e as sanções impostas a autoridades brasileiras. O presidente brasileiro afirmou que não guarda mágoa de ninguém e comentou que apenas três países do G20 têm déficit comercial com os Estados Unidos — o Brasil, a Austrália e o Reino Unido.

Jair Bolsonaro não foi um assunto durante toda a conversa, o que chamou a atenção de auxiliares de Lula. Ao anunciar o tarifaço de 50% sobre o Brasil, Trump citou que um dos motivos era o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe.

O diálogo teve ainda espaço para descontração. Lula brincou sobre o fato de ambos serem octogenários. Trump respondeu dizendo que se sente “mais forte hoje do que quando tinha 40 anos”. Lula riu e disse que ele também se sentia assim.

Após a conversa, o governo brasileiro divulgou uma nota oficial com os principais pontos da reunião. Segundo o Planalto, Lula convidou Trump para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém, no Pará, em novembro.

Na ocasião, Lula também pediu para que o líder norte-americano revogasse o tarifaço. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou a conversa como positiva.

A possibilidade de um encontro entre Lula e Trump foi anunciada no mês passado pelo líder americano durante na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A conversa ocorre em meio ao tarifaço, com sobretaxa de 50% a produtos brasileiros.

Na ocasião, Lula afirmou após o encontro que “aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu” sobre encontro com Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU e que “pintou uma química mesmo” com o presidente dos Estados Unidos.

➡️Auxiliares de Lula preferiam um primeiro contato por telefone ou vídeo para depois viabilizar uma reunião presencial entre os presidentes.

➡️A estratégia permitiria a Lula e Trump tirarem dúvidas e identificarem pontos de convergência e divergência na negociação comercial. Eles também poderiam estabelecer aos poucos uma relação de confiança.

Relação delicada

A difícil relação de Lula com Trump, desde que o presidente norte-americano foi eleito no final de 2024, faz com que o trabalho da diplomacia brasileira seja cauteloso e discreto.

👉🏽 Trump tem histórico de idas e vindas de posições e, conforme diplomatas, há o receio de recuo sobre a reunião com Lula, em especial porque auxiliares do líder americano podem tentar atrapalhar a aproximação entre os presidentes.

Trump determinou o tarifaço para interferir nos casos de Bolsonaro, porém a pressão não teve efeito. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e outros crimes.

Lula reafirmou na ONU que a independência do Judiciário e da soberania do Brasil não são temas a serem questionados.

Entretanto, ele reforçou em discursos e entrevistas que está aberto a dialogar sobre comércio com Trump. Temas como regulação de big techs e exploração de terras raras são de interesse dos americanos.

Tarifaço

O tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump foi anunciado de forma paulatina e progressiva com o passar dos meses — culminando em uma sobretaxa de 50% com início em 6 de agosto a cerca de 36% das vendas externas aos EUA.

O mandatário norte-americano chegou a citar questões econômicas, como um suposto déficit com o Brasil (inexistente de acordo com números oficiais), mas também apontou questões políticas relacionadas com o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e “direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos”, entre outros.

Trump diz que conversa com Lula foi ‘muito boa’ e abre possibilidade de encontro entre os dois no Brasil e nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que falou por videoconferência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (6), disse que a ligação foi “muito boa” e que gostou da conversa.

O norte-americano afirmou também que os dois farão um encontro “em um futuro não muito distante” e que a reunião presencial deve ocorrer “tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”.

“Nesta manhã, eu fiz uma chamada telefônica muita boa com o presidente Lula, do Brasil. Nós discutimos muitas coisas, mas a conversa focou principalmente na economia e no comércio entre os dois países”, declarou o norte-americano. “Nós teremos novas discussões e nos reuniremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Eu gostei da ligação telefônica — nossos países irão muito bem juntos!”.

Veja, abaixo, a publicação original de Trump sobre a conversa com Lula:

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala sobre ligação por vídeo com presidente Lula em 6 de outubro de 2025. — Foto: Reprodução/Donald Trump no Truth Social
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala sobre ligação por vídeo com presidente Lula em 6 de outubro de 2025. — Foto: Reprodução/Donald Trump no Truth Social

A conversa entre os presidentes norte-americano e brasileiro ocorreu após Trump ter anunciado de surpresa, em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que os dois haviam combinado que falariam por telefone durante um breve encontro nos bastidores.

O governo brasileiro anunciou nesta manhã que a conversa ocorreu, por meio de uma videoconferência. Ainda de acordo com o Planlato, a reunião durou cerca de 30 minutos, e foi Trump quem telefonou para Lula — o norte-americano não confirmou a informação na publicação em que falou sobre a conversa com o brasileiro.

Em nota, o governo brasileiro afirmou também que o petista pediu a Donald Trump que reveja o tarifaço e as sanções a autoridades brasileiras, aplicadas pelo governo Trump em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do norte-americano, no Supremo Tribunal Federal

Trump não mencionou o pedido de Lula de retirada das sanções, mas disse que os dois discutiram “muitas coisas”.

Sobre o futuro encontro entre Trump e Lula, nem o governo do Brasil, nem o dos EUA falou em datas. O Planalto afirmou que Lula “levantou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), na Malásia; reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém (PA); e também se dispôs a viajar aos Estados Unidos”.

A Casa Branca ainda não havia informado, até a última atualização, se está travando negociações com Brasília por um encontro entre os dois. Nesta tarde, a porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, afirmou que Trump receberá, nesta semana, apenas os líderes do Canadá e da Finlândia.

Ela não mencionou o encontro com Lula.

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