A movimentação de Cafu ocorre em um momento de turbulência para o Palácio de Ondina, vindo logo após o também deputado Nelson Leal (PP) ter deixado a bancada governista para se integrar à oposição, assumindo a coordenação da pré-campanha de Neto.
Cafu, que era considerado um dos articuladores importantes do governo na ALBA, sinaliza um fortalecimento da oposição em regiões estratégicas do interior, como a região de Irecê.
Migração
O anúncio da adesão contou com a presença de ACM Neto e também do ex-prefeito de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho (MDB), que é coordenador da pré-campanha oposicionista e uma das principais lideranças políticas na região de Irecê.
Em uma declaração pública nas redes sociais nesta segunda-feira (17), o deputado Cafu detalhou os motivos de sua decisão, citando a necessidade de mudança após “duas décadas de um mesmo ciclo político” no estado.
O parlamentar reconheceu o tempo em que esteve na base governista, trajetória iniciada em 2012, quando foi prefeito de Ibititá pela primeira vez, mas justificou a migração apontando para a insatisfação da sociedade baiana e a “necessidade urgente de mudança”. Cafu elogiou o novo aliado, escrevendo que Neto está preparado. “Acredito no seu nome, no seu potencial e na força do projeto que representa”, concluiu.
Em seu discurso no anúncio, o deputado já havia dito que saía “de cabeça erguida” e que Neto “representa mudança, esperança e um novo caminho para a Bahia.” Ele também aproveitou para agradecer aos senadores Ângelo Coronel (PSD) e Otto Alencar (PSD) pela “parceria, pelo diálogo e pelo respeito ao longo dessa jornada.”
Neto deu as boas-vindas ao novo aliado, destacando a relevância política do deputado em sua região de origem. “Cafu é um dos principais nomes da política na região de Irecê com grande atuação. Tenho um respeito enorme por ele, pela sua história e pelo seu trabalho”, disse
Governador aguarda oficialização para comentar saída de Cafu: ‘estou disposto a ouvir o partido’
Em entrevista nesta segunda-feira (17), Jerônimo disse que só acreditaria após anúncio oficial ou diálogo
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu com cautela e minimizou o impacto do anúncio feito pelo deputado estadual Cafu Barreto (PSD), vice-líder de seu governo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), que formalizou apoio à pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil).
Em entrevista concedida à Rádio Itapoan FM nesta segunda-feira (17), o chefe do Executivo estadual afirmou que, até aquele momento, não havia sido comunicado oficialmente da decisão do parlamentar e preferiu tratar o movimento como “rumores” ou “especulação”. A entrevista de Jerônimo ocorreu antes de Cafu publicar sua nota oficial detalhando a migração nas redes sociais.
“Até agora eu não fui oficializado sobre esse anúncio que está acontecendo. Então, eu só vou acreditar ou quando o deputado dialogar comigo ou quando o presidente do partido dele, que é Otto Alencar, anunciar alguma coisa ou quando eu vir alguma coisa concreta,” declarou o governador.
Política “olho no olho”
Jerônimo reforçou que sua conduta política se baseia no diálogo direto e na transparência, mencionando o caso recente do Progressistas (PP), exemplificando como as saídas da base devem ocorrer. “Eu não sou de ficar dialogando com especulação. Eu acredito muito na política olho no olho, falando a verdade: ‘não deu certo.’ Foi assim que aconteceu com o PP. Não deu certo, dialogou-se, saiu”, disse Jerônimo.
O governador expressou seu apreço por Cafu e se mostrou surpreso com a notícia, destacando a parceria recente durante as eleições. “Eu tenho muito apreço pelo deputado Cafu, me acompanhou nas eleições. Eu tenho recebido, inclusive, prefeitos e prefeitas do deputado. Não sei porque esse tipo de rumores ou de especulação. Vou tratar assim, porque realmente eu até agora não tive nenhum pronunciamento oficial. Então, eu prefiro acreditar que seja especulação,” afirmou.
Jerônimo, no entanto, garantiu que está aberto ao diálogo para esclarecer a situação. “Estou disposto a ouvir o partido para saber o que está acontecendo, tirar essa situação de declinação e tocar a vida, porque [o que] a política exige de nós é trabalho e coragem.”
Eleições 2026
Ao ser questionado sobre as eleições do próximo ano e a definição da chapa majoritária governista, que ainda tem indefinições para as vagas de vice-governador e senador, Jerônimo assegurou que o grupo está trabalhando na construção da composição, mas respeitando os prazos legais, que se estendem até março.
Ele ressaltou a força do grupo político e a presença de nomes influentes como os ex-governadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), e os senadores Otto Alencar (PSD) e Ângelo Coronel (PSD).
“O prazo é março. Mas a gente vai construindo o ambiente. Nós temos que fazer essas discussões em um ambiente adequado para isso. A política é construção. Nós estamos colocando a nossa responsabilidade nas decisões sobre dois pilares” explicou o governador.
Segundo Jerônimo, os dois pilares que guiam as conversas são: montar uma chapa competitiva em todos os níveis (estadual, federal e majoritária) e, principalmente, uma chapa que agregue e não crie desunião.
“Nós não temos o comportamento de soltar a mão de ninguém. Nesse grupo aqui, senta-se, negocia, dialoga, mas nós não soltamos as mãos de ninguém que está ao nosso lado”, concluiu o governador.
Otto Alencar critica decisão de Cafu Barreto de migrar para base de ACM Neto: “Faltou com o respeito pois não me deu satisfação”
O senador Otto Alencar (PSD) reagiu com surpresa à decisão do deputado estadual Cafu Barreto (PSD) de migrar para a base do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União).
Segundo o presidente do PSD baiano, o deputado não comunicou a mudança de rumo nem buscou diálogo interno antes do movimento, o que o senador classificou como uma “falta de respeito”.
“Foi uma surpresa. Nunca me falou nada. Venho há muito tempo apoiando ele. Foi prefeito de Ibititá com meu apoio, ganhou, se reelegeu e ajudamos a fazer o sucessor. Na primeira eleição vitoriosa dele, tanto eu quanto o senador Angelo Coronel (PSD) ajudamos. E ele não avisou nada, não estou sabendo de nada. Faltou com o respeito pois não me deu satisfação”, declarou Otto.
O senador avaliou que a atitude representou uma “falta de dignidade política”, sobretudo após anos de apoio do PSD à trajetória de Cafu. “Ao menos para me dar uma satisfação… Já que está se deslocando, devia ter me procurado”
Otto também afirmou que o deputado é livre para deixar o PSD antes mesmo da janela partidária de 2026. “Não pretendo expulsá-lo; nunca tive espírito de vingança. Se ele quiser sair, é livre para sair”, destacou.
O senador ainda lembrou momentos de apoio direto a Cafu quando o deputado era prefeito de Irecê. “Me lembro de uma noite, em Irecê, quando ele pediu para fazer uma estrada em Canoâo, o lugar que ele nasceu em Ibititá, e nós trabalhamos para viabilizar isso”.
Apesar da crítica, o presidente estadual do PSD disse desejar sorte ao parlamentar. “Ofereço aos que ficaram todas as condições. O PSD tem vários nomes lá, bons prefeitos. Tenho a consciência tranquila: ninguém fez por ele o que eu fiz — e ninguém vai fazer”, declarou.