O governador Jerônimo Rodrigues (PT) voltou a pedir autorização da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) para contratar um novo empréstimo, dessa vez no valor de R$ 300 milhões na Caixa Econômica Federal. Esse é o 21º pedido em dois anos e 11 meses de governo, com soma que ultrapassa R$ 25 bilhões.
De acordo com o projeto encaminhado à AL-BA nesta segunda-feira (17) os recursos serão destinados “à viabilização de contrapartidas de financiamentos, de termos de compromisso, e demais investimentos nas áreas de Infraestrutura Urbana, Mobilidade Urbana, Infraestrutura Hídrica, Infraestrutura Viária, Saúde e Educação”.
O texto diz ainda que, uma vez aprovado, o projeto autoriza o Poder Executivo baiano a “vincular, como contragarantia à garantia da União, a operação de crédito de que trata esta Lei, em caráter irrevogável e irretratável, a modo pro solvendo, as receitas discriminadas no § 4º do art. 167 da Constituição Federal, no que couber, bem como outras garantias admitidas em direito”.
Assim como fez em todos os pedidos anteriores, o governador Jerônimo requereu que a tramitação da matéria ocorra em regime de urgência, o que na prática significa que o texto não será analisado tecnicamente pelas comissões temáticas da AL-BA. O projeto receberá apenas o parecer lido diretamente no plenário no momento da votação.
Oposição critica 21º pedido de empréstimo de Jerônimo e denuncia ‘endividamento sem precedentes’ na Bahia
O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), deputado Tiago Correia (PSDB), voltou a elevar o tom contra o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) após a entrada do 21º pedido de empréstimo da atual gestão em menos de 3 anos na Casa. A nova operação, enviada à Casa nesta segunda-feira (17), busca R$ 300 milhões junto à Caixa Econômica Federal, elevando o total contratado desde 2023 para mais de R$ 25 bilhões — marca que, segundo o parlamentar, nunca havia sido registrada na história recente do Estado.
Críticas ao endividamento e questionamentos sobre aplicação dos recursos
Para Correia, o volume de empréstimos já se tornou “absurdo” e coloca a Bahia em um cenário de endividamento alarmante, sobretudo pela ausência de obras estruturantes que justifiquem a magnitude do valor obtido. De acordo com o líder oposicionista, a população não percebe melhorias proporcionais na segurança pública, na saúde ou em outras áreas essenciais.
“Um patamar sem precedentes na história recente do Estado”, bradou o deputado.
O parlamentar ressaltou ainda que a dívida acumulada se aproxima de um terço de todo o orçamento anual previsto para 2026, estimado em R$ 77,4 bilhões, o que equivaleria, segundo ele, a “quatro meses inteiros de arrecadação dedicados apenas ao pagamento de parcelas de crédito”.
Correia também criticou, mais uma vez, o uso recorrente do regime de urgência solicitado pelo Executivo, prática que impede que as comissões temáticas realizem análises técnicas detalhadas sobre cada operação de crédito. Para ele, o governo está “queimando o dinheiro da Bahia” sem entregar resultados concretos.
“É um volume de dívidas tão grande que, por si só, já deveria alarmar qualquer gestor responsável. O que causa ainda mais perplexidade é o fato de que não há obras estruturantes, não há investimentos relevantes e não há qualquer melhoria perceptível nos serviços públicos. A Bahia está no direito de exigir respostas: para onde está indo esse dinheiro todo, se a segurança continua crítica e a saúde permanece atolada nos mesmos problemas?”, criticou Correia.