Última reunião ministerial de 2025: Lula diz que ministros terão que definir lado nas eleições e que 2026 será ‘hora da verdade’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (17), que ficará “muito feliz” com os ministros que precisarem se afastar do governo para disputar as eleições de 2026. A declaração foi feita durante a última reunião ministerial de 2025, realizada na Granja do Torto, em Brasília, e ocorre em meio às articulações políticas que já começam a desenhar o cenário eleitoral do próximo ano.

Segundo Lula, a saída de ministros para concorrer a cargos eletivos faz parte do processo democrático e deve ser encarada de forma natural pelo governo. O presidente citou, sem mencionar diretamente nomes, que integrantes do primeiro escalão poderão deixar suas funções para atender a demandas políticas e eleitorais em seus estados.

“Eu vou ficar muito feliz que aqueles que tiverem que se afastar, se afastem e, por favor, ganhem o cargo que vão disputar. Não percam”, afirmou o petista.

Rui Costa é um dos ministros que devem deixar o governo

Um dos ministros que já sinalizou publicamente a intenção de deixar o governo é o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT). O ex-governador da Bahia afirmou, nesta última segunda-feira (15), que pretende se desincompatibilizar do cargo no início de 2026 para disputar uma vaga no Senado Federal, respeitando o prazo previsto na legislação eleitoral.

Rui Costa disse que ainda fará uma conversa definitiva com Lula no começo do próximo ano, mas afirmou que sua candidatura se encaixa na estratégia do presidente de fortalecer a bancada governista no Congresso, especialmente no Senado.

“Minha candidatura se enquadra nessa estratégia de fortalecer o Congresso Nacional”, afirmou o ministro durante vistoria a obras em Salvador, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Haddad é citado como exemplo e pode deixar a Fazenda

Entre os nomes mais cotados para deixar o governo está o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Ele é apontado como peça central na estratégia eleitoral do PT, seja para coordenar a campanha de reeleição de Lula, seja como possível candidato ao governo de São Paulo ou ao Senado Federal.

Lula ironizou a relação dos ministros com o cargo ao comentar que, muitas vezes, quando o presidente decide retirar alguém, há resistência, mas quando a saída interessa ao próprio ministro, os argumentos surgem rapidamente. “Quando você tira um ministro, ele chora. Quando você não quer tirar, ele quer sair”, disse.

Governo avalia 2025 como ano positivo, apesar das pesquisas

Durante a reunião, Lula fez uma avaliação positiva do desempenho do governo ao longo de 2025, destacando avanços econômicos e institucionais. O presidente reconheceu, no entanto, que os resultados obtidos pelo Executivo ainda não se refletem plenamente nas pesquisas de opinião.

Na avaliação do petista, isso ocorre por causa do ambiente de forte polarização política, que tende a cristalizar posições e reduzir oscilações fora de períodos eleitorais. Para Lula, esse quadro deve mudar com a proximidade da disputa presidencial.

“O ano eleitoral vai ser o ano da verdade”, afirmou Lula, ressaltando que será em 2026 o momento que o eleitorado escolherá qual projeto de país deseja seguir, comparando o atual governo com gestões anteriores.

Lula destaca papel dos bancos públicos e avanço econômico

Entre os pontos positivos citados pelo presidente estão o fortalecimento dos bancos públicos, como BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que, segundo ele, voltaram a ter capacidade de investimento significativa após anos de retração.

Lula também apontou crescimento da indústria, da agricultura e do crédito, além da aprovação de pautas que classificou como estruturantes, como a reforma tributária e as mudanças no Imposto de Renda (IR).

Para o presidente, essas conquistas contrariaram previsões pessimistas de analistas que duvidavam da capacidade de aprovação de matérias relevantes em um governo com base parlamentar considerada reduzida. Ele atribuiu os resultados à capacidade de diálogo político e articulação do Palácio do Planalto.

Narrativa de reconstrução será central em 2026

Lula voltou a defender a narrativa de que seu governo assumiu um país “desmontado” e que os primeiros anos de gestão foram dedicados à reconstrução institucional, social e econômica. De acordo com o presidente, o Executivo já anunciou as principais políticas sociais e agora entra em uma fase de consolidação dessas ações.

“O dado concreto é que nós já anunciamos tudo o que tínhamos que anunciar. Agora é a hora de mostrar os resultados”, destacou.

O presidente também ressaltou que o governo conta com ministros experientes, muitos deles com trajetória desde 2003, e avaliou que o Brasil vive um momento econômico praticamente inédito.

Lula defende diálogo e cita conversa com Trump

Ainda na reunião ministerial, Lula voltou a defender o diálogo político como ferramenta central da atuação do governo, tanto no plano interno quanto nas relações internacionais. O presidente relatou uma conversa recente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ilustrar seu argumento.

“Eu falei para o Trump que é mais barato conversar do que fazer guerra”, disse Lula.

A reunião desta quarta-feira marcou o encerramento da agenda ministerial de 2025 e teve como foco o balanço dos 3 anos de seu terceiro mandato. Além disso, o encontro também serviu para definir as prioridades estratégicas para 2026, ano eleitoral no qual o presidente Lula deve novamente tentar sua reeleição.

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