O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou, nesta sexta-feira (23), que irá disputar as eleições deste ano e reforçou que o próximo pleito será marcado pelo enfrentamento às fake news e pela defesa da democracia. Durante participação no 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador, o petista também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que o americano quer ser “dono” da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em discurso direcionado à militância do movimento, Lula afirmou que a eleição de 2026 será decisiva para o futuro do país e que a campanha terá como eixo central a defesa da verdade e das políticas sociais.
“Nessa campanha, eu vou dizer em alto e bom som: ‘O cara que levanta a mão pra bater numa mulher não precisa votar em mim pra presidência da República. Será um voto amaldiçoado se eu aceitar um voto desse’”, declarou o presidente.
Lula diz que concorrerá à reeleição independente do adversário
Na ocasião, Lula também afirmou que pretende disputar o pleito independentemente dos adversários e sinalizou que o processo eleitoral ainda será definido ao longo dos próximos meses. “Se preparem, porque nós queremos ser tetra e vamos disputar esse ano as eleições. Vamos disputar as eleições, não sei com quem”.
“Venha quem vier. Venha quem vier. Venha quem vier. Nós vamos mostrar que esse é o ano da verdade. Nós vamos mostrar que a mentira não vai prevalecer”, completou.
Lula diz que não aceitará voto de agressor de mulher
Durante o discurso, Lula fez um apelo direto aos homens e afirmou que a luta contra a violência de gênero deve ser assumida também pelo público masculino. O petista também enfatizou que não aceitará apoio eleitoral de homens que agridem mulheres.
“E nós temos que saber que somos nós, homens, que temos que comprar essa briga. Falar com os nossos companheiros no local de trabalho. Ah, eu tô com raiva, não sei. Meta a cabeça na parede, porra. Tá com raiva? Meta a cabeça na parede”, disparou.
O presidente também reforçou sua ligação histórica com o Movimento Sem Terra e relembrou sua trajetória pessoal, marcada pela pobreza e pela migração do Nordeste para o Sudeste. “Então, companheiros do Sem Terra, meus queridos companheiros, eu tô com vocês desde a fundação. Eu já era um sem terra. Eu já vim de Pernambuco, porque eu não tinha terra. Não tinha terra. Não tinha vaca, não tinha jumento, não tinha égua, não tinha p* nenhuma”, declarou.
Indicadores econômicos e políticas sociais
Durante o discurso, o petista citou dados econômicos para defender os resultados do atual governo, mencionando indicadores como inflação, emprego e massa salarial. “É a menor inflação acumulada da história do Brasil. É o menor desemprego da história do Brasil. É a maior massa salarial. É a maior exportação. E a maior entrada de capital externo direto para investimento no Brasil”, afirmou.
Segundo o presidente, esses resultados impactam diretamente a qualidade de vida da população e reforçam a importância das decisões políticas tomadas ao longo do mandato. “Nós sabemos que isso resulta na melhoria de qualidade de vida do nosso povo. Ou nós assumimos, ou eles assumem”, disse.
Lula critica cenário internacional e alerta para crise do multilateralismo
Outro eixo central do discurso foi a tensão política internacional. Lula afirmou que o mundo vive um momento crítico, marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pelo avanço de ações unilaterais. “Nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. Está prevalecendo a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, declarou.
Ao mencionar o presidente Donald Trump, Lula ressaltou que, ao invés de corrigir a ONU, como é solicitado desde 2003, com a entrada de novos países, como México, Brasil e países africanos, o americano está propondo a criação de uma nova Organização das Nações Unidas.
“O que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, criticou.
O presidente citou eleições e crises políticas recentes na América Latina e criticou discursos baseados na força militar. “Eu não quero guerra. Eu sou o homem da paz. Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível”, afirmou.
Defesa da soberania e da diplomacia
Por fim, Lula reforçou que o Brasil busca manter relações diplomáticas com diferentes países, sem alinhamentos exclusivos, mas rejeita qualquer forma de subordinação. “O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, quer ter relação com Cuba, quer ter relação com a China, quer ter relação com a Rússia. A gente não tem preferência. O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia pra alguém mandar na gente”.