O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), disse ter uma afinidade com a Bahia que o diferencia dos demais pré-candidatos à presidência da República.
Quarto maior colégio eleitoral do país, o estado recebeu pelo menos três presidenciáveis num intervalo dos dez últimos dias: primeiro Ronaldo Caiado, governador de Goiás, na Lavagem do Bonfim no último dia (15), e depois o presidente Lula nesta sexta (23), durante um evento do Movimento Sem Terra (MST), no Parque de Exposições, e agora o mineiro, que atendeu à imprensa neste sábado (24), em um hotel no Stiep.
“De todos os pré-candidatos, talvez eu seja um dos que melhor conhece a Bahia. Inclusive porque a empresa que eu administrei, e eu mesmo abri uns 30 estabelecimentos no sul do estado, ali na região de Guanambi, Brumado, Vitória da Conquista, Caculé e por aí vai… Estive ali trabalhando muitos anos, então já tive contato com baianos, eu devo gerar hoje uns 300 empregos para baianos. Então tenho orgulho de ter esse conhecimento que acho que os outros não têm. Eu já trabalhei aqui e continuo trabalhando na Bahia”, iniciou Zema.
Ele reafirmou que levará sua pré-candidatura até o fim e pontuou que a pulverização de nomes da direita no primeiro turno, “ao contrário do que se imagina, fortalece” o campo ideológico de oposição ao presidente Lula.
Ele aposta no que considera ser seu estilo próprio de “gestão chão de fábrica”, cortando privilégios da máquina pública e dando ênfase ao setor produtivo.
“Nós precisamos no Brasil, na minha opinião, de um político diferente, que eu me considero alguém, que vem para poder trabalhar, para poder ralar, e não para ficar vivendo como imperador, como muitas vezes acontece com quem é é eleito, principalmente, presidente, governador. Sou governador de Minas que mais esteve no interior do estado, fui em mais de 430 cidades, então essa gestão chão de fábrica é o que eu acredito. É escutar o produtor rural, é escutar quem produz, quem trabalha, quem está ralando, e não quem já tá aí ganhando milhões, como nesse caso do Banco Master, para poder enriquecer mais ainda”, completou.
Zema reconhece dificuldade de projeção nacional, diz que vai ‘rodar’ o Brasil e
O mineiro foi pragmático ao reconhecer que, embora ostente altos índices de aprovação em seu estado, ainda é um rosto pouco familiar para o eleitorado do interior do país — especialmente nos redutos onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém hegemonia.
“É rodar, é mostrar que você tem propostas diferentes e, agora, que você já fez entregas”, afirmou Zema, comparando seu desafio atual ao de 2018, quando iniciou a corrida pelo governo mineiro com menos de 1% das intenções de voto.
Zema diz que diversidade de candidaturas fortalece direita: ‘Estaremos juntos’
Questionado sobre a fragmentação da direita, que reúne diversos nomes como pré-candidatos à presidência da República, a exemplo do senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), Zema ofereceu uma leitura contraintuitiva. Para ele, a abundância de pré-candidatos não é um sinal de fraqueza, mas de vitalidade democrática de um grupo que aprendeu a ser “mais competente”.
“Eu mudaria essa palavra. Em vez de estar dividida, ela está fortalecida. Quanto mais candidatos você tem, mais votos você terá. Estaremos todos juntos no momento certo, que é no segundo turno”, projetou o governador.
Zema aproveitou para alfinetar a esquerda, argumentando que o campo adversário sofre de uma dependência crônica. “A esquerda só tem um nome há 40 anos e, na hora que esse nome não estiver aí, não vai ter ninguém”.
Zema propõe mudança na gestão do Brasil
Para o governador, a solução para os problemas estruturais do Brasil — e da Bahia — passa pelo fim do que chamou de “peste política”: o uso da máquina pública para beneficiar aliados e familiares. Zema utilizou sua experiência em Minas como prova de conceito, descrevendo o estado que herdou em 2018 como um “Titanic no fundo do mar”.
“Nós precisamos de um setor público mais técnico, mais profissional e menos fisiológico para poder ficar atendendo esses interesses pessoais que, nós sabemos, nos leva uma saúde melhor, uma segurança melhor, uma educação melhor para quem paga imposto”.
Anti-radicalismo como diferencial
Em um cenário nacional ainda febril pela polarização, Zema tentou se posicionar como a face moderada da direita. O mineiro rejeitou rótulos de extremismo, afirmando que o “radicalismo só atrapalha” e que a população está “cansada dessa brigaiada”.
“Quem me conhece sabe que eu não sou radical, eu dialogo com todo mundo. Como um bom mineiro, estou sempre disposto a sentar na mesa e negociar dentro da ética e da lei”, pontuou.
Essa postura é vista como um aceno ao eleitor de centro e aos setores produtivos que buscam previsibilidade e menos embate ideológico.
Pré-candidatura de Zema e seu reflexo na Bahia
A presença de Zema em Salvador não é isolada. Ela serve de lastro para a pré-candidatura de José Carlos Aleluia ao Palácio de Ondina. Ao vincular sua imagem à de Aleluia, Zema tenta nacionalizar o debate baiano, oferecendo o partido Novo como uma via que se descola tanto do PT quanto das coalizões tradicionais de oposição no estado, exigindo, inclusive, que eventuais alianças locais passem pelo apoio ao seu projeto presidencial.