Assembleia Legislativa retoma os trabalhos sob impacto de sucessão e xadrez eleitoral para 2026

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) realiza, nesta terça-feira (3), a sessão solene que marca a instalação da quarta Sessão Legislativa da atual legislatura. O evento, conduzido pela presidente Ivana Bastos — primeira mulher a comandar a instituição em 190 anos — contará com a tradicional mensagem anual do governador Jerônimo Rodrigues (PT). O ato formal, previsto para as 10h, renova a parceria entre os poderes e apresenta as metas e prioridades do Executivo para o ano de 2026.

O ritual de abertura segue um protocolo rigoroso, que inclui a formação da Guarda de Honra, o desfile da Polícia Militar e a condução do governador ao Plenário Orlando Spínola por uma comissão suprapartidária. Além da prestação de contas, a sessão é vista como o ponto de partida para um ano em que a atividade parlamentar será fortemente influenciada pelo calendário eleitoral.

​Nova configuração: posse de Luciano Ribeiro
Após o recesso parlamentar, a Casa inicia os trabalhos com uma alteração em sua composição original devido à morte repentina do deputado Alan Sanches (União Brasil), ocorrida em 17 de janeiro. Na manhã da última quinta-feira (22), o primeiro suplente do União Brasil, Luciano Ribeiro, tomou posse para assumir a vaga deixada pelo parlamentar. O ato foi conduzido pela deputada Ivana Bastos e formaliza o retorno de Ribeiro ao Legislativo estadual.

​A ausência de Alan Sanches também altera o xadrez para a Câmara dos Deputados em Brasília. O falecido parlamentar era um dos nomes fortes na disputa por uma vaga federal. Com sua ausência, abre-se um vácuo de representação que deve ser disputado por outros nomes da oposição e até por seu filho, o vereador Duda Sanches (União Brasil), que já sinalizou a intenção de herdar o legado político do pai.

Xadrez da reeleição e o avanço de ex-prefeitos

​O cenário para as eleições de 2026 apresenta uma pressão sem precedentes sobre os atuais ocupantes das cadeiras na AL-BA. Dos 63 deputados estaduais, 52 vão tentar a reeleição e seis pretendem mudar para Brasília. A disputa estadual, contudo, é apontada nos bastidores como mais difícil do que a federal devido à “enxurrada” de ex-prefeitos que deixaram seus mandatos bem avaliados e agora buscam espaço no Legislativo.

​Substituições familiares: as deputadas Soane Galvão (PSB) e Kátia Oliveira (MDB) pretendem ser substituídas por seus maridos, os ex-prefeitos Marão (Ilhéus) e Dinha (Simões Filho), respectivamente.
​Perda de bases: o deputado Vítor Bonfim (PDT), que tentará uma vaga federal, afirma que parlamentares estaduais estão perdendo bases eleitorais para prefeitos que saíram do cargo com alta popularidade.
​Baixas e prisões: Nelson Leal (PSL) e Maria Del Carmen (PT) estão fora do páreo por vontade própria, enquanto Binho Galinha (PRD) encontra-se impedido de concorrer por estar preso.

Disputa Federal: Menos desistências, mais recursos

​Na ala dos deputados federais, a movimentação é menos turbulenta quanto ao número de candidatos, mas os montantes envolvidos impressionam. Dos 39 parlamentares da Bahia em Brasília, apenas três estão fora da disputa: Otto Alencar Filho (PSD) – com sua entrada no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e substituído na AL-BA por Charles Fernandes (PSD) -, João Leão (PP) e Zé Rocha (União Brasil)— estes dois últimos para apoiar as candidaturas de seus filhos.

​Os outros 36 deputados federais vão para a disputa fortalecidos por um salto significativo no valor das emendas parlamentares, que saltaram de R$ 5 milhões para R$ 55 milhões por ano. Esse aporte financeiro robusto é visto como o principal combustível para a manutenção de redutos eleitorais, criando uma disparidade de recursos que desafia novos nomes que tentam ingressar na Câmara Federal sem o controle da máquina pública ou de emendas impositivas.

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