Lula reage à decisão da Justiça dos EUA, defende cautela contra tarifaço de Trump e pede igualdade nas relações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, na madrugada deste domingo (22), que o Brasil agiu de forma correta ao optar por cautela diante do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A manifestação ocorreu após a Suprema Corte dos EUA invalidar parte das tarifas impostas pelo governo norte-americano com base em poderes de emergência.

Durante coletiva em Nova Delhi, na Índia, Lula avaliou que a estratégia brasileira foi adequada diante das mudanças no cenário jurídico e político dos Estados Unidos.

“Eu acho que nós tomamos as decisões corretas. Uma parte das coisas já tinha sido mudada pelo próprio governo americano e agora nós tivemos outra decisão da Justiça americana contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump. Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de algum país, não julgo do meu ainda mais de outro país”, afirmou o petista, segundo o G1.

Decisão da Suprema Corte limita tarifas
A Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que o presidente dos Estados Unidos extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas sobre importações de diversos parceiros comerciais. Os ministros entenderam que a Constituição norte-americana atribui ao Congresso o poder de instituir impostos, restringindo o alcance das medidas adotadas pela Casa Branca.

A decisão atinge parte significativa da política tarifária implementada por Trump, que utilizava a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para justificar o aumento de impostos sobre importações.

Após o revés judicial, Trump anunciou a elevação da tarifa global de 10% para 15%, afirmando que a nova alíquota está “no nível totalmente autorizado e legal”. O aumento foi divulgado nas redes sociais do presidente norte-americano e reforça a intenção de manter a política comercial ativa mesmo diante das restrições impostas pelo tribunal.

Impacto político e econômico nos EUA
A decisão da Suprema Corte abriu debate interno nos Estados Unidos sobre os limites do poder executivo em matéria comercial. Estimativas indicam que cerca de US$175 bilhões foram arrecadados sob o regime tarifário questionado.

Empresas e governos estaduais analisam a possibilidade de solicitar reembolso dos valores pagos. Ao mesmo tempo, o Congresso norte-americano discute o alcance das prerrogativas presidenciais na política comercial.

Lula pede igualdade nas relações comerciais
Na coletiva, Lula declarou que espera mudança na condução da política externa dos Estados Unidos após a decisão judicial. Segundo ele, o Brasil defende tratamento equilibrado entre os países.

“Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países”, disse Lula a repórteres.

O presidente brasileiro encerra, neste domingo (22), sua agenda oficial na Índia. Em seguida, embarca para a Coreia do Sul.

Acordos firmados na Índia
Durante a visita oficial, Brasil e Índia assinaram seis memorandos de entendimento nas áreas de saúde, tecnologia, pesquisa científica e comunicações. Também foi firmado documento voltado a compromissos sobre minerais críticos e terras raras, tema considerado estratégico nas negociações internacionais.

Lula já havia indicado que pretende discutir minerais críticos com Trump em reunião prevista para março. No entanto, ressaltou que o encontro terá pauta mais ampla. “A pauta que quero conversar com o presidente Trump é muita mais ampla do que minerais críticos”, declarou.

“Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação”, afirmou.

O presidente mencionou ainda que pretende abordar a situação de brasileiros que vivem nos Estados Unidos e tratar de investimentos norte-americanos no Brasil.

Encontro entre Lula e Trump
Segundo integrantes da diplomacia brasileira, três temas principais devem orientar a reunião entre os dois chefes de Estado: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados pelas tarifas e a situação política na América Latina.

Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que o encontro presencial poderá reorganizar a relação bilateral e consolidar canais de diálogo.

Lula afirmou que a relação entre os dois governos apresenta melhora. “A gente voltou a ter uma relação totalmente civilizada e altamente respeitosa”, disse.

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