O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), de acordo com informações do site The Intercept Brasil.
A publicação mostra ainda que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, pediu mais dinheiro em áudio enviado para Vorcaro.
Flávio foi procurado via assessoria e por meio de seu telefone para se manifestar, mas ainda não respondeu às solicitações da reportagem.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria dito o senador em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, teria acrescentado. Jim Cazaviel vive Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor da película.
Ao Intercept Flávio também não comentou o caso. Nesta quarta (13), ao ser abordado pela equipe do site ao deixar o STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio foi questionado sobre o financiamento e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”, segundo relato do Intercept. Depois, o senador riu e deixou o local.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Nos meses entre o veto à venda ao BRB e a liquidação pelo BC, Vorcaro tentava viabilizar uma forma de vender o Banco Master.
A publicação afirma que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro teria sido repassado.
Um pedaço do montante teria sido transferido de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. Esse fundo seria controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país.
A Entre pertence ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que é próximo de Vorcaro e foi alvo da PF em janeiro deste ano. Depois disso, em 27 de março, o Banco Central decretou a liquidação da Entrepay, empresa do grupo.
Dados obtidos pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mostram que o Master repassou R$ 2,3 milhões para a Entre em 2025. Ao todo, foram R$ 7,7 milhões entre 2023 e o ano passado, com a maior quantia paga em 2024 (R$4,2 milhões).
A Entrepay foi sócia de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, até o fim de 2025 em uma outra empresa, chamada Consiglog, que atua no segmento de crédito consignado para servidores do governo baiano. Lima participa do quadro de sócios da Consiglog via uma outra companhia, a Kontrollpunkt.
A Kontrolpunkt pertence ao fundo Quality Golden Service, que está na teia de fundos fraudulentos do Banco Master.
O Quality Golden Service tem ações de outras empresas ligadas a Augusto Lima, como a Moussaief Red, que opera o cartão do Programa Credcesta. O programa surgiu a partir da privatização da Ebal, a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras, e é o embrião da operação de consignados por trás do crescimento do Master.
Questionado sobre a ligação, o Grupo Entre disse no início de fevereiro deste ano que “não possui qualquer vínculo societário com Daniel Vorcaro ou Banco Master”.
Flávio, que agora admite pedido de dinheiro, disse há dois meses que nunca teve contato com Vorcaro
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora admite ter pedido e recebido dinheiro de Daniel Vorcaro para a realização de um filme sobre seu pai, negou há dois meses ter qualquer contato com o ex-dono do Banco Master, quando o jornal Folha de São Paulo revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.
A coluna Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o mostrou em 16 de março que documentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) revelaram que os contatos de Flávio, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), do ex-presidente Michel Temer e de artistas como o apresentador Luciano Huck constavam da agenda de Vorcaro.
Na ocasião, Flávio afirmou que nunca teve contato com o dono do Banco Master. “O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, afirma ele, sugerindo que qualquer outra pessoa pode ter passado seu contato a Vorcaro, de acordo com a reportagem.
Nesta quarta (13), após o site Intercept Brasil revelar conversas de Flávio com Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o pré-candidato do PL admitiu em nota e vídeo que conheceu o então banqueiro em dezembro de 2024 e que pediu dinheiro para o longa-metragem.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, escreveu o senador, em nota.
O senador disse que conheceu Vorcaro quando o governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse Flávio.
A reportagem procurou a assessoria do senador às 18h50 desta quarta (13) para questioná-lo sobre a mudança de versão, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o filme, informação revelada pelo Intercept Brasil e confirmada pela Folha de São Paulo.
Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado a Vorcaro: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.