A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga a participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras.
A Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master.
Relembre aqui as fases anteriores da operação.
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Congresso, e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno, estão entre os alvos desta fase.
Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, relator do caso nbo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados aos alvos no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
Além disso, agentes federais cumprem medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico.
Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Além de apartamentos, propinas do Master a Wagner teriam incluído camarote em show nos EUA
Alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, o senador Jaques Wagner (PT) teve os gastos discriminados pela Polícia Federal na investigação que apura o suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros que envolve, ainda, os gestores do Banco Master.
O Bahia Notícias teve acesso à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que oficializou a liberação dos mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar nesta quinta-feira (18). No documento oficial, a Polícia Federal aponta que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pagou ao líder do governo no Senado as despesas de um “show de cantora internacional” na Califórnia, nos Estados Unidos, a um custo de R$ 63,3 mil.
No documento, consta que, em junho de 2023, foi orientada a compra dos ingressos para familiares do senador. “A aquisição dos bilhetes, que também foi objeto de diálogo envolvendo JOÃO CARLOS MANSUR, teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339,00”.
Em novembro de 2023, uma nova troca de mensagens traz o assunto dos ingressos. Na ocasião, o senador questiona sobre os “ingressos de sábado”, referente a um show no dia 25 de novembro de 2023, e, logo em seguida, foram enviados arquivos de ingressos para um camarote.
SOBRE A OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
Além de Jaques Wagner, o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, também foi um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero na Bahia.
A operação, que investiga um esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional, realizou cumpriu 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Na Bahia, a ação foi cumprida inicialmente na residência do senador e líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso Jaques Wagner, no Corredor da Vitória, em Salvador.
Entre as formas de pagamento estariam os valores pagos durante anos pela empresa da enteada, viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro e ainda um apartamento avaliado em R$2,5 milhões de reais no Horto Florestal, bairro de luxo em Salvador.
Na última terça, Wagner rechaçou notícias sobre sua ligação com caso Master e disse: “A verdade sempre vencerá”
Na sessão plenária do Senado na última terça-feira (16), o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), disse que processaria a revista Veja por fazer ilações a respeito de ligações dele e do PT da Bahia com o dono do Master, Daniel Vorcaro. O senador disse também que procuraria o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para saber se havia alguma acusação contra ele ou declaração de alguém que o envolvesse em atividades suspeitas.
A fala do líder do governo se deu em uma manifestação de solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Naquela mesma sessão, Alcolumbre negou informações divulgadas pela Veja de que teria recebido cerca de US$ 30 milhões de Vorcaro em uma conta no exterior. Jaques Wagner disse que a revista mentia e que se tratava de uma ‘guerra de narrativas’.
“Do meu ponto de vista, meu advogado já está preparando a peça para processar, e eu quero saber a mesma verdade. Eu vou perguntar ao chefe da Polícia Federal, Dr. Andrei, se essa coisa pode chegar a alguém para me acusar, eu quero saber também para poder me defender”, afirmou o senador baiano.
No seu discurso na última terça, Jaques Wagner reiterou que não possuía qualquer vínculo com Daniel Vorcaro ou o Banco Master, e classificou as informações da revista como infundadas.
“Eu estou muito à vontade porque não tenho, como V. Exa. afirmou, nenhuma relação com … Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF – eu não tenho CNPJ. Então, eu quero me solidarizar com V. Exa. e antecipar que meu advogado já está preparando a peça para processar a revista”, reforçou o senador.
Jaques Wagner aproveitou ainda para criticar a forma como a delação premiada vem sendo utilizada dentro de um contexto de guerra política e voltada à difamação da classe política. Para o senador, há uma distorção no uso da delação, que, para ele, tem servido de instrumento para coerção e obtenção de elementos de acusação que posteriormente não se sustentam.
“Nós, acho, cometemos um erro, o Congresso Nacional. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas. Na verdade, foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram […] Lula à cadeia. Talvez, naquele momento, a gente não tenha se dado conta da violência”, explicou o senador Jaques Wagner.
Além do discurso, o líder do governo publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que a informação da revista Veja sobre ele seria mentirosa e que foi proveniente de uma delação que não se concretizou.
“A capa da Veja trata de uma delação inexistente, já negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A verdade sempre vencerá”, afirmou o senador do PT da Bahia, alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta (18) por relações suspeitas com o dono do Banco Master.