O governo federal endureceu o discurso contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua participação em uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos para discutir as tarifas impostas a produtos brasileiros.
Em nota divulgada na noite desta terça-feira (7), o Palácio do Planalto classificou a atuação do parlamentar como uma afronta aos interesses nacionais.
A manifestação do Executivo foi motivada pela presença de Flávio na audiência organizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil. Durante o encontro, o senador defendeu o adiamento da cobrança das tarifas previstas para entrar em vigor em 15 de julho.
Para o Planalto, a postura adotada pelo parlamentar destoou da dos demais brasileiros que participaram da audiência. Segundo o governo, dos 34 inscritos para falar no evento, Flávio foi o único que não se posicionou pela revogação das medidas adotadas pelos Estados Unidos.
“Divergir do governo é legítimo, mas há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, afirma um trecho da nota. O comunicado também diz que a conduta do senador representa uma “traição à Pátria”.
Ainda de acordo com a Presidência, Flávio preferiu defender apenas o adiamento das tarifas, em vez de contestar sua aplicação, atitude que o governo atribui a um “claro objetivo eleitoreiro”.
O texto também sustenta que o senador não rebateu os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as sanções comerciais e afirma que ele tampouco negou que a atuação de sua família e de aliados políticos tenha contribuído para o atual cenário.
A manifestação do governo classifica a investigação americana como injusta e critica o fato de Flávio ter citado aos EUA o escândalo do caso Master sem mencionar seu envolvimento com o dono do banco, Daniel Vorcaro.
“Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de R$ 130 milhões para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”, diz trecho.
Flávio havia afirmado que a adoção de uma tarifa sobre os produtos brasileiros beneficiaria Lula na disputa eleitoral deste ano e que agora seria “o pior momento” para implantá-la. A sugestão do senador era de que a discussão em torno do tarifaço deveria ser adiada para depois das eleições brasileiras para evitar uso político.
O texto do governo brasileiro diz ainda que entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio não se posicionou de modo contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento “com claro objetivo eleitoreiro”.
“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, diz a nota.
Aos EUA, Flávio justificou sua participação por ser um parlamentar brasileiro e nome proeminente da oposição.
Publicamente, ele criticou a ausência de representantes do governo do Brasil no evento e se colocou como alguém interessado em defender os interesses nacionais. Dentro do Planalto, a avaliação é de que o Brasil não deveria enviar representantes oficiais para não legitimar a investigação americana, a qual o governo Lula se opõe.
Ao final da nota, o Planalto reforça que mantém negociações com as autoridades dos Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter as tarifas impostas aos produtos brasileiros.