A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro ocorre sob a sombra de uma das mais graves acusações já enfrentadas por um parlamentar bolsonarista. Em março deste ano, os parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal pedindo a investigação do deputado por suposto estupro de vulnerável e fraude processual.
No Congresso, consolidou-se como um dos parlamentares mais fiéis ao bolsonarismo. Assumiu protagonismo ao relatar a CPMI da fraude no INSS, conduzindo os trabalhos em sintonia com a estratégia política da oposição ao governo Lula. Sua atuação o aproximou ainda mais do núcleo duro do bolsonarismo e o transformou em um dos nomes de confiança da família Bolsonaro.
Foi justamente durante os trabalhos da CPMI que sua trajetória sofreu o maior abalo. Enquanto apresentava o relatório final da comissão, Lindbergh Farias anunciou publicamente que havia encaminhado à Polícia Federal uma notícia-crime contra Gaspar. O documento sustenta que parlamentares receberam documentos, mensagens e relatos que apontariam a prática de estupro de vulnerável, além de supostas negociações financeiras para impedir que o caso chegasse às autoridades. A defesa do deputado rejeita todas as acusações, classifica a denúncia como uma farsa e afirma que adotará medidas judiciais contra seus acusadores.
A indicação de Gaspar para a vice-presidência evidencia a disposição de Flávio Bolsonaro em blindar aliados mesmo quando eles enfrentam acusações extremamente graves. A escolha também reforça o perfil ideológico da chapa, privilegiando um nome identificado com a ala mais radical do bolsonarismo em detrimento de uma composição capaz de ampliar alianças políticas.
Ao apostar em Alfredo Gaspar, Flávio Bolsonaro não apenas assume o risco de carregar para a campanha uma denúncia de enorme repercussão, mas também sinaliza que a fidelidade ao núcleo bolsonarista pesou mais do que qualquer preocupação com o desgaste eleitoral que o caso pode provocar.
Posição do deputado Alfredo Gaspar – À época, Gaspar protocolou uma representação por denunciação caluniosa. O relator da CPMI acionou ainda a Procuradoria-Geral da República (PGR) para cobrar a responsabilização dos dois parlamentares que o acusaram de estupro de incapaz.
Para o deputado, a acusação foi utilizada como “cortina de fumaça” para tirar o foco dos pedidos de indiciamento presentes em seu relatório da CPMI. Entre eles, estava Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O relatório foi derrubado por 19 votos contrários a 12 favoráveis.
“Fui acusado de forma covarde, vil e abjeta, por membros do Partido dos Trabalhadores, de algo que não pratiquei. A cortina de fumaça, justamente no dia em que pedi a prisão do filho do presidente da República. O PT age assim.”
Gaspar pediu celeridade no processo de análise do DNA, porque “o Brasil merece resposta imediata” sobre as acusações. No STF, a representação por calúnia está sob relatoria de Gilmar Mendes, que cobrou explicações aos parlamentares.
Do outro lado, Lindbergh e Soraya protocolaram junto à PGR uma notícia de fato na qual afirmam que Gaspar teria cometido estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos, e que o crime teria resultado em uma gravidez. No documento, alegam que a criança foi registrada no nome da mãe da vítima, e que o parlamentar pagou R$ 400 mil para que não fosse denunciado.
No dia seguinte à apresentação, o deputado publicou em suas redes sociais um teste de paternidade e um vídeo com o depoimento da suposta filha do crime. No vídeo, a mulher desmente que seja filha de Alfredo Gaspar e afirma que seu pai na realidade seria o primo do parlamentar, e que seu nascimento foi fruto de uma relação consensual que não vingou.