Vítima de câncer, cantor Netinho morre aos 60 anos

O cantor baiano Netinho, uma das vozes mais expressivas e marcantes do axé music no Brasil, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador. O artista enfrentava o diagnóstico de um câncer no sistema linfático revelado ao público em março de 2025, quando deu início a um tratamento especializado no Hospital Aliança Star, na capital baiana.

De acordo com informações prestadas pela assessoria do músico, atendendo a um desejo expresso deixado pelo próprio cantor, as cerimônias de velório e cremação serão restritas a familiares e amigos próximos.

O diagnóstico inicial do tumor foi comunicado aos fãs em 22 de março de 2025, após o artista dar entrada na unidade hospitalar com fortes dores nas pernas. Acompanhado pela equipe médica liderada pela médica Gloria Bomfim Arruda, Netinho passou por sessões de tratamento laboratorial que previam a realização de um transplante autólogo de medula óssea.

No início de 2026, o cantor chegou a relatar o retorno da enfermidade de forma mais agressiva, mantendo atualizações diretas aos seguidores por meio de suas redes sociais até o final do mês de agosto.

Do Recôncavo Baiano ao sucesso nacional

Nascido no município de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966, Ernesto de Souza Andrade Júnior, o Netinho, mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos de idade. Sua trajetória na música começou na juventude, conciliando o curso de Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (Ucsal) com apresentações em feiras escolares e bares da capital, onde interpretava repertórios de MPB e bossa nova.

A projeção em âmbito nacional ocorreu a partir de 1988, quando assumiu o posto de vocalista da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, o grupo estourou nas rádios do país com a canção Beijo na Boca, seguida por sucessos como Estrela Primeira, Barracos e A Vida É Festa.

Em 1993, Netinho iniciou sua carreira solo, alcançando o auge do reconhecimento popular três anos depois. Em 1996, o cantor lançou o megahit Milla, canção que se transformou em um dos maiores hinos do axé music e da música popular brasileira nos anos 1990. O sucesso da faixa projetou a carreira do artista para turnês internacionais na Europa e na América Latina, com apresentações marcantes na Itália e no Chile.

Atuação empresarial, vida pessoal e projetos interrompidos

Além do trabalho nos palcos, Netinho atuou no setor empresarial da música ao fundar um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, espaço utilizado por grandes nomes da MPB e da música internacional, além de criar um selo voltado à revelação de novos talentos da música baiana. Na vida pessoal, o cantor foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve sua filha, Bruna Trindade.

Nos últimos meses de vida, o artista preparava um projeto autoral de retorno aos palcos intitulado provisoriamente de 1966, em referência ao seu ano de nascimento. A proposta previa a junção de seus sucessos históricos com arranjos modernos e recursos de inteligência artificial. A última apresentação ao vivo do cantor ocorreu em 25 de outubro de 2025, durante um evento festivo na cidade de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais.

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