De acordo com apuração do G1, o relatório deverá reunir informações sobre possíveis atividades coordenadas entre contas e plataformas, sincronização de publicações, replicação de mensagens e padrões de engajamento, alcance e compartilhamento. A empresa também terá de informar se houve amplificação artificial de conteúdos, circulação de mensagens encaminhadas, alterações ou exclusões de publicações e eventual uso de publicidade paga ou impulsionamento.
A decisão exige ainda que a Meta explique quais critérios técnicos utiliza para diferenciar uma mobilização legítima de apoiadores de um comportamento coordenado potencialmente irregular. Segundo Nunes Marques, a análise pretende comparar as medidas informadas formalmente à Justiça Eleitoral com o funcionamento efetivo do canal.
Google também deverá verificar movimentação coordenada
Além da determinação à Meta, o ministro estabeleceu que o Google informe se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro. A análise deverá considerar buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.
O pedido da campanha de Flávio Bolsonaro questiona ações atribuídas aos participantes do canal, como a divulgação de orientações para realizar buscas e impulsionar hashtags em diferentes plataformas. As alegações ainda precisam ser examinadas pela Justiça Eleitoral, e a solicitação de informações técnicas não significa que eventuais irregularidades tenham sido comprovadas.
Lula passa a integrar canal administrado por Janones
A nova decisão foi anunciada no mesmo dia em que o canal informou a entrada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre seus administradores. O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela ferramenta, comunicou aos participantes que o presidente poderia enviar mensagens e orientações diretamente ao grupo.
Na sequência, o canal publicou uma mensagem com a palavra “cheguei”, acompanhada de um emoji de lula, e um vídeo em que Lula convidou os integrantes para uma transmissão ao vivo com Janones, prevista para as 19h desta quinta-feira (22). Até o momento descrito nas informações divulgadas, a campanha presidencial não havia confirmado se a mensagem atribuída ao presidente foi enviada diretamente por ele.
Canal já foi alvo de decisões conflitantes no TSE
O “Exército do Lula” está no centro de uma disputa judicial desde que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu sua suspensão, alegando divulgação de informações falsas. Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a retirada do canal do ar, mas o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e determinou a reativação da ferramenta.
Nos dias seguintes, o presidente do TSE estabeleceu exigências relacionadas ao registro formal do canal na Justiça Eleitoral. Após a campanha de Lula informar o cumprimento da determinação, a ferramenta foi restabelecida integralmente em 14 de outubro.
Uma análise técnica anterior do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas no período de 2 a 11 de outubro. A nova determinação busca obter informações adicionais sobre a atuação do canal e as medidas adotadas pela plataforma para cumprir seu plano de conformidade com a Justiça Eleitoral.