Após fugir para os EUA, Flávio Bolsonaro divulga carta e se autodeclara “presidente eleito” do Brasil

*Às 17:41 do dia 28 de outubro, Flávio Bolsonaro postou na rede social X uma nova versão da carta, na qual se intitulava “líder do Brasil” invés de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O restante do conteúdo permanece igual.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se declarou “presidente eleito” do Brasil e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira dos Estados Unidos. A declaração foi feita em uma carta divulgada por aliados nesta quarta-feira (28), após sua chegada a Miami.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, escreveu o senador na abertura do documento.

Na carta, Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado das eleições de domingo (25) e alegou, sem apresentar provas, que houve fraude na votação. Ele também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu que a comunidade internacional não trate a situação política brasileira como normal.

O senador agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei. Segundo ele, a família está em segurança em território americano.

Saída do Brasil

Flávio Bolsonaro chegou a Miami nesta quarta-feira, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcar em um avião particular que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes do senador no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.

Na carta, o parlamentar afirmou que não pretendia deixar o país, mas alegou que a medida foi necessária diante do que classificou como perseguição política. Ele também negou ter fugido do Brasil e declarou que pretende continuar atuando politicamente do exterior.

“Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança”, escreveu.

O senador também criticou o STF e afirmou que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros nos próximos dias. Segundo ele, a oposição apresentará uma estratégia de mobilização por meios que classificou como pacíficos e legítimos.

Críticas ao processo eleitoral

No documento, Flávio Bolsonaro questionou a diferença entre as votações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro e no segundo turno e criticou a extensão do horário de votação. Ele alegou que a medida teria submetido eleitores a regras diferentes, mas não apresentou provas de fraude eleitoral.

O senador também acusou integrantes do Judiciário de perseguição política e afirmou que a Justiça brasileira estaria sendo usada para silenciar opositores. As declarações fazem parte das alegações apresentadas por ele na carta.

Ao final, Flávio Bolsonaro afirmou que continuará atuando como líder da oposição a partir dos Estados Unidos e prometeu divulgar novas orientações aos apoiadores.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”, escreveu.

Confira na íntegra: 

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Após carta, Flávio Bolsonaro encontra Eduardo Bolsonaro e Ramagem nos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se encontrou com o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e com o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Os dois publicaram fotos ao lado do parlamentar nas redes sociais, após sua saída do Brasil.

Eduardo Bolsonaro compartilhou uma imagem com o irmão no Instagram e comentou o reencontro. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil”, escreveu. Na publicação, também citou uma frase atribuída ao escritor Olavo de Carvalho: “Não parar, não precipitar, não retroceder”.

Ramagem, por sua vez, publicou no X uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro, que aparece segurando uma bandeira do Brasil. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro afirmou que o senador poderá continuar sua atuação política do exterior.

“Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre”, declarou.

Carta contesta resultado das eleições

Os encontros ocorreram um dia depois de Flávio Bolsonaro divulgar uma carta na qual afirmou que pretende liderar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos.

No documento, o senador questionou o resultado das eleições e alegou fraude sem apresentar provas. Na primeira versão, chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Após a repercussão, alterou a expressão para “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos ao pleito.

Lula foi reeleito no segundo turno, realizado no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

Fuga do Brasil

Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes. A saída ocorreu apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a apreensão do passaporte do senador e o proibiu de deixar o país.

A Polícia Federal havia solicitado a apreensão do documento após a divulgação do resultado eleitoral. O caso envolve a atuação das autoridades para impedir a saída do parlamentar do território nacional.

Na carta, Flávio Bolsonaro justificou a decisão de deixar o país alegando temer medidas judiciais e afirmou que pretende continuar sua atuação política no exterior. “Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu.

Valdemar critica carta de Flávio Bolsonaro que contesta resultado das eleições: “Não gostei”

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta publicada pelo senador Flávio Bolsonaro, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições. No texto, o parlamentar contesta o resultado das urnas e se apresenta como “líder do Brasil”.

“Não gostei. Não gostei”, declarou Valdemar à imprensa ao chegar à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde faria uma visita autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A carta foi divulgada na quarta-feira (28), depois de Flávio Bolsonaro desembarcar nos Estados Unidos com a família, apesar de uma decisão do STF que o proibia de deixar o país.

Após a repercussão da primeira publicação, o senador apagou o texto e divulgou uma nova versão. Ele substituiu as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”. No entanto, manteve as acusações de fraude e a afirmação de que as eleições teriam sido roubadas, sem apresentar provas.

A postura contrasta com a do próprio PL, que reconheceu o resultado eleitoral e solicitou esclarecimentos à Justiça. A vitória de Lula também foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A manifestação de Flávio Bolsonaro provocou reações de lideranças políticas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o senador deveria respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. União Brasil, PSD, PSDB e MDB também repudiaram o conteúdo da carta e defenderam o resultado eleitoral.

Valdemar avalia repercussão da carta

A visita a Jair Bolsonaro ocorre em meio à repercussão negativa da viagem de Flávio Bolsonaro e da divulgação do documento. Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, no g1, Valdemar pretende analisar o episódio com o ex-presidente.

O dirigente do PL teme que a crise enfraqueça o partido justamente após o avanço da legenda nas eleições. Nesse cenário, a senadora eleita Michelle Bolsonaro é apontada como possível liderança do bolsonarismo, embora a possibilidade enfrente resistência dos enteados do ex-presidente.

TSE e aliados de Flávio Bolsonaro defendem resultado das eleições após carta com acusações de fraude

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aliados de Flávio Bolsonaro (PL) defenderam o resultado das eleições após o senador divulgar uma carta em que alegou fraude no segundo turno, sem apresentar provas, e se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, ele apagou a publicação e divulgou uma nova versão, na qual se definiu como “líder” do país.

O TSE afirmou que os dados das urnas podem ser consultados e auditados publicamente. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, declarou que as eleições transcorreram dentro da normalidade e que o resultado foi apurado com segurança.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o respeito ao resultado das urnas. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que não é possível sustentar acusações de fraude sem provas.

O União Brasil, o Republicanos, o Podemos e o MDB também reconheceram o resultado eleitoral. Segundo dados oficiais do TSE, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.

Na carta, Flávio afirmou que está nos Estados Unidos com a família e que pretende liderar a oposição do exterior. Ele também questionou a prorrogação do horário de votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo dados do TSE citados pela CNN, 34.393 votos foram computados após as 17h, menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

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