Um dos maiores símbolos históricos do Recôncavo Baiano, a Ponte Dom Pedro II, que liga os municípios de Cachoeira e São Félix, enfrenta situação de abandono e manutenção nas estruturas de sustentação. Moradores das duas cidades criticam a forma como os serviços estão sendo realizados na estrutura, inaugurada em 1885, e cobram providências urgentes.
A principal denúncia é que a ponte está recebendo apenas pintura, enquanto problemas estruturais graves continuam sem solução. Segundo relatos de moradores, ferragens enferrujadas, com buracos e sinais visíveis de corrosão, não passaram por reparos antes da aplicação da nova camada de tinta.
As estruturas metálicas localizadas sobre os pilares — partes essenciais para a sustentação da ponte — estariam completamente corroídas. A preocupação cresce porque a ponte não é apenas um cartão-postal da região: ela é utilizada diariamente por carros, pedestres e pelo trem de carga responsável pelo escoamento de produtos importantes da economia regional.
Moradores relatam que a pintura estaria sendo usada apenas para “maquiar” os problemas estruturais. Nas redes sociais, imagens da ferrugem sob a tinta recém-aplicada circulam acompanhadas de críticas e questionamentos sobre a qualidade da intervenção.
Importância histórica e econômica
A Ponte Dom Pedro II é um dos maiores patrimônios históricos da Bahia. Com 365 metros de extensão, sua estrutura metálica de ferro e madeira atravessa o rio Paraguaçu e é reconhecida por compartilhar, no mesmo espaço, o tráfego ferroviário e rodoviário — característica rara e de grande relevância histórica.
Ao longo de mais de 140 anos, a ponte se consolidou como símbolo da integração entre Cachoeira e São Félix, cidades irmãs separadas apenas pelo rio. Além do valor arquitetônico, a estrutura tem papel estratégico na mobilidade urbana e na logística regional, especialmente com a passagem de trens de carga.


Risco e cobrança por transparência
Especialistas apontam que estruturas metálicas antigas exigem manutenção constante e criteriosa, incluindo tratamento anticorrosivo adequado, substituição de peças comprometidas e avaliação técnica periódica. Apenas a pintura, sem recuperação estrutural, não garante segurança.
Moradores cobram transparência dos órgãos responsáveis e pedem laudos técnicos que comprovem a segurança da ponte. Para a população, a preocupação não é apenas estética, mas principalmente estrutural.
“Não adianta pintar por cima da ferrugem. A ponte precisa de reforma de verdade”, afirma um morador de São Félix.
Enquanto a tinta nova chama atenção à distância, de perto a realidade preocupa. O medo é que o abandono comprometa não apenas um patrimônio histórico do Brasil, mas também a segurança de quem depende diariamente da Ponte Dom Pedro II para trabalhar, estudar e manter a economia do Recôncavo em movimento.