Adsumus: Troca de mensagens levanta suspeita sobre venda de sentenças no TJBA

Trocas de mensagem por WathsApp descobertas por investigadores da Operação Adsumus revelaram indícios de negociação envolvendo venda de sentenças favoráveis ao empresário Roberto Santana no âmbito do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ). As conversas estavam arquivadas em um smartphone recolhido durante cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos contra Santana em 2016. No primeiro diálogo, datado de 12 de junho do ano passado, o empresário é contactado por uma pessoa identificada apenas como Fabrício Tjba. “Bom dia!!! Estava em Buraquinho, te liguei e só deu caixa. Ia te encontrar pra te passar a situação. Vamos fazer o seguinte: passe lá no TJ amanhã com (sic) sem falta!!! Agora, não pode passar de amanhã”, diz Fabrício. “Diga que hora passo”, afirma Santana. Em 5 de julho, Fabrício envia uma nova mensagem: “O negócio já foi até para ser incluído em pauta, porém vão pedir para suspender até uma posição sua. Porém eles disseram que não tem (sic) como parcelar”. “Então combine com eles o pagamento após acórdão confirmando tal decisão e os outros dois pontos fico na confiança”, responde Santana.

Antes da segunda conversa entre Roberto Santana e a pessoa registrada como Fabrício Tjba, os investigadores da Adsumus descobriram outra mensagem suspeita enviada para o WathsApp do empresário em 20 de junho de 2016 por um dos seus advogados. Nela, abaixo do título “cronograma”, constam quatro tópicos. Em todos eles, aparece o número “25”, sucedido por referências típicas de andamentos processuais em segunda instância judicial : “qd sair a decisão monocrática no agravo suspender a liminar dada pelo juiz; qd sair o acórdão confirmando tal decisão; qd o acórdão transitar em julgado; qd o acórdão da apelação transitar em julgado”.

Gaeco – Os diálogos foram transcritos no pedido de prisão de Roberto Santana, apresentado à Justiça pelos promotores do Gaeco, grupo do Ministério Público da Bahia que atua no combate ao crime organizado. Contudo, o documento não traz detalhes específicos sobre o objetivo real das mensagens e nem se a suposta negociação foi levada a cabo pelos envolvidos. Dono da empresa Gautech, Santana está foragido desde anteontem, quando teve a preventiva decretada pelo juiz Sadraque Rios, da Comarca de Santo Amaro, sede da Operação Adsumus . Ele é acusado, junto ao ex-prefeito da cidade Ricardo Machado (PT), de comandar um esquema de corrupção que desviou ao menos R$ 24 milhões dos cofres públicos.

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