Cabaceiras do Paraguaçu celebra 50 anos do Parque Castro Alves

Para celebrar o aniversário de 50 anos do Parque Histórico Castro Alves (PHCA), na segunda-feira, 8, e os 174 anos de nascimento de Castro Alves, dia 14/3, a comunidade do município de Cabaceiras do Paraguaçu, por meio da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Dimus-Ipac), vai ganhar uma programação diversificada e transmitida pelas redes sociais – blog, Facebook e Instagram (@museusdabahia) – da Dimus-Ipac, já que, em função da pandemia da Covid-19, este ano a comemoração será totalmente virtual.

Na própria segunda-feira, 8, tem a abertura da exposição fotográfica 50 Anos do Parque Histórico Castro Alves, seguida, às 16h, de uma live especial com o ex-coordenador do parque, Helder Mello, e a coordenadora do PHCA, Diogenisa Oliva.

De 9 a 11, acontece uma série de vídeos em homenagem ao PHCA (depoimentos de pessoas que têm alguma conexão com o local, além de amantes de poesia e de Castro Alves). Dias 12 e 13, vídeos com participantes e amigos dos Festivais de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves. Dia 13, às 15h, apresentação da história Pitoco, o sariguezinho do PHCA, do projeto Sopa de Letras.

E, finalmente, no dia 14, homenagens pelos 174 anos de nascimento de Castro Alves. Tudo agora em março.

“Para uma instituição cultural como a nossa, completar 50 anos numa cidade do interior do Brasil por si só já é motivo de comemoração. O PHCA contribuiu muito para a formação de Cabaceiras do Paraguaçu. Ele ajudou na formação da cidade e de muitos cidadãos, através de trocas de aprendizagem, amizades, saberes e fazeres”, conta Diogenisa Oliva, coordenadora do PHCA.

Ainda segundo Oliva, essa comemoração é para mostrar um pouco dessas trocas, mensurar e especificar os trabalhos desenvolvidos nesse meio século.

“Resolvemos trabalhar a memória afetiva dos que construíram o sonho zeloso daqueles que conceberam o parque. Queremos que as novas gerações entendam a importância da nossa história e também possam compreender que são agentes nessa história”, acrescenta.

Políticas culturais

Diante da relevância social do espaço, Fátima Santos, diretora da Dimus, reconhece que o momento é de celebrar todo o trabalho que é feito em prol do patrimônio de Castro Alves e, sobretudo, o envolvimento e a inclusão da comunidade nas atividades culturais e socioeducativas do parque.

“O processo de inclusão de uma comunidade é algo muito positivo e necessário na construção de políticas culturais. Essas atividades visam estimular, por meio de ação e reflexão, o sentimento de pertencimento – e ainda instrumentalizam os moradores no desenvolvimento de habilidades nas mais diversas áreas do conhecimento”, observa Fátima.

“Nossa missão é promover o reconhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio natural e cultural brasileiro, bem como a divulgação da vida e obra do patrono, o poeta Castro Alves. É também oferecer recreação pública e servir para atividades de investigação científica, cultural, educacional e ambiental. Nosso trabalho está inteiramente voltado para a comunidade”, complementa Diogenisa.

Já para a atriz e admiradora do poeta, Gilvana Dias, muito mais do que um patrimônio criado para comunicar a vida e a obra do poeta baiano, o parque é também veículo de existência e subsistência.

“A história do seu patrono e a beleza do lugar alimentam meus sonhos e me traz inspiração. Sou apaixonada por Castro Alves e, consequentemente, pelo parque, lugar que me faz recordar bons acontecimentos, boas amizades e oportunidades”, pontua Gilvana.

História

Funcionando em um espaço com 52 mil metros quadrados, o Parque Histórico Castro Alves (PHCA) é um importante museu biográfico. Inaugurado em março de 1971, por ocasião do primeiro centenário da morte do poeta baiano, ele fica situado na Fazenda Cabaceiras, onde nasceu Castro Alves.

Além de acervo com objetos que pertenceram ao poeta e seus familiares, formado por fotografias, cartões-postais, manuscritos, livros, indumentárias, adornos pessoais, utensílios domésticos e artes visuais, o parque dispõe de anexo com sala multimídia, auditório, biblioteca, infocentro, reserva técnica, refeitório e administrativo.

O público pode ainda usufruir dos projetos socioeducativos: Conhecendo as Nascentes; Sarau no Parque: Música, Poesia e Arte nos Finais de Tarde; Brincando no Parque como no Tempo de Nossos Avôs; Oficina de Teatro; Baú de Memórias e Sopa de Letras.

Anualmente, o parque também promove o Festival de Declamação de Poemas de Antônio de Castro Alves.

Liberdade e respeito

Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras (Bahia) em 14 de março de 1847. Pertenceu à Terceira Geração da Poesia Romântica, caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos. Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D’África e O Navio Negreiro são algumas das principais obras desse trovador baiano.

Em 1862, ingressou na faculdade de direito, em Recife-PE, após ter feito o curso primário no Ginásio Baiano. Em 11 de novembro de 1868, caçando nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, o que resultou na amputação do pé, agravando a tuberculose e obrigando a sua volta à Bahia, onde morreu em 1871.

“Castro Alves foi um grande poeta baiano que morreu muito jovem, mas que deixou para a Bahia e o Brasil um importante legado na literatura brasileira através de poemas românticos e sociais e, sobretudo, os de cunho abolicionista que criticavam duramente a escravidão no Brasil”, avalia Fátima.

Diogenisa vai além e afirma que as ambições do poeta, por liberdade e respeito ao próximo, estão pulsantes em nossa sociedade até hoje.

“Isso faz de Castro Alves um ser contemporâneo, seus ideais são mais atuais do que nunca. E a forma que ele escolheu para lutar é simplesmente inspiradora. Ele usou a pena e o papel, não usou armas, usou a inteligência na luta pela liberdade do próximo”, conclui Oliva.

O Parque Histórico Castro Alves integra o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult).

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