Câmara de Vereadores de Cruz das Almas comemora 50 anos da Embrapa

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Nesta quarta-feira, 23 de agosto, às 9h, a Câmara de Vereadores de Cruz das Almas realizará sessão solene em comemoração aos 50 anos de criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa. O município do recôncavo baiano abriga, desde 1975, a única das 43 Unidades Descentralizadas da Embrapa no estado da Bahia. Proposta pelos vereadores Osvaldo da Paz, Pedro Melo, Pablo Rezende, Ricardo Pinheiro e Carlos Trindade, a homenagem é aberta ao público e pretende reunir empregados, colaboradores, parceiros, imprensa e autoridades locais.

“A Embrapa tem muito orgulho e muita satisfação de ser sediada em Cruz das Almas e no Recôncavo baiano, terra de tanta história e tanto significado pra o nosso estado da Bahia. A trajetória da Embrapa não começou há 50 anos em Cruz das Almas, começou bem antes disso, e temos até hoje um vínculo fantástico com a cidade, uma vez que a Empresa colabora também para a formação qualificada de recursos humanos, ofertando oportunidades de estágios e bolsas de estudo para jovens aprendizes, estudantes de nível médio e superior e de pós-graduação”, afirma o chefe-geral Francisco Ferraz Laranjeira Barbosa, que vai ser o orador oficial da sessão.

Solenidade

Durante a solenidade, diversas tecnologias desenvolvidas pela Unidade de pesquisa vão ser divulgadas, como as bananas BRS Terra-Anã e BRS Princesa, rotas sentinelas para detecção precoce das bactérias causadoras do huanglongbing (HLB), sistema de produção de mandioca para o semiárido, System Approach para mamão, mandiocas para mesa e indústria, abacaxi BRS Imperial, sistemas orgânicos de produção, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura dos citros, lima-ácida Tahiti CNPMF 01 e Rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária (Reniva).

Haverá degustação de abacaxi e banana desidratados, banana e aipim chips e geleias de abacaxi, acerola e maracujá — tecnologias desenvolvidas e produzidas no Laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos.

Histórico

A Embrapa Mandioca e Fruticultura surgiu a partir do Instituto Agronômico do Leste (IAL), construído na década de 1950, depois denominado Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Leste (Ipeal), cuja missão era desenvolver tecnologias para a agricultura regional. Destacava-se, na época, o trabalho com citros.

A Unidade foi instituída oficialmente em 13 de junho de 1975 com o objetivo de executar e coordenar pesquisas para o aumento de produção e produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos, a redução dos custos de produção e a viabilização do aproveitamento de áreas subutilizadas para mandioca e fruteiras tropicais. O projeto de implantação foi elaborado com participação de especialistas de diferentes estados e instituições e aprovado pela Diretoria-Executiva da Embrapa em 19 de fevereiro de 1976, quando os trabalhos se iniciaram, efetivamente, focados em culturas (atualmente abacaxi, banana, citros, mamão, maracujá e mandioca) e com abrangência nacional.

A Empresa ocupa uma área de 260 hectares e dispõe de 16 laboratórios, casas de vegetação, estufas, telados, centro de treinamento, biblioteca e campos experimentais com nove coleções de espécies e variedades de mandioca e fruteiras.

Contribuições

A colaboração da Embrapa Mandioca e Fruticultura tem sido importante na criação e manutenção de dezenas de polos de produção no estado da Bahia, a exemplo de banana na região de Bom Jesus da Lapa, plátano (banana-da-terra) no baixo-sul, mamão no extremo-sul, abacaxi em Itaberaba e mandioca no recôncavo-sul e centro-sul. Além disso, a instituição se dedica a identificar municípios que têm potencial para a diversificação de culturas, como é o caso da citricultura nas regiões oeste, extremo-sul e Chapada Diamantina.

No início da década de 1990, com diversas instituições parceiras liderou os trabalhos de adaptação de tratamento hidrotérmico utilizado em outros países às condições nacionais e ao combate à mosca-das-frutas, o que permite, até hoje, a exportação de frutas frescas de excelente qualidade para diversos países.

Praticamente toda a citricultura do Nordeste e do Norte do Brasil é alicerçada nas variedades copa selecionadas e recomendadas por esta Unidade, trabalho iniciado ainda no período do Ipeal. Pré-imunizada naturalmente com estirpe fraca do vírus da tristeza dos citros, que funciona como uma vacina para a doença, a Pera D6 se tornou, desde 1972, a única fonte de material propagativo de laranjeira doce das duas regiões. Atualmente, a Embrapa Mandioca e Fruticultura assume papel de liderança na coordenação de projetos relacionados ao huanglongbing, a mais severa doença da citricultura, um dos agronegócios mais importantes do País.

A Unidade baiana também coordena, desde 1976, o programa de melhoramento genético de bananeira da Embrapa responsável pelo desenvolvimento de diversas variedades, inclusive a Prata-Anã e a Pacovan, as mais cultivadas no Brasil (cerca de 60% da produção), e o programa de melhoramento genético de mandioca, tendo lançado dezenas de variedades para mesa e indústria com alto rendimento de amido, adaptadas a diferentes condições ambientais e com resistência a doenças e pragas.

Perspectivas

Nos últimos anos, a Unidade investiu na agricultura digital, criando, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), aplicativos gratuitos para produtores e técnicos, como o Guia de Identificação e Controle de Pragas do Maracujazeiro (AgroPragas Maracujá) e o Sistema Integrado de Monitoramento de Pragas (SimpMamão). Também ingressou no ensino a distância, oferecendo cursos gratuitos por meio da plataforma e-Campo, vitrine coorporativa de capacitações on-line. A partir da pandemia da covid-19, a Embrapa Mandioca e Fruticultura reinventou-se e ampliou sua presença nas redes sociais ao promover webinars pelo YouTube e Facebook e ingressar no mundo dos podcasts, no LinkedIn e no Instagram, fortalecendo o relacionamento com a sociedade.

A Unidade integra um conjunto de instituições que coordenam pesquisas que buscam o controle da murcha de Fusarium, anteriormente conhecida por mal-do-Panamá, doença de solo endêmica em todas as regiões bananicultoras do mundo e, historicamente, uma das doenças mais destrutivas da cultura. A Embrapa Mandioca e Fruticultura também lidera ações de prevenção e mitigação de riscos à entrada da raça 4 de Fusarium, ainda não presente no País.

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