Festa da Boa Morte atrai turistas de várias partes do país para Cachoeira

Até sexta-feira (17), as ruas de Cachoeira estarão tomadas tomadas por turistas e devotos que acompanham, desde segunda (13), a programação da Festa da Boa Morte. Celebrada há 238 anos, a Irmandade da Boa Morte é uma das primeiras entidades do país formadas exclusivamente por mulheres. Desde 2010, o evento é considerado patrimônio imaterial da Bahia. Nesta quarta-feira (15), as 22 mulheres que fazem parte da Irmandade deixaram a sede da entidade em cortejo até a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. No templo religioso foi realizada uma missa de assunção de Nossa Senhora, presidida pelo bispo Dom Antônio Moutinho Teixeira.

Em seguida, integrantes da irmandade, membros da Igreja Católica, turistas e moradores acompanharam a procissão em homenagem a Nossa Senhora da Glória. A imagem de Nossa Senhora percorreu as principiais ruas do município. A Festa da Boa Morte já figura entres os principais eventos do turismo religioso na Bahia, gerando emprego e renda, a partir da união da cultura, religiosidade e gastronomia. O secretário estadual de Turismo, José Alves, destacou que “a festa atrai pessoas de diversos lugares, que vão até Cachoeira para conhecer mais sobre a tradição e o sincretismo religioso”.

Uma das mais antigas integrantes da Irmandade, Dalva Freitas, 91 anos, fala da devoção, herdada de sua avó. “É com muito amor, muito respeito que devoto minha fé a Nossa Senhora e já acompanho desde criança. Eu vim acompanhando minha avó e, na irmandade, já exerci as funções de tesoureira, provedora, escrivã e continuo aqui firme para a próxima função que vier. Esta fé só se acaba quando Deus me chamar para perto dele”, declarou.

A Irmandade da Boa Morte é uma das maiores manifestações culturais do Recôncavo Baiano, passada de mãe para filha por 22 mulheres negras. Até pouco tempo, para fazer parte da Irmandade, as irmãs precisavam ter mais de 50 anos e serem descendentes de africanos. O culto à Nossa Senhora foi difundida pelo mundo ocidental, desde o século IX, através da expansão católica. As festividades têm forte tradição portuguesa, mas sofreu influência do catolicismo afro-brasileiro. De acordo com os historiadores, a Festa da Boa Morte representa a força de mulheres negras que conquistaram espaço na sociedade e decidiram se unir para comprar a liberdade dos homens e mulheres que ainda estavam submetido ao modelo escravagista. Com força, perseverança e fé, elas criaram a Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte, confraria religiosa afro-católica responsável pela alforria de inúmeros escravos.

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