Filmes do Recôncavo Baiano ganham destaque em plataforma de streaming

A chegada da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em meados dos anos 2000, abriu novas possibilidades de criação artística fora dos grandes centros. Foi nesse contexto que nasceu a Rosza Filmes, produtora fundada por Glenda Nicácio e Ary Rosa, cuja trajetória passa agora a ganhar uma nova janela de exibição. Os seis longas-metragens dirigidos pela dupla acabam de chegar à plataforma Embaúba Play, ampliando o acesso a uma das trajetórias mais consistentes do cinema brasileiro contemporâneo.

Com parte do catálogo disponível gratuitamente, a plataforma passa a reunir Café com Canela (2017), Ilha (2018), Até o Fim (2020), Voltei! (2020), Na Rédea Curta (2022) e Mungunzá (2024), permitindo ao público acompanhar, em conjunto, o percurso da dupla.

Mais do que disponibilizar títulos isolados, a chegada dos filmes consolida uma filmografia construída ao longo de mais de uma década no Recôncavo baiano. “A gente sempre quis ter uma filmografia”, diz Glenda. “Desde as primeiras escolhas de produção tomadas em Café com Canela, já sabíamos que não estávamos fazendo um plano de filmagem de um filme, mas de uma existência, pensando arranjos que traçariam e atravessariam todas as outras produções por vir”, reforça.

Para a diretora, a presença na plataforma também marca um momento de balanço. “Muita coisa já foi vivida, muitas apostas nesse cinema. Cada filme foi uma possibilidade de descoberta do fazer, de nós mesmos. Então é motivo de celebração também”.

Ao mesmo tempo, destaca o papel da circulação: “Ser visto sempre é uma das partes mais delicadas do processo, e estar numa plataforma acessível materializa a existência desses tantos personagens e dessas tantas histórias”.

Longe dos grandes centros e de modelos consolidados de mercado, o grupo construiu sua linguagem a partir da convivência, da troca e do território. “Existia uma forma muito criativa de pensar o cinema naquele momento. Uma vontade de experimentar os limites, desde que fosse junto”, lembra. Nesse contexto, fazer cinema implicava também traduzir experiências compartilhadas: “Fazer cinema era a tentativa de colocar na tela todos os textos que foram lidos, as piadas internas dos cineclubes, a elucubração da cerveja tomada no mesmo copo”.
Forma e território
Se há um eixo que atravessa essa produção, ele passa diretamente pelo Recôncavo. Ary Rosa identifica na região o elemento que unifica sua obra: “sua geografia, sua história e, acima de tudo, o seu povo”. Mais do que cenário, trata-se de um princípio que organiza a linguagem..

“É a fala, o jeito de andar e o movimento muito particular das pessoas daqui que ditam o ritmo do que colocamos na tela”, explica o diretor.

Atarde / Maiquele Romero
Foto: Divulgação

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