Imagens usadas em oferendas são achadas em rio perto de convento em Cachoeira

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Imagens de santos e orixás foram encontradas, aparentemente abandonadas, nas margens do rio Paraguaçu, em Cachoeira, na área próxima às ruínas do antigo convento de Santo Antônio situado no povoado de São Francisco do Paraguaçu. Mas, o que parecia um mistério ou descaso, na verdade trata-se de objetos de culto que se separaram de seus balaios de oferenda.

De acordo com imagens enviadas por um leitor do CORREIO, é possível identificar pelo menos, quatro imagens e um livreto com figuras de santos nas margens do rio nas imediações da foz – ligação do Paraguaçu com a baía de Todos-os-Santos, onde ficam as ruínas do convento. Uma das representações aparenta medir quase um metro de comprimento.

O padre Adeilson dos Santos Pugas, que administra a Igreja do antigo convento do Paraguaçu, informou que as imagens dos santos encontradas na beira do rio não fazem parte do acervo da Igreja. Segundo o religioso, as imagens seriam utilizadas em rituais por fiéis do candomblé. Em vídeo enviado por um funcionário da Diocese de Cruz das Almas – que é responsável pela administração do convento -, outras cinco imagens e um balaio são identificados nas margens do rio e em pedras que circundam o manancial.

Ainda de acordo com o religioso católico, a igreja e as ruínas do convento estão abertas para visitação. No local, há um funcionário que atende aos turistas e responde diretamente à Diocese de Cruz das Almas por meio da Paróquia de São Tiago do Iguape.

Este funcionário é Meeno Garcia, segurança da Diocese de Cruz das Almas e responsável pela vigilância das ruínas do convento; além de guia turístico no local. Ele tem conhecimento de que os objetos no rio são uma oferenda, mas desconhece os autores do presente.
A localização do antigo noviciado do Paraguaçu, às margens do rio e em local de vegetação, também é considerado local sagrado para fiéis das religiões de matriz africana. O recôncavo baiano têm muitos terreiros de diversas nações do povo de santo.

Abandono não é prática do candomblé

Robson Duagogô, integrante do candomblé que vive em Cachoeira – ele faz parte do terreiro Ilê Axé Ibece Alaketu – explica que os santos fazem parte de uma oferenda chamada ‘carrego’. É através dela que o povo de axé limpa as energias que se deseja deixar para trás.

Correio

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