Em um movimento estratégico que uniu apelo popular e simbolismo religioso, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) escolheu a Arena Fonte Nova lotada para anunciar a continuidade de sua parceria com Geraldo Júnior (MDB). Durante o evento conduzido pelo Bispo Guaracy Santos, Jerônimo destacou que a decisão visa consolidar a unidade do grupo para percorrer os 27 territórios de identidade da Bahia.
“Aproveito a oportunidade para reafirmar aqui a chapa completa, com a continuidade do Geraldo Júnior como vice-governador. Só quero agradecer essa parceria, essa confiança que depositamos nele”, declarou o governador.
Ampliação de bancada
A fala de Jerônimo ocorreu em um dia de celebração pessoal, no qual completa mais um ano de vida, reforçando sua imagem de gestor dedicado ao trabalho mesmo em feriados e datas festivas. O governador enfatizou a necessidade de ampliar as bancadas estadual e federal, sinalizando que a manutenção de Geraldinho é uma peça-chave para atrair o apoio do MDB e de setores do centro para o projeto de reeleição, mantendo a estrutura política que conta com o respaldo dos ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa.
Geraldinho recebeu a confirmação com entusiasmo e fez questão de citar os caciques de seu partido, Lúcio e Geddel Vieira Lima, além do presidente estadual Jayme Vieira Lima.
“Política se faz com maturidade, política se faz com lealdade. Eu e o meu partido nunca duvidamos do compromisso do governador Jerônimo Rodrigues. Vamos continuar trabalhando para os baianos”, afirmou o vice-governador, que classificou Jerônimo como o “melhor governador que a Bahia já teve.
Bastidores do anúncio
A oficialização da chapa coloca um ponto final em um dos episódios de maior tensão interna do governo Jerônimo. Nos últimos meses, Geraldo Júnior enfrentou um intenso processo de isolamento político, defendido principalmente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.
O embate entre os dois tornou-se público após Rui considerar uma “deslealdade” mensagens atribuídas ao vice-governador que circulavam em aplicativos de conversa. A crise se agravou na última quinta-feira (2), quando Geraldinho ausentou-se da agenda do presidente Lula em Salvador.
Para chegar ao anúncio deste sábado, Jerônimo Rodrigues precisou gerenciar um cenário de escassez de alternativas. Nomes de peso da base governista, como a presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos (PSD), recusaram convites formais para assumir o posto de vice, preferindo manter seus projetos legislativos.
A resistência de Ivana e de outros aliados do PSD forçou o governador a reavaliar o custo político de romper com o MDB, partido que possui tempo de TV e capilaridade no interior.
A permanência de Geraldinho na chapa é vista como uma vitória política do senador Jaques Wagner, que atuou como bombeiro na crise e defendeu a manutenção dos acordos firmados em 2022. Wagner argumentou que a troca do vice, somada ao desempenho eleitoral de Geraldo Júnior na disputa pela prefeitura de Salvador em 2024 (onde ficou em terceiro lugar), poderia passar uma imagem de instabilidade para o grupo governista às vésperas de uma eleição decisiva.