Manutenção precária da malha de trem é uma ameaça ao povo de Cachoeira

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Todos os dias – e as noites também – os trens de carga da Ferrovia Centro Atlântica, que tem a empresa VLI Multimodal S.A. como controladora da Ferrovia, movimentam-se pelas cidades de Cachoeira e São Felix transportando enorme quantidade de carga: calcário, produtos siderúrgicos, cimento, grãos e derivados de petróleo. Dezenas de vagões com uma capacidade de carga enorme são puxados pelas locomotivas a diesel que atravessam o bairro popular do Virador, em Cachoeira, passam bem próximo a um posto de combustível em frente à estação, até alcançar a ponte Dom Pedro II e, finalmente, cortar o centro urbano de São Felix, do outro lado da margem do Rio Paraguaçu. O lagarto de aço barulhento, ruidoso e fumacento se desloca lentamente pelo centro cortando praças, a rua principal , o mercado municipal até ganhar 500 metros à frente maior velocidade quando principia seu deslocamento para a zona rural.

Propriedade da VLI ( Valor da Logística Integrada ), com sede em Belo Horizonte, a Ferrovia Centro Atlântica, tem por trás sócios poderosos: a Vale, Mitsui, Broockfield e o FI-FGTS. Movimenta quase 40 milhões de toneladas de carga e tem faturamento da ordem de R$2,68 bilhões. Junto Ferrovia Norte Sul possui uma malha de 7900 km de extensão por onde correm 270 locomotivas e mais de 8 mil vagões.

Não bastasse o perigo que representa o movimento diário de centenas de vagões por Cachoeira e São Felix, passando algumas

vezes muito próximo a centenas de residências, a empresa não tem cumprido as exigências de segurança no que se refere à manutenção da linha. No bairro do Virador, de grande concentração popular e por onde circulam milhares de pessoas todos os dias, os trilhos estão fixados inadequadamente nos dormentes, sem o necessário número de parafusos por peça, conforme pode se ver nas fotos. Moradores ouvidos garantem que isso se verifica em toda a extensão do bairro, aumentando, seriamente, o risco de descarrilamento dos vagões e pondo em perigo a vida da população.

– “O pior, diz um antigo morador diz Virador, é que muitos dos vagões passam por aqui carregados de combustível. Já pensou, uma explosão de uma carga dessas que tragédia pode trazer para todos nós?”

A passagem de trens de carga por áreas urbanas é motivo de grande preocupação de todos e em Cachoeira e São Felix, e passou a ser um tormento agora com essa ameaça decorrente da falta de manutenção adequada da linha por parte da Ferrovia Centro-Atlântica.

– “Até aqui, o que eles vem fazendo é a coleta de nomes de pessoas que têm imóveis próximo à linha para pedirem na Justiça a derrubada das casas. Eles é que deviam providenciar outro roteiro para essa linha de trem que só beneficia a empresa, porque nem gente transporta, só carga para ganhar dinheiro”, diz uma senhora inconformada com a ameaça da perda de sua modesta casinha.

Comunidade tradicional e carente cuja maior parte dos moradores luta diariamente pela sobrevivência, o Virador convive com essa

Dupla ameaça: de explosão e expulsão, cujo protagonista é uma empresa milionária que infringe a lógica do bem comum valendo-se do uso de recursos legais para favorecimento próprio.

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