Música baiana em alta: Conheça os artistas que deram o que falar em 2017

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Basta chegar dezembro para surgirem listas do que marcou o ano e o do que promete marcar o ano seguinte. De memes a filmes, tudo rende retrospectiva ou aposta. Mas, se o assunto é música, feita na Bahia, a coisa fica ainda mais interessante.
Você seria capaz de listar pelo menos dez bandas ou artistas baianos que deram o que falar em 2017? Pode pensar um pouco antes de continuar a ler esta reportagem…

Muito provavelmente, não ficará de fora da sua lista a BaianaSystem, mas, convenhamos, a banda já está fazendo sucesso há mais tempo – tanto assim, que arrastou multidões em suas apresentações durante o Carnaval de Salvador e nos festivais Brasil afora. E aí? Quem mais?

Talvez apareça nomes como Baco Exu do Blues, Àttooxxá, Xenia França, Luedji Luna, JosyAra, Giovani Cidreira, Afrocidade, IFÁ, OQuadro, Maglore, Livia Nery.

Diferente da BaianaSystem, nenhum deles (ainda) é capaz de arrastar multidões, mas sempre se apresentam diante de plateias cheias em casas de pequeno e médio porte da cidade.

Amplificando
Outra coisa em comum é que, sejam bandas ou artistas solo, todos eles deram o que falar em 2017 e prometem continuar fazendo barulho ano que vem.

Afinal, o som autoral dessa nova safra de artistas independentes tem ultrapassado as fronteiras do estado e chegado em outros cantos do país – especialmente no eixo Rio-São Paulo, onde muitos deles decidiram fixar residência.

Morando entre Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, Larissa Luz acredita no “trânsito como uma ampliação de possibilidades”.”Tem meses que passo dez dias em em cada cidade. A gente trabalha para fazer conexões. Só que a minha raiz musical e artística eu vou buscar sempre em Salvador, onde faço a manutenção do sotaque”, brinca, ao ressaltar que, em relação há anos atrás, hoje é muito mais possível fazer as coisas acontecerem a partir daqui.

Essa foi a aposta do rapper Baco Exu do Blues, que gravou o seu celebrado disco de estreia, Esú, na cidade. “Ainda moro em Salvador. Fiz meu disco todo aqui para provar que dava para fazer, mas o que me salva é que o tipo de música que eu faço a gente pode fazer em home studio”, enfatiza.

“Minha rota de criação sempre vai ser a Bahia, eu não tenho como morar em outro lugar porque é de lá que eu componho, que eu faço minha música e ordeno meus pensamentos”, diz Baco.

Por conta do trabalho, Baco concorreu em três categorias ao prestigiado prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, a APCA: Revelação e Música, além de figurar nos 50 melhores álbuns lançados em 2017.

“Você precisa tentar, porque senão acontece o que aconteceu com os retirantes. Enquanto  todo mundo estiver falando que só tem trabalho em São Paulo, todo mundo continuará indo para lá”, compara o rapper.

Para o jornalista, produtor e crítico musical Luciano Matos,  não tem uma regra para isso. “Não é imperativo, nem proibitivo [sair da cidade]. Cada artista tem um caminho e dimensão da sua necessidade, de até onde quer chegar. BaianaSystem prova isso: continuam morando aqui e circulando bem por todo o país”, comenta.

Reconhecimento
A recompensa tem vindo na mesma esteira. No início do mês, Larissa Luz e Giovani Cidreira venceram, juntos, a categoria Novo Talento do Prêmio SIM (Semana Internacional de Música), em São Paulo.

Eles disputaram o prêmio com outros oito artistas/bandas em começo de carreira – dentre eles o também baiano Baco Exu do Blues – que chamaram atenção durante o ano pelo trabalho musical, perfomance, posicionamento ou contribuição artística.

 

Mistura
E o que é que essa turma toca?! Os sons mais diversos possíveis. De rap, ao pagode, passando pela MPB misturada com música eletrônica, vale tudo.

“Acho que a gente está nessa hora de colocar a cabeça de fora e todo mundo enxergar que a gente tem uma cena muito rica, muito fértil e muito diversa. Temos bandas de rock, rap, MPB, instrumental. Também tem as misturas muito diversas e naturais, como é o caso da BaianaSystem, do Attooxxa, da Rumpillezz. A Bahia respira um pouco isso” – Alex Pinto, produtor que já trabalhou com as três bandas citadas.

A reinvenção da música baiana nesses menos de dez anos lembra, no que diz respeito à mistura sonora e à profusão de artistas, a explosão do manguebeat, na Pernambuco dos anos 90, e mesmo do tecnobrega, no Pará, em meados dos nos 2000.

Para o jornalista Luciano Matos, a BaianaSystem é uma espécie de ponta de lança de um cenário musical inovador e contemporâneo que vem sendo engendrado na Bahia. “O que me incomoda um pouco é essa crença que é em São Paulo e no Rio que se produz música e, de vez em quando, algum lugar chama atenção, sendo que agora era a vez da Bahia. A Bahia é muito mais que uma moda. Temos pelo  menos dez novos fortes e bem diferentes hoje, com destaque para as compositoras”, diz Luciano.

Impulso
Três delas vão ganhar um empurrãozinho em 2018. Vencedoras do edital Natural Musical Bahia, JosyAra, Luedji Luna e Larissa Luz terão a gravação dos seus discos e a realização dos shows de lançamentos financiados pela empresa, que desde 2012 já patrocinou 30 projetos com o apoio do FazCultura no estado – até 2016, foram investidos cerca de R$ 5 milhões. Além das três artistas, o edital vai patrocinar a quarta ediçaõ do Festival Radioca, em Salvador.

Para Fernanda Paiva, gerente de marketing institucional da Natura, a Bahia “sempre teve o papel de influenciar e de ser vanguarda musical do Brasil”. “A música, mais do que ser uma sonoridade, é uma resposta e um retrato da identidade do tempo que a gente vive. As três selecionadas revelam um experimentalismo musical e são mulheres que têm afirmação forte no discurso e na representatividade. Estamos revelando não só excelentes artistas, mas pessoas que estão conectadas com essa representação da identidade contemporânea do Brasil e da Bahia”, comemora.

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