Número de queimaduras com fogos de artifício cresceu 270% no último ano

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Fogos de artifício são tradição em festejos juninos de Salvador e interior. Mas também são os principais responsáveis pelo aumento das vítimas de queimaduras nessa época do ano. No ano passado, mesmo sem que os festejos tivessem ocorrido, 26 pessoas foram atendidas com queimaduras por acidentes com fogos entre 23 e 30 de junho no Hospital Geral do Estado (HGE).

O aumento é 270% maior do que no mesmo período de 2020, quando 7 pessoas tiveram queimaduras pelo mesmo motivo. Os dados foram fornecidos pelo médico Carlos Briglia, atual coordenador de cirurgia plástica do Mater Dei Salvador e que chefiou justamente a unidade de queimados do HGE por 26 anos.

A estatística de 2022 ainda não está fechada, mas de 1º de junho até a última quarta-feira (22), o HGE já registrou 27 acidentes causados por explosão de bombas e queimaduras com fogueiras. No Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (HRSAJ) foram 13, segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Em cenário de aglomeração, a entidade alerta para o acréscimo nos números de acidentes quando comparados os dois anos com festejos – 2018 e 2019 – e os dois com a pandemia – 2020 e 2021. No HGE foram registrados 90 casos de acidentes em 2018; 85 em 2019; 31 em 2020 e 45 em 2021. Já no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus (HRSAJ) foram 14 casos em 2018; 18 em 2019; 11 em 2020 e 10 em 2021.

Para Carlos Briglia, a diminuição de casos será possível quando os fogos forem soltos de forma mais atenciosa. “Se vai festejar, procure fazer de forma mais consciente. Tem um local, forma adequada. Mas as pessoas normalmente depois de dois licores já esqueceram que têm que ter cuidado. Tendo a pior mistura, que é beber soltando fogos. Fatalmente [o acidente] vai acontecer”, disse ele.
Briglia ainda aponta para a atenção com as crianças, cujos cuidados perto de fogos de artifício devem ser redobrados. Sem consciência dos perigos, o público infantil tende a ter curiosidade por elementos luminosos como o fogo. Ao redor de fogueiras ou com bombas na mão, crianças e até animais que rodeiam o espaço precisam de constante monitoramento.

Quando tinha 10 anos, a atendente de pizzaria Milena Silva, agora com 21, sofreu queimadura por negligência de familiares. “Meu tio tinha trazido fogos e deixou na minha mão e dos meus primos. A gente estava em cima de uma laje e meu tio me deu e falou ‘acende aí’. Não instruiu. [A chama] queimou parte da minha mão, ficou completamente roxa e com cicatriz nos meus dedos. Para piorar, era daqueles [fogos] caseiros”, conta, lembrando que não tinha “noção do perigo” à época.

Correio

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