Parlamentares atuaram em disputa de terra pivô para escândalo no Judiciário

Mesmo antes de uma disputa de terras no oeste da Bahia se transformar na principal operação sobre suspeita de venda de decisões judiciais do Brasil, os conflitos locais já haviam chamado a atenção de políticos de diversos estados, que intervieram em favor de um lado ou de outro da briga.

O hoje senador Angelo Coronel (PSD) foi um deles.

Em 2017, então presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, ele intermediou um acordo firmado entre agricultores e um dos principais alvos da operação, José Valter Dias, que ficou conhecido como o borracheiro que virou dono de uma área que tem cinco vezes o tamanho de Salvador.

Por meio desse acordo, Dias poderia receber cifras próximas a R$ 600 milhões.

Com a primeira fase deflagrada há menos de um ano e meio, a Operação Faroeste teve origem em uma disputa de terras na divisa da Bahia com o Piauí e o Tocantins e se expandiu com a ajuda de delações premiadas.

Até agora, oito desembargadores já foram afastados do Tribunal de Justiça da Bahia por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de outros três juízes. Três desembargadoras estão presas preventivamente, e uma quarta está em prisão domiciliar. A operação também tem avançado sobre advogados acusados de operar para interessados em comprar decisões.

Intermediado por Angelo Coronel, o acordo entre os produtores e José Valter Dias foi feito a toque de caixa, após o Tribunal de Justiça da Bahia criar um centro de conflitos para resolver questões locais, e assinado por um juiz alvo da Operação Faroeste.

Procurado, o senador afirma que buscou mediar um acordo entre as partes após ter sido procurado por representantes da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia e da Associação dos Produtores Rurais da Chapada das Mangabeiras, ambas com atuação no oeste da Bahia.

“Se o valor acertado no acordo foi alto ou baixo eu não sei. Só sei que houve acordo entre as partes. Apenas fiz colocar os representantes frente a frente para dialogarem e se acertarem. Fato que aconteceu”, diz o senador.

Ele diz não se arrepender por ter atuado na mediação de um conflito cujas partes depois se tornaram alvo de investigações da Justiça Federal.

“Não me arrependo de forma alguma. Como presidente da Assembleia Legislativa fui instado a ajudar”, diz Coronel, lembrando que o acordo acabou sendo formalizado tempos depois.

Informações da Folha de SP

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