A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nas primeiras horas desta quarta-feira (1º), a Operação Tambuatá. A ação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, incluindo diligências na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) contra o deputado estadual Marcinho Oliveira (PRD). A operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos em Serrinha, na região sisaleira da Bahia.
O ex-prefeito de Serrinha, Adriano Lima (PP), também foi alvo da operação. Além da capital baiana e Serrinha, os mandados de busca e apreensão também foram cumpridos nas cidades de Santaluz, Araci, Feira de Santana. Eles foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Marcinho Oliveira é alvo de buscas na capital
O desdobramento mais impactante da operação em Salvador foi o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Marcinho Oliveira. Equipes da Polícia Federal realizaram buscas no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). A ação também ocorreu na residência do parlamentar, no condomínio de luxo Le Parc, na Avenida Paralela.
A presença da PF na AL-BA causou forte repercussão nos bastidores políticos nesta manhã. A investigação busca esclarecer o nível de envolvimento do deputado com o esquema de Serrinha, cidade onde ele possui forte base eleitoral e influência política.
Marcinho Oliveira, que é uma liderança ascendente no PRD baiano, agora terá que prestar esclarecimentos sobre as relações mantidas com a gestão municipal investigada e com as empresas de locação de veículos citadas no inquérito. Além dos crimes de fraude à licitação, os alvos da Operação Tambuatá podem responder por organização criminosa e lavagem de capitais.
Como funcionavam as fraudes
O foco central da investigação é o contrato de locação de veículos da prefeitura de Serrinha, executado entre os anos de 2017 e 2024. Segundo as diligências da PF, o então gestor municipal, em conluio com servidores públicos e empresários, teria manipulado processos licitatórios para beneficiar uma empresa específica e outras companhias cooptadas pelo esquema.
A fraude não se limitava à escolha da vencedora; os investigadores apontam que houve superfaturamento e, em muitos casos, a ausência total da execução dos serviços contratados, gerando um prejuízo milionário aos cofres públicos. O modus operandi da organização envolvia uma rede de lavagem de capitais. Após o recebimento dos valores superfaturados, o proprietário da empresa vencedora realizava transferências bancárias e pagamentos em espécie diretamente aos servidores e gestores envolvidos na fraude.
Todo o material eletrônico e documental apreendido nesta quarta-feira passará por perícia técnica para consolidar as provas de corrupção e identificar o rastro do dinheiro desviado ao longo dos últimos sete anos.
7 anos de irregularidades
As investigações da PF e da CGU traçam um panorama de corrupção sistêmica na administração de Serrinha que perdurou por quase uma década. O esquema era alimentado pela conivência de servidores públicos que facilitavam a entrada de empresas parceiras nos editais de locação de frota. Uma vez assinado o contrato, o serviço era faturado, mas os veículos muitas vezes sequer chegavam ao município ou não prestavam o serviço declarado.
As autoridades destacam que o pagamento em espécie era uma estratégia comum para evitar o rastreamento bancário, dificultando a fiscalização inicial dos órgãos de controle. Entretanto, o cruzamento de dados entre a PF e a CGU permitiu identificar a discrepância entre o que era pago pela prefeitura e o que efetivamente era entregue à população.
Até o momento, o deputado Marcinho Oliveira e a prefeitura de Serrinha não emitiram notas oficiais sobre a operação. A AL-BA também aguarda a conclusão das diligências para se manifestar sobre as buscas realizadas em suas dependências.