Preso líder da Katiara que criou ‘tribunal do crime’ em Salvador

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Yuri Carlson Santana Santos, conhecido como ET ou Cabeça de Repolho, tem apenas 22 anos e é investigado por envolvimento em mais de 20 assassinatos. Todos os homicídios foram praticados nos moldes de uma espécie de ‘tribunal do crime’ imposto pela facção criminosa Katiara no bairro de Valéria.

Segundo a polícia, nem todas as vítimas tinham envolvimento com o tráfico de drogas, a exemplo de dois policiais militares aposentados. Além de espancadas e feridas com armas branca e de fogo, as vítimas eram agredidas por um cachorro de grande porte, que era incitado a mordê-las pelos integrantes do ‘tribunal’.

Yuri, que também é apontado pela polícia como um dos líderes da Katiara naquela região, foi apresentado à imprensa na manhã  desta quarta-feira, 20, no Departamento de Homicídios (DHPP), mas preferiu não falar com os jornalistas. Vez ou outra, olhou os profissionais de forma ameaçadora.

Ele foi preso na última segunda, 18, em um hospital particular em Feira de Santana, onde buscou atendimento após ser baleado em uma troca de tiros com policiais da 31ª CIPM (Valéria).

“É um verdadeiro tribunal do crime o que eles criaram naquela região. Apreciam, julgam, condenam e executam inocentes só por suspeita de que a vítima contribuía com policiais”, afirmou o delegado Jamal Amad, coordenador da 3ª Delegacia de Homicídios (DH-Baía de Todos-os-Santos), do DHPP.

“Várias testemunhas falaram desse cachorro usado nos assassinatos”, afirmou a delegada Patrícia Brito, da 3ª DH. “Léo Barata [preso há um mês] e ET eram os cabeças na área. Os nomes deles surgiram em diversos depoimentos como os autores dos homicídios”, completou a delegada da 3ª DH.

Entre as vítimas está Moisés Paixão dos Santos. Ele foi arrastado por Yuri e mais 10 comparsas de dentro de casa, agredido a golpes de facão e mordido pelo cachorro na frente da família, antes de ser executado em um matagal. Pedro de Almeida Rodrigues, outra vítima da facção, foi decapitado.

Fratura na perna

Yuri foi baleado na perna direita durante uma troca de tiros com policiais da 31ª CIPM (Valéria) no domingo passado. De acordo com o capitão Gentil, comandante em exercício da 31ª CIPM, os PMs trocaram tiros com cerca de 10 homens armados, inclusive, com fuzis. “Houve o confronto e identificamos que ET havia sido baleado”, afirmou Gentil.

Mesmo com uma fratura exposta, Yuri conseguiu fugir e pedir ajuda aos familiares, que o levaram a um hospital particular na cidade de Feira de Santana.

Ele foi preso após um PM da 65ª CIPM (Feira de Santana) –  que estava de folga e à espera de atendimento no hospital – estranhar a movimentação em torno dele. “O policial procurou saber e descobriu que se tratava de um elemento perigoso. Ele, então, ligou para os policiais de plantão, que isolaram a área e realizaram a prisão”, afirmou o major André Cavalcante, comandante da 65ª CIPM.

Yuri foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva pelo assassinato de Lenilson Bacelar Mota, em novembro do ano passado. O capitão Gentil informou ainda que Yuri e outros integrantes da Katiara expulsaram alguns moradores do Conjunto Habitacional Jardim Valéria, na Lagoa da Paixão, para morar nos imóveis. Outros moradores abandonaram os imóveis por medo. A facção detém 90% do tráfico de drogas na região, ainda segundo o PM.

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