O ex-presidente Jair Bolsonaro deverá passar por uma nova intervenção anestésica, nesta segunda-feira (29), para tratar a crise persistente de soluços que motivou sua internação em um hospital particular do Distrito Federal. A informação foi confirmada em boletim médico divulgado neste sábado (27), no qual a equipe afirma que ainda não é possível prever uma data exata para a alta hospitalar.
Segundo os médicos, Bolsonaro permanece em observação após ter sido submetido, no sábado, a um bloqueio anestésico do nervo frênico do lado direito. Após um intervalo de 48 horas, período considerado necessário para avaliação da resposta clínica, o mesmo procedimento será realizado no lado esquerdo, estratégia adotada para reduzir riscos respiratórios.
“Segue mantida a previsão de internação de cinco a sete dias. Após a realização do procedimento na segunda-feira, mais 48 horas pelo menos, se estiver tudo em ordem, provavelmente recebe alta hospitalar”, explicou o cirurgião Cláudio Birolini, em coletiva.
O que é o bloqueio do nervo frênico
De acordo com a equipe médica, o bloqueio do nervo frênico é um procedimento considerado invasivo, porém seguro, indicado em casos de soluços persistentes que não respondem ao tratamento medicamentoso convencional. O nervo frênico é responsável por controlar o diafragma, músculo fundamental para a respiração.
Segundo os especialistas, o procedimento consiste na anestesia temporária do nervo, realizada com auxílio de imagem, geralmente ultrassom. A técnica reduz a atividade involuntária do diafragma, interrompendo crises intensas de soluço. O bloqueio não é feito simultaneamente dos dois lados justamente para evitar complicações como dificuldade respiratória ou dessaturação de oxigênio.
“Primeiro de um lado e depois do outro, para avaliar a resposta clínica e reduzir riscos”, explicou o radiologista intervencionista Mateus Saldanha, sobre o protocolo adotado.
Crise intensa motivou mudança de conduta
Inicialmente, a equipe médica optou por otimizar o tratamento clínico, com ajuste e intensificação das medicações disponíveis na literatura médica. No entanto, segundo relato do cardiologista Brasil Caiado, a resposta não foi satisfatória.
“Ontem ele teve uma crise de soluço muito forte, incomodou para dormir, acordou abatido”, relatou o médico. Diante do impacto direto na qualidade do sono e no estado geral do paciente, os profissionais decidiram avançar para a abordagem intervencionista.
De acordo com os médicos, o objetivo principal foi evitar que Bolsonaro permanecesse em uma condição debilitante, já que a privação de sono e o desconforto contínuo poderiam comprometer a recuperação pós-operatória recente.
Internação após cirurgia de hérnia
Bolsonaro está internado desde o dia 24 de dezembro. Na manhã de quinta-feira (25), dia de Natal, ele foi submetido a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral, procedimento que, segundo a equipe médica, transcorreu dentro do previsto e sem intercorrências.
A operação teve duração aproximada de quatro horas e foi realizada por técnica convencional, com correção das hérnias e reforço da região com tela de polipropileno. Os médicos ressaltam que a cirurgia não tem relação direta com a crise de soluços, embora o quadro respiratório exija cautela no pós-operatório. A realização do procedimento cirúrgico foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da defesa do ex-presidente.
Alta depende de autonomia e evolução clínica
Apesar da previsão inicial de internação entre cinco e sete dias, os médicos afirmam que a alta hospitalar dependerá da evolução clínica e da capacidade de Bolsonaro retomar cuidados básicos do dia a dia, como banho e autocuidado, além da estabilização do quadro de soluços.
Segundo o boletim, o ex-presidente está consciente, orientado, alimentando-se normalmente e permanece em repouso no quarto. Após o procedimento previsto para segunda-feira, será necessário um novo período de observação para avaliar possíveis efeitos colaterais e a eficácia do bloqueio bilateral.
Informação divulgada por Michelle Bolsonaro
A informação sobre a nova intervenção foi divulgada inicialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de suas redes sociais. Ela informou que o procedimento foi concluído no sábado à tarde e que, em seguida, a equipe médica concederia coletiva para detalhar o quadro clínico.
O episódio de soluços persistentes tem sido uma das principais queixas de saúde do ex-presidente durante esta internação, exigindo acompanhamento contínuo e ajustes no tratamento