O secretário de Segurança Pública (SSP-BA), Marcelo Werner, informou, nesta terça-feira (18), que quatro grandes operações policiais estão sendo executadas simultaneamente no Estado: USG, Ressonância, Alta Potência 2 e Rota do Grau. O foco é no combate a desvios de recursos da saúde, crimes patrimoniais e na desarticulação financeira de uma facção com ramificações interestaduais.
Somente a Operação USG, que está em sua segunda fase, já resultou em nove prisões, entre elas a de um vereador e de ex-secretários municipais de Saúde. Eles são acusados de fazerem parte de um esquema de desvios na saúde pública que teria movimentado mais de R$ 12 milhões por meio de clínicas de fachada, contratos superfaturados e procedimentos inexistentes
Ações integradas avançam com prisões e reforço investigativo no interior da Bahia
Segundo Werner, o objetivo central das ações é ampliar a capacidade de investigação, fortalecer o bloqueio de bens e acelerar o cumprimento de medidas judiciais. As quatro operações em andamento reúnem forças estaduais e federais e têm como foco atingir tanto os responsáveis diretos pelos crimes quanto as estruturas financeiras que sustentam organizações criminosas.
Nova etapa da Operação USG mira núcleo de desvio na saúde
A segunda fase da Operação USG avança sobre um esquema de desvios na saúde pública que teria movimentado mais de R$ 12 milhões por meio de clínicas de fachada, contratos superfaturados e procedimentos inexistentes. Ao longo desta terça-feira (18), equipes da Polícia Civil cumpriram mandados judiciais em Formosa do Rio Preto (BA) e nas cidades de Corrente e Bom Jesus (PI). As diligências também incluíram o sequestro de bens, bloqueio de contas bancárias e apreensão de veículos, documentos, mídias e equipamentos eletrônicos.
Segundo a apuração conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD) e pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), o grupo operava de forma estruturada, com participação direta de ex-secretários responsáveis por controlar contratos municipais e clínicas credenciadas. Laboratórios eram utilizados para justificar pagamentos irregulares, enquanto médicos figuravam como sócios formais de empresas de fachada e diretores hospitalares validavam exames e procedimentos jamais realizados.
Policiais permanecem em campo realizando buscas em endereços associados aos investigados. O material recolhido segue em análise para aprofundar as linhas de investigação.
Fraudes envolviam exames fictícios e serviços incompatíveis com realidade do município
A investigação identificou um conjunto robusto de irregularidades. Entre as fraudes, destacam-se:
- Emissão de exames e laudos incompatíveis com a demanda local, incluindo casos em que a quantidade de ultrassonografias realizadas foi nove vezes superior à média regional;
- Plantões fictícios e atendimentos que nunca ocorreram;
- Superfaturamento de medicamentos, com preços acima do teto regulado pela Anvisa;
- Duplicidade de lançamentos e uso de notas fiscais para mascarar serviços inexistentes;
- Listas de pacientes com informações inconsistentes, usadas para justificar cobranças irregulares.
Essa etapa da operação deriva da análise de documentos e mídias recolhidos na primeira fase da USG, em dezembro de 2024, quando foram cumpridos mandados em residências de médicos, ex-secretários de saúde e clínicas particulares. Na ocasião, contratos suspeitos foram suspensos e novas linhas de investigação foram abertas, levando à identificação dos alvos agora detidos.
Ao todo, cerca de 80 policiais participam da ação conjunta, envolvendo o Draco-LD, a DECCOR, a 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Barreiras/BA) e equipes da Polícia Civil do Piauí.
Operação Ressonância intensifica ações contra crimes patrimoniais
A Operação Ressonância ampliou o enfrentamento a furtos, roubos e adulterações de veículos em diversas regiões da Bahia. A ação resultou na apreensão de 228 automóveis, incluindo 145 com registros de furto, roubo ou receptação, além de outros 80 que apresentavam sinais identificadores adulterados. O uso de scanners e sistemas avançados de cruzamento de dados da Senatran permitiu às equipes identificar irregularidades de forma mais eficiente e em larga escala.
“Hoje a gente faz de forma simbólica, a devolução de mais de 50 veículos, essa devolução aí fruto de um trabalho realizado de forma conjunta, nos pátios, as investigações vêm reduzindo há três anos consecutivos os crimes patrimoniais violentos do nosso Estado, roubos de veículos, roubos a ônibus, roubos de instituições financeiras”, afirmou Marcelo Werner ao Portal M!.
Ao todo, 21 suspeitos foram presos durante a ofensiva, que mobilizou diferentes unidades da segurança pública estadual. Segundo a SSP, a estratégia busca enfraquecer redes especializadas na circulação e comercialização de veículos irregulares, reduzindo impactos diretos sobre crimes patrimoniais e aumentando a capacidade de monitoramento das rotas utilizadas por organizações criminosas.
Alta Potência 2 mira facção com ramificações interestaduais
A Operação Alta Potência 2 teve como foco uma facção criminosa com atuação na Bahia e conexões em outros estados brasileiros. A ofensiva bloqueou 90 contas bancárias e sequestrou aproximadamente R$ 2 milhões em imóveis que, segundo as investigações, eram utilizados para lavagem de dinheiro. O grupo é apontado por movimentar cerca de R$ 52 milhões em três anos por meio de atividades como tráfico de drogas, armas e outros ilícitos.
A ação foi executada de forma integrada, com mandados cumpridos na Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Cerca de 250 agentes participaram da operação, que contou com o apoio de forças estaduais e federais. A iniciativa reforça o objetivo de desarticular a estrutura financeira da facção e interromper fluxos de recursos que alimentam suas atividades criminosas em diferentes regiões do país.
Secretário Marcelo Werner fala sobre caráter integrado das ações
O secretário da Segurança Pública (SSP-BA), Marcelo Werner, falou, em entrevista ao Portal M!, sobre a mobilização simultânea das operações e ressaltou a integração entre forças estaduais e federais.
“Mais de 60 medidas judiciais sendo cumpridas, mandados de prisão em 4 estados da federação, sequestro e bloqueio de bens, como a gente vem realizando. É uma operação integrada coordenada da investigação Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Científica, além de 34 medidas aqui, medidas também no estado de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais”, disse Werner ao Portal M!.
Ainda segundo o secretário, o foco é manter ações robustas contra crimes financeiros, tráfico e corrupção:
“Essa operação que visa no oeste, que visa em especial o combate ao esquema de desvio na saúde, a operação da DRACO, da Polícia Civil, que também conta com a participação do Ministério Público. Essa é a nossa tônica, a tônica de continuar operando, continuar investigando, fortalecendo sua inteligência, são mais de 360 operações realizadas em todo o estado da Bahia”, disse o secretário