Os números refletem a configuração das bancadas neste sábado (4), sem considerar ainda o retorno dos deputados licenciados, que deixaram, na última quinta-feira (2), cargos no primeiro escalão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). São eles: Jusmari Oliveira (PSD), que estava à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur); Osni Cardoso (PT), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR); Neusa Cadore (PT), da Secretaria de Políticas para as Mulheres; e Angelo Almeida (que deixou o PSB e se filiou ao PT), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), e devem reassumir seus mandatos na Assembleia.
Reconfiguração de forças
Entre os partidos que mais cresceram, o destaque vai para o Avante, que passou a contar com seis deputados (antes tinha um), após atrair Felipe Duarte (ex-PP), Laerte do Vando (ex-Podemos), Luciano Araújo (ex-Solidariedade), Soane Galvão (ex-PSB) e Vitor Azevedo (ex-PL), além de Patrick Lopes, consolidando uma das maiores expansões da janela.
O PV também saiu fortalecido. Agora passa a contar com cinco parlamentares (eram três), com as filiações de Antonio Henrique Júnior e Eduardo Salles (ex-PP) e Fabíola Mansur (ex-PSB), apesar da perda de Ludmila Fiscina para o PSD.
Por outro lado, o PP aparece entre os que mais perderam espaço. A legenda caiu de seis para quatro deputados, com saídas relevantes como Antonio Henrique Júnior, Eduardo Salles, Felipe Duarte e Niltinho. Mesmo com as entradas de Marcelinho Veiga (ex-União Brasil) e Penalva (ex-PDT), o saldo foi negativo.
O União Brasil também sofreu baixas. A legenda – do pré-candidato ao governo estadual ACM Neto – reduziu sua bancada de dez para oito deputados, após perder Cafu Barreto, Luciano Ribeiro e Marcelinho Veiga, o que impacta sua força relativa na Casa.
O PSD, comandado pelo senador Otto Alencar, manteve protagonismo, permanecendo com dez deputados. Mesmo com perdas como Angelo Coronel Filho e Cafu Barreto, a legenda foi compensada pelas chegadas de Niltinho (ex-PP) e Ludmila Fiscina (ex-PV).
O PL – liderado pelo ex-ministro João Roma, pré-candidato ao Senado – ampliou sua presença. O partido passou de três para cinco deputados, com as filiações de Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Júnior (ex-Republicanos), consolidando espaço estratégico.
Já o PT – legenda do governador Jerônimo Rodrigues que deve disputar a reeleição em outubro -, optou por uma estratégia de preservação da bancada, permanecendo com dez deputados. O mesmo movimento foi observado no PCdoB, com quatro parlamentares, e no PSOL, com um deputado, que mantiveram suas composições intactas, sinalizando coesão interna e alinhamento político em um momento de forte rearranjo no restante da Assembleia.
Estratégia e eleições 2026
A movimentação observada na AL-BA não é isolada, mas parte de um cenário nacional. A janela partidária é tradicionalmente utilizada como preparação para disputas futuras, permitindo que deputados se posicionem em partidos com melhores condições de eleição, maior acesso a recursos do fundo partidário e mais tempo de propaganda.
Além disso, a troca de partidos também reflete alianças regionais, acordos com lideranças locais e estratégias para composição de chapas majoritárias. Na prática, o que se viu na Bahia foi um rearranjo que antecipa disputas estaduais e até nacionais.
Outro ponto importante é que a nova configuração tende a influenciar o comportamento dos parlamentares dentro da Assembleia. Bancadas maiores ganham mais poder de negociação, enquanto partidos menores buscam formar blocos para manter relevância política.
Janela partidária
A chamada janela partidária é um período previsto na legislação eleitoral brasileira que permite a deputados trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Fora desse intervalo, a mudança pode resultar na perda da cadeira, já que o mandato é considerado pertencente ao partido. Na prática, a janela funciona como um momento estratégico para ajustes políticos, correção de rumos e reposicionamento eleitoral.
Esse mecanismo ocorre sempre no último ano antes das eleições, geralmente no mês de março ou início de abril, e costuma concentrar intensas articulações de bastidores. Lideranças partidárias negociam filiações, parlamentares avaliam suas chances eleitorais e buscam legendas mais alinhadas com seus projetos políticos, seja por afinidade ideológica, estrutura partidária ou viabilidade eleitoral.
Na Bahia, o impacto foi significativo. A saída e entrada de deputados alteraram o peso das bancadas e devem influenciar diretamente a dinâmica de votações, formação de blocos e distribuição de espaços de poder dentro da Assembleia.
Lista completa dos deputados e suas situações após a janela partidária
- Adolfo Menezes – PSD
- Alex de Piatã – PSD
- Angelo Coronel Filho: PSD → Republicanos
- Antonio Henrique Júnior: PP → PV
- Binho Galinha – Patriota
- Bobô – PCdoB
- Cafu Barreto: PSD → União Brasil
- Cláudia Oliveira – PSD
- Diego Castro – PL
- Eduardo Alencar – PSD
- Eduardo Salles: PP → PV
- Euclides Fernandes – PT
- Fabíola Mansur: PSB → PV
- Fabrício Falcão – PCdoB
- Fátima Nunes – PT
- Felipe Duarte: PP → Avante
- Hassan – PP
- Hilton Coelho – PSOL
- Ivana Bastos – PSD
- Jordávio Ramos – PSDB
- José de Arimateia – Republicanos
- Júnior Muniz – PT
- Júnior Nascimento – União Brasil
- Jurailton Santos – Republicanos
- Kátia Oliveira – União Brasil
- Laerte do Vando: Podemos → Avante
- Leandro de Jesus – PL
- Luciano Araújo: Solidariedade → Avante
- Luciano Ribeiro: União Brasil → PDT
- Luciano Simões Filho – União Brasil
- Ludmila Fiscina: PV → PSD
- Manuel Rocha – União Brasil
- Marcelinho Veiga: União Brasil → PP
- Marcelino Galo – PT
- Marcinho Oliveira: PRD → PDT
- Marcone Amaral – PSD
- Maria del Carmen – PT
- Marquinho Viana – PV
- Matheus Ferreira – MDB
- Nelson Leal – PP
- Niltinho: PP → PSD
- Olívia Santana – PCdoB
- Pancadinha – Solidariedade → PDT
- Patrick Lopes – Avante
- Paulo Câmara: PSDB → PL
- Pedro Tavares – União Brasil
- Penalva: PDT → PP
- Radiovaldo Costa – PT
- Raimundinho da JR – PL
- Ricardo Rodrigues – PSD
- Roberto Carlos – PV
- Robinho – União Brasil
- Robinson Almeida – PT
- Rogério Andrade – MDB
- Rosemberg Pinto – PT
- Samuel Júnior: Republicanos → PL
- Sandro Régis – União Brasil
- Soane Galvão – PSB → Avante
- Tiago Correia – PSDB
- Vitor Azevedo: PL → Avante
- Vitor Bonfim: PV → PSB
- Zé Raimundo – PT
- Zó – PCdoB
Ranking das bancadas após janela partidária na AL-BA
Com as mudanças consolidadas após o fim da janela partidária, a composição das bancadas na Assembleia Legislativa da Bahia passa a refletir um novo equilíbrio de forças. Veja como ficou o ranking dos partidos por número de deputados:
1º lugar (empatados):
- PSD – dez deputados
- PT – dez deputados
2º lugar:
- União Brasil – oito deputados
3º lugar:
- Avante – seis deputados
4º lugar (empatados):
- PV – cinco deputados
- PL – cinco deputados
5º lugar (empatados):
- PP – quatro deputados
- PCdoB – quatro deputados
6º lugar (empatados):
- Republicanos – três deputados
- PDT – três deputados
7º lugar (empatados):
- MDB – dois deputados
- PSDB – dois deputados
- PSB – dois deputados
7º lugar (empatados):
- PSOL – um deputado
- Patriota – um deputado
Com o fim da janela, o cenário político na AL-BA entra em uma nova fase. Mais do que simples trocas partidárias, o movimento revela estratégias, antecipa disputas e redefine o equilíbrio de forças que deve marcar os próximos anos da política baiana.
Ao contrário das mudanças na AL-BA, apenas quatro deputados federais baianos trocam de partido
Mudanças foram pontuais, mas substituições e rearranjos alteram composição política da Bahia em Brasília
O encerramento da janela partidária, provocou ajustes mais discretos na bancada baiana na Câmara dos Deputados, mas ainda assim relevantes para o cenário político com vistas às eleições de 2026. Dos 39 deputados federais da Bahia, quatro mudaram de partido, o que representa cerca de 10,2% de alteração direta nas filiações — um índice menor que o observado na Assembleia Legislativa, mas com impacto estratégico.
Apesar do número reduzido de trocas formais, a bancada passou por renovação indireta. Isso porque dois parlamentares deixaram temporariamente seus mandatos para assumir cargos na administração municipal de Salvador, sob o comando do prefeito Bruno Reis (União Brasil). São eles: João Leão (PP), que assumiu a Secretaria de Governo, sendo substituído pelo vereador Jorge Araújo (PP); e Alex Santana (Republicanos), que passou a comandar a Secretaria de Relações
nstitucionais, abrindo espaço para o ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos).
Outro movimento relevante foi o retorno de Afonso Florence à Câmara, após deixar a Casa Civil na gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reforçando a bancada do PT. Além disso, uma mudança anterior também impactou a composição: Otto Alencar Filho deixou o mandato em dezembro de 2025 para assumir uma vaga como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).
Reconfiguração de forças
Entre as mudanças registradas, o Republicanos foi o partido que mais se destacou no crescimento relativo na bancada baiana. A legenda recebeu filiações importantes como Diego Coronel (ex-PSD) e Leo Prates (ex-PDT), ampliando sua presença e consolidando espaço estratégico no estado.
O PSD, por outro lado, teve perdas pontuais com a saída de Diego Coronel, mas foi parcialmente compensado com a filiação de Raimundo Costa (ex-Podemos), mantendo protagonismo na bancada. Já o PSB ganhou reforço com a chegada de Mário Negromonte Jr. (ex-PP), enquanto o PDT perdeu espaço com a saída de Leo Prates.
Partidos como PT, União Brasil, PL, PCdoB e Avante optaram por preservar suas bancadas, mantendo estabilidade em meio ao cenário de reorganização política.
Estratégia e eleições 2026
A movimentação observada entre os deputados federais da Bahia segue uma tendência nacional. A janela partidária é tradicionalmente utilizada como preparação para disputas eleitorais, permitindo que parlamentares se reposicionem em legendas com melhores condições de eleição, maior acesso a recursos e mais tempo de propaganda.
Além das trocas formais, o cenário também reflete acordos políticos, articulações regionais e estratégias eleitorais para 2026. Mesmo com poucas mudanças numéricas, o reposicionamento dos partidos pode influenciar diretamente a dinâmica eleitoral no estado.
Outro fator relevante é o impacto das substituições temporárias na Câmara, com entrada de suplentes que podem alterar votações e fortalecer grupos políticos, ainda que de forma circunstancial.
Janela partidária
A chamada janela partidária é um período previsto na legislação eleitoral brasileira que permite a deputados trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
Esse mecanismo ocorre sempre no último ano antes das eleições e costuma concentrar intensas articulações políticas. Durante esse período, parlamentares avaliam suas chances eleitorais e buscam legendas mais alinhadas com seus projetos políticos.
A regra vale apenas para cargos proporcionais, como deputados federais, estaduais e distritais, não sendo aplicada a cargos do Executivo ou ao Senado, que seguem o sistema majoritário.
Lista completa dos deputados federais da Bahia e suas situações após a janela partidária
- Adolfo Viana – PSDB
- Afonso Florence – PT
- Alice Portugal – PCdoB
- Antonio Brito – PSD
- Arthur Oliveira Maia – União Brasil
- Bacelar – PV
- Capitão Alden – PL
- Charles Fernandes – PSD
- Claudio Cajado – PP
- Dal Barreto – União Brasil
- Daniel Almeida – PCdoB
- Diego Coronel: PSD → Republicanos
- Elmar Nascimento – União Brasil
- Félix Mendonça Júnior – PDT
- Gabriel Nunes – PSD
- Ivoneide Caetano – PT
- João Carlos Bacelar – PL
- Jorge Araújo – PP (no lugar de João Leão – licenciado)
- Jorge Solla – PT
- José Rocha – União Brasil
- Joseildo Ramos – PT
- Leo Prates: PDT → Republicanos
- Leur Lomanto Júnior – União Brasil
- Lídice da Mata – PSB
- Marcelo Nilo Republicanos (no lugar de Alex Santana – licenciado)
- Márcio Marinho – Republicanos
- Mário Negromonte Jr.: PP → PSB
- Neto Carletto – Avante
- Pastor Sargento Isidório – Avante
- Paulo Azi – União Brasil
- Paulo Magalhães – PSD
- Raimundo Costa: Podemos → PSD
- Ricardo Maia – MDB
- Roberta Roma – PL
- Rogéria Santos – Republicanos
- Sérgio Brito – PSD
- Valmir Assunção – PT
- Waldenor Pereira – PT
- Zé Neto – PT
Ranking das bancadas da Bahia na Câmara após a janela partidária
Com as mudanças consolidadas, a composição das bancadas da Bahia na Câmara dos Deputados passa a refletir o seguinte equilíbrio de forças:
1º lugar:
- PT – oito deputados
2º lugar:
- União Brasil – sete deputados
3º lugar (empatados):
- PSD – seis deputados
- Republicanos – cinco deputados
4º lugar:
- PL – quatro deputados
5º lugar (empatados):
- PP – dois deputados
- PCdoB – dois deputados
- Avante – dois deputados
- PSB – dois deputados
6º lugar:
- PDT – um deputado
- MDB – um deputado
- PSDB – um deputado
- PV – um deputado
Senado Federal
No Senado, onde não se aplica a regra da janela partidária por se tratar de um sistema majoritário, a bancada baiana também registrou uma mudança pontual. O senador Angelo Coronel deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, sendo a única alteração entre os três representantes do estado.
Atualmente, a Bahia é representada por três senadores: Jaques Wagner (PT), Angelo Coronel e Otto Alencar (PSD). Desses, apenas Wagner e Coronel devem disputar a reeleição em outubro de 2026, enquanto Otto Alencar possui mandato até 2030.