Janela partidária movimenta 20 deputados e redesenha forças na Assembleia Legislativa da Bahia

O encerramento da janela partidária, provocou uma das mais relevantes reconfigurações recentes na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Dos 63 deputados estaduais, 20 mudaram de partido, o que representa cerca de 31,7% de renovação partidária — um índice expressivo que evidencia o grau de reorganização política com vistas às eleições de 2026. No movimento, partidos como Avante e PV ampliaram suas bancadas para seis e cinco deputados respectivamente, enquanto o Progressistas caiu de seis para quatro e o União Brasil de dez para oito. Já o PSD manteve dez cadeiras e o PL cresceu de três para cinco deputados, além do Solidariedade perder representação na AL-BA.

Os números refletem a configuração das bancadas neste sábado (4), sem considerar ainda o retorno dos deputados licenciados, que deixaram, na última quinta-feira (2), cargos no primeiro escalão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). São eles: Jusmari Oliveira (PSD), que estava à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur); Osni Cardoso (PT), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR); Neusa Cadore (PT), da Secretaria de Políticas para as Mulheres; e Angelo Almeida (que deixou o PSB e se filiou ao PT), da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), e devem reassumir seus mandatos na Assembleia.

Reconfiguração de forças

Entre os partidos que mais cresceram, o destaque vai para o Avante, que passou a contar com seis deputados (antes tinha um), após atrair Felipe Duarte (ex-PP), Laerte do Vando (ex-Podemos), Luciano Araújo (ex-Solidariedade), Soane Galvão (ex-PSB) e Vitor Azevedo (ex-PL), além de Patrick Lopes, consolidando uma das maiores expansões da janela.

PV também saiu fortalecido. Agora passa a contar com cinco parlamentares (eram três), com as filiações de Antonio Henrique Júnior e Eduardo Salles (ex-PP) e Fabíola Mansur (ex-PSB), apesar da perda de Ludmila Fiscina para o PSD.

Por outro lado, o PP aparece entre os que mais perderam espaço. A legenda caiu de seis para quatro deputados, com saídas relevantes como Antonio Henrique Júnior, Eduardo Salles, Felipe Duarte e Niltinho. Mesmo com as entradas de Marcelinho Veiga (ex-União Brasil) e Penalva (ex-PDT), o saldo foi negativo.

União Brasil também sofreu baixas. A legenda – do pré-candidato ao governo estadual ACM Neto – reduziu sua bancada de dez para oito deputados, após perder Cafu Barreto, Luciano Ribeiro e Marcelinho Veiga, o que impacta sua força relativa na Casa.

PSD, comandado pelo senador Otto Alencar, manteve protagonismo, permanecendo com dez deputados. Mesmo com perdas como Angelo Coronel Filho e Cafu Barreto, a legenda foi compensada pelas chegadas de Niltinho (ex-PP) e Ludmila Fiscina (ex-PV).

O PL – liderado pelo ex-ministro João Roma, pré-candidato ao Senado – ampliou sua presença. O partido passou de três para cinco deputados, com as filiações de Paulo Câmara (ex-PSDB) e Samuel Júnior (ex-Republicanos), consolidando espaço estratégico.

Já o PT – legenda do governador Jerônimo Rodrigues que deve disputar a reeleição em outubro -, optou por uma estratégia de preservação da bancada, permanecendo com dez deputados. O mesmo movimento foi observado no PCdoB, com quatro parlamentares, e no PSOL, com um deputado, que mantiveram suas composições intactas, sinalizando coesão interna e alinhamento político em um momento de forte rearranjo no restante da Assembleia.

Estratégia e eleições 2026

A movimentação observada na AL-BA não é isolada, mas parte de um cenário nacional. A janela partidária é tradicionalmente utilizada como preparação para disputas futuras, permitindo que deputados se posicionem em partidos com melhores condições de eleição, maior acesso a recursos do fundo partidário e mais tempo de propaganda.

Além disso, a troca de partidos também reflete alianças regionais, acordos com lideranças locais e estratégias para composição de chapas majoritárias. Na prática, o que se viu na Bahia foi um rearranjo que antecipa disputas estaduais e até nacionais.

Outro ponto importante é que a nova configuração tende a influenciar o comportamento dos parlamentares dentro da Assembleia. Bancadas maiores ganham mais poder de negociação, enquanto partidos menores buscam formar blocos para manter relevância política.

Janela partidária

A chamada janela partidária é um período previsto na legislação eleitoral brasileira que permite a deputados trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Fora desse intervalo, a mudança pode resultar na perda da cadeira, já que o mandato é considerado pertencente ao partido. Na prática, a janela funciona como um momento estratégico para ajustes políticos, correção de rumos e reposicionamento eleitoral.

Esse mecanismo ocorre sempre no último ano antes das eleições, geralmente no mês de março ou início de abril, e costuma concentrar intensas articulações de bastidores. Lideranças partidárias negociam filiações, parlamentares avaliam suas chances eleitorais e buscam legendas mais alinhadas com seus projetos políticos, seja por afinidade ideológica, estrutura partidária ou viabilidade eleitoral.

Na Bahia, o impacto foi significativo. A saída e entrada de deputados alteraram o peso das bancadas e devem influenciar diretamente a dinâmica de votações, formação de blocos e distribuição de espaços de poder dentro da Assembleia.

Lista completa dos deputados e suas situações após a janela partidária

  1. Adolfo Menezes – PSD
  2. Alex de Piatã – PSD
  3. Angelo Coronel Filho: PSD → Republicanos
  4. Antonio Henrique Júnior: PP → PV
  5. Binho Galinha – Patriota
  6. Bobô – PCdoB
  7. Cafu Barreto: PSD → União Brasil
  8. Cláudia Oliveira – PSD
  9. Diego Castro – PL
  10. Eduardo Alencar – PSD
  11. Eduardo Salles: PP → PV
  12. Euclides Fernandes – PT
  13. Fabíola Mansur: PSB → PV
  14. Fabrício Falcão – PCdoB
  15. Fátima Nunes – PT
  16. Felipe Duarte: PP → Avante
  17. Hassan – PP
  18. Hilton Coelho – PSOL
  19. Ivana Bastos – PSD
  20. Jordávio Ramos – PSDB
  21. José de Arimateia – Republicanos
  22. Júnior Muniz – PT
  23. Júnior Nascimento – União Brasil
  24. Jurailton Santos – Republicanos
  25. Kátia Oliveira – União Brasil
  26. Laerte do Vando: Podemos → Avante
  27. Leandro de Jesus – PL
  28. Luciano Araújo: Solidariedade → Avante
  29. Luciano Ribeiro: União Brasil → PDT
  30. Luciano Simões Filho – União Brasil
  31. Ludmila Fiscina: PV → PSD
  32. Manuel Rocha – União Brasil
  33. Marcelinho Veiga: União Brasil → PP
  34. Marcelino Galo – PT
  35. Marcinho Oliveira: PRD → PDT
  36. Marcone Amaral – PSD
  37. Maria del Carmen – PT
  38. Marquinho Viana – PV
  39. Matheus Ferreira – MDB
  40. Nelson Leal – PP
  41. Niltinho: PP → PSD
  42. Olívia Santana – PCdoB
  43. Pancadinha – Solidariedade → PDT
  44. Patrick Lopes – Avante
  45. Paulo Câmara: PSDB → PL
  46. Pedro Tavares – União Brasil
  47. Penalva: PDT → PP
  48. Radiovaldo Costa – PT
  49. Raimundinho da JR – PL
  50. Ricardo Rodrigues – PSD
  51. Roberto Carlos – PV
  52. Robinho – União Brasil
  53. Robinson Almeida – PT
  54. Rogério Andrade – MDB
  55. Rosemberg Pinto – PT
  56. Samuel Júnior: Republicanos → PL
  57. Sandro Régis – União Brasil
  58. Soane Galvão – PSB → Avante
  59. Tiago Correia – PSDB
  60. Vitor Azevedo: PL → Avante
  61. Vitor Bonfim: PV → PSB
  62. Zé Raimundo – PT
  63. Zó – PCdoB

Ranking das bancadas após janela partidária na AL-BA

Com as mudanças consolidadas após o fim da janela partidária, a composição das bancadas na Assembleia Legislativa da Bahia passa a refletir um novo equilíbrio de forças. Veja como ficou o ranking dos partidos por número de deputados:

1º lugar (empatados):

  • PSD – dez deputados
  • PT – dez deputados

2º lugar:

  • União Brasil – oito deputados

3º lugar:

  • Avante – seis deputados

4º lugar (empatados):

  • PV – cinco deputados
  • PL – cinco deputados

5º lugar (empatados):

  • PP – quatro deputados
  • PCdoB – quatro deputados

6º lugar (empatados):

  • Republicanos – três deputados
  • PDT – três deputados

7º lugar (empatados):

  • MDB – dois deputados
  • PSDB – dois deputados
  • PSB – dois deputados

7º lugar (empatados):

  • PSOL – um deputado
  • Patriota – um deputado

Com o fim da janela, o cenário político na AL-BA entra em uma nova fase. Mais do que simples trocas partidárias, o movimento revela estratégias, antecipa disputas e redefine o equilíbrio de forças que deve marcar os próximos anos da política baiana.

Mudanças foram pontuais, mas substituições e rearranjos alteram composição política da Bahia em Brasília

O encerramento da janela partidária, provocou ajustes mais discretos na bancada baiana na Câmara dos Deputados, mas ainda assim relevantes para o cenário político com vistas às eleições de 2026. Dos 39 deputados federais da Bahia, quatro mudaram de partido, o que representa cerca de 10,2% de alteração direta nas filiações — um índice menor que o observado na Assembleia Legislativa, mas com impacto estratégico.

Apesar do número reduzido de trocas formais, a bancada passou por renovação indireta. Isso porque dois parlamentares deixaram temporariamente seus mandatos para assumir cargos na administração municipal de Salvador, sob o comando do prefeito Bruno Reis (União Brasil). São eles: João Leão (PP), que assumiu a Secretaria de Governo, sendo substituído pelo vereador Jorge Araújo (PP); e Alex Santana (Republicanos), que passou a comandar a Secretaria de Relações

nstitucionais, abrindo espaço para o ex-deputado Marcelo Nilo (Republicanos).

Outro movimento relevante foi o retorno de Afonso Florence à Câmara, após deixar a Casa Civil na gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reforçando a bancada do PT. Além disso, uma mudança anterior também impactou a composição: Otto Alencar Filho deixou o mandato em dezembro de 2025 para assumir uma vaga como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).

Reconfiguração de forças

Entre as mudanças registradas, o Republicanos foi o partido que mais se destacou no crescimento relativo na bancada baiana. A legenda recebeu filiações importantes como Diego Coronel (ex-PSD) e Leo Prates (ex-PDT)ampliando sua presença e consolidando espaço estratégico no estado.

PSD, por outro lado, teve perdas pontuais com a saída de Diego Coronel, mas foi parcialmente compensado com a filiação de Raimundo Costa (ex-Podemos), mantendo protagonismo na bancada. Já o PSB ganhou reforço com a chegada de Mário Negromonte Jr. (ex-PP), enquanto o PDT perdeu espaço com a saída de Leo Prates.

Partidos como PT, União Brasil, PL, PCdoB e Avante optaram por preservar suas bancadas, mantendo estabilidade em meio ao cenário de reorganização política.

Estratégia e eleições 2026

A movimentação observada entre os deputados federais da Bahia segue uma tendência nacional. A janela partidária é tradicionalmente utilizada como preparação para disputas eleitorais, permitindo que parlamentares se reposicionem em legendas com melhores condições de eleição, maior acesso a recursos e mais tempo de propaganda.

Além das trocas formais, o cenário também reflete acordos políticos, articulações regionais e estratégias eleitorais para 2026. Mesmo com poucas mudanças numéricas, o reposicionamento dos partidos pode influenciar diretamente a dinâmica eleitoral no estado.

Outro fator relevante é o impacto das substituições temporárias na Câmara, com entrada de suplentes que podem alterar votações e fortalecer grupos políticos, ainda que de forma circunstancial.

Janela partidária

A chamada janela partidária é um período previsto na legislação eleitoral brasileira que permite a deputados trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.

Esse mecanismo ocorre sempre no último ano antes das eleições e costuma concentrar intensas articulações políticas. Durante esse período, parlamentares avaliam suas chances eleitorais e buscam legendas mais alinhadas com seus projetos políticos.

A regra vale apenas para cargos proporcionais, como deputados federais, estaduais e distritais, não sendo aplicada a cargos do Executivo ou ao Senado, que seguem o sistema majoritário.

Lista completa dos deputados federais da Bahia e suas situações após a janela partidária

  1. Adolfo Viana – PSDB
  2. Afonso Florence – PT
  3. Alice Portugal – PCdoB
  4. Antonio Brito – PSD
  5. Arthur Oliveira Maia – União Brasil
  6. Bacelar – PV
  7. Capitão Alden – PL
  8. Charles Fernandes – PSD
  9. Claudio Cajado – PP
  10. Dal Barreto – União Brasil
  11. Daniel Almeida – PCdoB
  12. Diego Coronel: PSD → Republicanos
  13. Elmar Nascimento – União Brasil
  14. Félix Mendonça Júnior – PDT
  15. Gabriel Nunes – PSD
  16. Ivoneide Caetano – PT
  17. João Carlos Bacelar – PL
  18. Jorge Araújo – PP (no lugar de João Leão – licenciado)
  19. Jorge Solla – PT
  20. José Rocha – União Brasil
  21. Joseildo Ramos – PT
  22. Leo Prates: PDT → Republicanos
  23. Leur Lomanto Júnior – União Brasil
  24. Lídice da Mata – PSB
  25. Marcelo Nilo Republicanos (no lugar de Alex Santana – licenciado)
  26. Márcio Marinho – Republicanos
  27. Mário Negromonte Jr.: PP → PSB
  28. Neto Carletto – Avante
  29. Pastor Sargento Isidório – Avante
  30. Paulo Azi – União Brasil
  31. Paulo Magalhães – PSD
  32. Raimundo Costa: Podemos → PSD
  33. Ricardo Maia – MDB
  34. Roberta Roma – PL
  35. Rogéria Santos – Republicanos
  36. Sérgio Brito – PSD
  37. Valmir Assunção – PT
  38. Waldenor Pereira – PT
  39. Zé Neto – PT

Ranking das bancadas da Bahia na Câmara após a janela partidária

Com as mudanças consolidadas, a composição das bancadas da Bahia na Câmara dos Deputados passa a refletir o seguinte equilíbrio de forças:

1º lugar:

  • PT – oito deputados

2º lugar:

  • União Brasil – sete deputados

3º lugar (empatados):

  • PSD – seis deputados
  • Republicanos – cinco deputados

4º lugar:

  • PL – quatro deputados

5º lugar (empatados):

  • PP – dois deputados
  • PCdoB – dois deputados
  • Avante – dois deputados
  • PSB – dois deputados

6º lugar:

  • PDT – um deputado
  • MDB – um deputado
  • PSDB – um deputado
  • PV – um deputado

Senado Federal

No Senado, onde não se aplica a regra da janela partidária por se tratar de um sistema majoritário, a bancada baiana também registrou uma mudança pontual. O senador Angelo Coronel deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, sendo a única alteração entre os três representantes do estado.

Atualmente, a Bahia é representada por três senadores: Jaques Wagner (PT), Angelo Coronel e Otto Alencar (PSD). Desses, apenas Wagner e Coronel devem disputar a reeleição em outubro de 2026, enquanto Otto Alencar possui mandato até 2030.

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