Crise do Master atinge palanques e provoca desgaste político para aliados de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou neste sábado (16) a intenção de disputar a Presidência da República em 2026, mesmo após a repercussão envolvendo mensagens e áudios trocados com o banqueiro Daniel Vorcaro. Durante discurso em Sorocaba, no interior de São Paulo, o parlamentar afirmou que não pretende recuar da disputa política e declarou que seguirá “lutando pelo Brasil”.

A manifestação ocorreu durante o evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado Federal. O encontro reuniu aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e integrantes da direita paulista.

Ao comentar a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro afirmou que não será intimidado pelas investigações e críticas envolvendo seu nome.

“Achando que vão me intimidar, achando que vão me calar, eles se esqueceram de uma coisa: aqui tem sangue de Bolsonaro”, disse. “Eu não vou desistir de lutar pelo meu Brasil”, acrescentou Flávio durante o discurso.

Mensagens com banqueiro provocaram desgaste político e financeiro

A crise envolvendo o senador ganhou força após reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil na última quarta-feira (13). O conteúdo revelou mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As informações fazem parte da extração de dados do primeiro celular apreendido de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF).

Segundo a publicação, a investigação busca identificar o destino de pagamentos realizados pelo banqueiro após pedidos feitos por Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal também deve apurar se parte dos valores foi utilizada para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

A repercussão do caso ultrapassou o ambiente político e atingiu o mercado financeiro. No dia da divulgação das mensagens, o índice Ibovespa registrou queda de 1,8%, enquanto o dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 5 pela primeira vez desde abril.

Pesquisa Datafolha aponta empate entre Lula e Flávio Bolsonaro

No mesmo dia do discurso, uma pesquisa do instituto Datafolha indicou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo o levantamento, ambos aparecem com 45% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O instituto informou que a maior parte das entrevistas foi realizada antes da divulgação da reportagem do The Intercept Brasil.

Senador amplia críticas ao governo federal

Durante o evento em Sorocaba, Flávio Bolsonaro também direcionou ataques ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador criticou mudanças na condução de investigações da Polícia Federal relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o parlamentar, houve interferência política em apurações conduzidas pela corporação.

“Vocês acabaram de ver, eles aparelharam até a Polícia Federal. Trocaram o delegado que quebrou o sigilo do Lulinha, que recebia dinheiro do Careca do INSS para tentar manipular as investigações”, disse.

O senador também criticou a política econômica do governo federal, mencionando o aumento do endividamento das famílias e os efeitos da taxa de juros elevada.

“É, esse percentual altíssimo que fica corrigindo a dívida dos brasileiros, ela fica impagável. Dois Desenrolas em apenas três anos do governo Lula. Somadas, as dívidas de todo mundo dão R$ 500 bilhões. E esse outro Desenrola dele, ele está oferecendo R$ 4,5 bilhões – e ainda por cima, o dinheiro do FGTS da própria pessoa que quer se livrar da dívida”, declarou.

Pré-campanha enfrenta novo momento de pressão

A repercussão das mensagens com Daniel Vorcaro abriu um novo foco de desgaste na pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Apesar disso, aliados do senador afirmam que ele pretende manter a estratégia de ampliar presença em agendas públicas e fortalecer o discurso de oposição ao governo federal.

Crise do Master atinge palanques e provoca desgaste político para aliados de Flávio Bolsonaro

A revelação de negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da crise envolvendo o Banco Master, passou a afetar diretamente a articulação de palanques eleitorais da direita em diversos estados. Segundo interlocutores políticos, o episódio interrompeu negociações e levou partidos e lideranças regionais a reavaliar alianças com o projeto presidencial ligado ao bolsonarismo. A reportagem é do jornal O Globo.

O impacto já é sentido em estados como Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Em alguns casos, aliados passaram a defender campanhas mais independentes e reduzir a exposição conjunta com Flávio Bolsonaro, enquanto outros tentam evitar que o desgaste nacional contamine disputas locais consideradas competitivas. Em Santa Catarina, por exemplo, o episódio gerou reconfiguração de apoios e isolou parcialmente o PL em algumas articulações.

Além dos efeitos regionais, a crise intensificou disputas internas no campo da direita, especialmente entre grupos ligados a Flávio Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem ampliado influência sobre candidaturas estaduais. Nos bastidores, aliados avaliam que o caso do Master pode comprometer a engenharia política nacional construída para a próxima eleição, levando a um movimento de cautela e reposicionamento de diversas lideranças.

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