O Banco Master, de Daniel Vorcaro, fez repasses milionários a escritórios e empresas ligadas ao ex-presidente Michel Temer (MDB), ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, à família do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), ao ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto (União Brasil), bem como aos ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.
Saiba quem recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, segundo informações já divulgadas baseadas em dados da Receita Federal:
- Michel Temer (MDB): ex-presidente, artífice do golpe contra Dilma Rousseff (PT) em 2026, recebeu R$ 10 milhões em 2025. “Como já declarei publicamente, não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”, alegou o medebista em nota.
- Fabio Wajngarten: advogado e ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro recebeu ao menos R$ 3,8 milhões para atuar na defesa do banqueiro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que não exerço qualquer cargo público há mais de 5 anos”, afirmou na rede X.
- Ronaldo Bento: ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Bento recebeu R$ 773 mil do grupo de Vorcaro. Após deixar a pasta responsável pelas políticas de empréstimos consignados, Bento assumiu cargos estratégicos nas empresas do grupo Master.
- Portal Metrópoles e Luiz Estevão: site recebeu do Banco Master R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, que foram direcionados em “débito imediato” a outras empresas do ex-senador Luiz Estevão, que já foi preso por corrupção. Estevão afirma que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025.
- Ratinho e Rede Massa: Apresentador do SBT atuou como garoto propaganda da CredCesta, cartão para crédito consignado do grupo Master, e recebeu R$ 24 milhões de Vorcaro por meio das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e Participações.
- Globo e Luciano Huck: Will Bank, braço digital do banco Master, foi patrocinador master do quadro batizado de “Willimpíadas”, em 2025, que dava prêmio semanal de R$ 1 milhão. Vorcaro também foi patrocinador master do evento Summit Valor Econômico Brazil-USA, organizado pelo grupo da família Marinho em 15 de maio de 2024 em Nova York. O banqueiro ainda patrocinou duas edições do camarote Quem/O Globo no carnaval do Rio nos anos de 2022 e 2023.
- Léo Dias: Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que a empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master. “O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”, declarou o jornalista.
- ACM Neto: membro da dinastia Magalhães, pré-candidato ao Governo da Bahia e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões de Vorcaro por meio de uma empresa de consultoria. “A referida relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”, diz o político baiano.
- Antônio Rueda: Presidente do União Brasil recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia. Em nota, a equipe de Rueda afirmou que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita”.
- Guido Mantega: ex-ministro da Fazenda atuou como consultor “econômico financeiro” do Master e recebeu R$ 14 milhões entre 2024 e 2025. “Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, alega, em nota.
- Henrique Meirelles: ex-ministro da Fazendo recebeu R$ 18,5 milhões do Master. “Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025″, afirmou.
- Viviane Barci de Moraes: escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes teria recebido R$ 80,2 milhões de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Dados da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40.111.826,92, e um pagamento de R$ 40.111.826,92 em 2025. Em nota, o escritório “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”.
- Dias Toffoli: ministro do STF deixou a relatoria do caso Master após a revelação de que a empresa Maridt, de irmãos de Toffoli, vendeu participação no resort Tayayá por R$ 6,7 milhões em 2021 para o fundo Arleen, de Fabiano Zettel, pastor da Lagoinha e cunhado de Vorcaro.
- Kássio Nunes Marques: escritório do filho do ministro do STF, Kevin Marques, de 25 anos, recebeu R$ 6,6 mi do Master em 14 operações entre outubro de 2024 e julho de 2025.
- Ricardo Lewandowski: ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e da Justiça recebeu R$ 6,1 milhões do grupo Master por meio de escritórios de familiares. Ele alega que ao deixar a corte, em 2023, “retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”. Lewandowski diz ainda que ao assumir o Ministério da Justiça, no governo Lula, “retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como determina a legislação vigente”.
Lobby político
Além de manter uma rede de influência entre autoridades e na mídia, financiada com recursos milionários, Daniel Vorcaro criou uma estrutura de relacionamento com figuras políticas, especialmente do Centrão e da ultradireita bolsonarista, para fazer lobby em prol do Banco Master em Brasília. Veja os principais nomes:
- Ciro Nogueira (PP–PI): ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, senador e presidente nacional do PP. Teria atuado como articulador central e operador legislativo. Autor da chamada “emenda do Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida diretamente alinhada ao modelo de captação do banco. Também atuou como ponte política e interlocutor com outras autoridades e instituições.
Fonte: Emenda do Master e atuação no Congresso - Jair Bolsonaro (PL): Seu governo é apontado como contexto de nomeações e permissividade regulatória que favoreceram a expansão inicial do banco e suas conexões institucionais.
- Roberto Campos Neto: Na presidência do Banco Central atuou no ambiente regulatório que deu aval à criação do Banco Master a partir da compra do liquidado banco Máxim. Citado no contexto da atuação do BC durante o período de expansão do banco, sob pressão política e disputas institucionais envolvendo sua autonomia.
- Paulo Guedes: o ex “super” ministro da Economia de Bolsonaro atuou na formulação da política econômica, que propiciou a abertura para atuação das fintechs e pequenos grupos de interesse no mercado financeiro. Além disso desenvolveu medidas que permitiram o aumento do endividamento no crédito consignado. Inserido no contexto mais amplo de desregulação e ambiente favorável ao sistema financeiro no período de crescimento do banco.
- Cláudio Cajado (PP–BA): O deputado federal baiano teria o papel de exercer pressão institucional sobre o Banco Central. Liderou iniciativa para permitir ao Congresso destituir diretores do BC — movimento interpretado como tentativa de constranger o órgão em meio às investigações.
- Antonio Rueda (União–PE): o presidente do PP teria atuado na articulação partidária e contenção de crise. Apontado como elo político que intermediou relações com o BRB e atuou para reduzir danos institucionais, inclusive no campo partidário.
- Arthur Lira (PP–AL): ex-presidente da Câmara teria dado sustentação institucional de alto nível ao grupo Master. Ligado ao entorno político do banco, com influência sobre indicações estratégicas (como no TCU) e capacidade de moldar o ambiente legislativo.
- Davi Alcolumbre (União–AP): o presidente do Senado teria atuado influência sobre fundos públicos e ambiente político local. Estado sob sua influência registrou investimentos relevantes ligados ao banco, indicando conexão com a capilaridade do esquema.
- Ibaneis Rocha (MDB–DF): ex-governador do Distrito Federal atuou na articulação estatal e tentativa de solução institucional. Participou de tratativas envolvendo o BRB, banco público do DF, em operações com o Master e possíveis estratégias para sua sustentação.
- Filipe Barros (PL–PR): deputado bolsonarista ligado a Eduardo Bolsonaro atuou no reforço legislativo e apoio ideológico. Apresentou projeto para retomar a ampliação do FGC, funcionando como extensão da estratégia iniciada no Senado.
- Nikolas Ferreira (PL–MG): o deputado extremista teria atuado na blindagem narrativa e disputa pública. É citado como parte do ecossistema político que ajudava a deslocar o debate e reduzir pressão sobre o caso no campo da opinião pública.