O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (8), que ainda não decidiu se será candidato à reeleição em 2026 e que só tomará essa decisão após a convenção partidária prevista para junho. A declaração foi feita durante entrevista ao site ICL Notícias, na qual o chefe do Executivo também reconheceu dificuldades do governo em apresentar resultados que impactem diretamente a vida da população.
Na ocasião, Lula indicou que uma eventual candidatura dependerá da capacidade de apresentar propostas inéditas e de reorganizar sua base política. O presidente também mencionou a necessidade de construir alianças e ampliar o diálogo para enfrentar o cenário eleitoral que se desenha para o próximo pleito.
“Eu não decidi se serei candidato ainda. Vai ter uma convenção em junho e eu, para decidir ser candidato, vou ter que apresentar uma coisa nova para esse país”, disse Lula.
Lula admite desafios do governo e aponta necessidade de mudanças
Durante a entrevista, Lula percorreu ações do governo, mas reconheceu que os resultados ainda não foram suficientes para promover mudanças percebidas pela população. O presidente afirmou que o cenário atual exige revisão de estratégias e ampliação de políticas públicas. “Tá tudo ruim ainda”, apontou.
Presidente cita necessidade de reconstrução de aliança política
Ao comentar o cenário eleitoral, Lula afirmou que pretende propor ao PT a reconstrução de uma base política ampla. Segundo ele, essa articulação será essencial para enfrentar adversários e consolidar um projeto eleitoral competitivo.
“Todo mundo sabe que dificilmente eu deixarei de ser candidato, porque vai ter a convenção. Eu vou propor ao PT a necessidade de reconstruir uma aliança política forte para fazer com que os fascistas não voltem a governar esse país”, disse Lula.
A fala indica que, embora evite confirmar a candidatura, o presidente mantém a possibilidade aberta e já articula movimentos internos no partido.
Experiência política e críticas ao cenário nacional
Lula também destacou sua trajetória política como diferencial em uma eventual disputa eleitoral. O presidente afirmou que acumula experiência ao longo dos anos e que isso pode ser um fator relevante no cenário político.
“Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem neste País. Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho neste País. Essa é a vantagem de ser longevo”, declarou.
Ainda durante a entrevista, o presidente fez críticas ao ambiente político nacional, mencionando a presença de irregularidades e a necessidade de melhorar a qualidade da representação política. “O crime organizado está em tudo quanto é lugar, o crime organizado está na política, no futebol, na religião, está em tudo quanto é lugar”, afirmou.
Possível sucessão no PT e articulações internas
Na semana anterior à entrevista, Lula indicou o nome do ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT), como potencial sucessor dentro do partido. Segundo o presidente, Santana deve intensificar agendas pelo país para ampliar visibilidade política.
O movimento é interpretado como parte de uma estratégia do PT para preparar alternativas internas, caso Lula opte por não disputar a reeleição.
Debate sobre bets e atuação do Congresso
Outro tema abordado pelo presidente foi a regulamentação das apostas esportivas. Lula afirmou que defende o fim das bets no Brasil, mas ressaltou que a decisão depende do Congresso Nacional.
“Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional e de uma discussão”, comentou.
O presidente também citou impactos negativos associados ao setor e defendeu maior controle sobre a atividade. Segundo ele, o país enfrenta uma expansão desse tipo de prática. Ele ainda afirmou que o tema exige discussão mais ampla entre os Poderes e destacou a necessidade de reduzir o que classificou como excesso de jogos no país.