‘Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça’, diz Jerônimo ao defender polícia forte e atuação firme do Estado

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o combate à criminalidade deve ser tratado como uma política de Estado, distante de disputas ideológicas, e defendeu uma atuação policial firme, planejada e respaldada pelo devido processo legal. A declaração foi feita em entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (9), na qual o petista abordou os altos índices de violência no Estado e o avanço do crime organizado.

A Bahia entre os estados com maior número absoluto de homicídios do país. Segundo a publicação, o Estado registrou 3.371 homicídios entre janeiro e novembro de 2025, número superior ao de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O levantamento também destaca a presença crescente de facções criminosas armadas, com disputas territoriais em áreas urbanas e periféricas, além da elevada letalidade policial, considerada três vezes acima da média nacional. Diante desse cenário, Jerônimo rejeitou o rótulo de leniência atribuído a governos de esquerda e defendeu uma atuação firme do Estado dentro da lei.

“Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, afirmou o governador, ao rejeitar o rótulo de leniência atribuído a governos de esquerda e defender que o Estado deve agir com firmeza, mas sempre dentro da legalidade.

Violência elevada e cobrança por respostas
Conforme o governador, não há contradição entre repressão qualificada, respeito aos direitos humanos e fortalecimento da polícia. Questionado sobre o fato de a Bahia figurar de forma recorrente entre os estados mais violentos do Brasil, Jerônimo Rodrigues reconheceu a gravidade do problema e afirmou que não se esquiva da responsabilidade.

A matéria também destaca a elevada letalidade policial na Bahia, com uma taxa considerada três vezes maior que a média nacional, além do registro de 1.490 mortes provocadas por policiais em 2025, volume superior à soma de São Paulo e Rio de Janeiro no mesmo período. Esses números embasam a cobrança feita ao governador sobre os rumos da política de segurança pública no estado.

“Eu não nego os dados. Eles existem e nos cobram todos os dias. O Estado não pode agir como bandido. Nosso papel é investigar, prender, entregar à Justiça e garantir que a lei seja cumprida”, afirmou o governador.

De acordo com o petista, enfrentar a violência exige reconhecer o problema e agir com planejamento e inteligência, e não com discursos simplistas ou ideológicos. Para o governador, comparar a ação do Estado com a prática do crime organizado é um erro conceitual grave.

Inteligência policial, tecnologia e controle
Entre as principais estratégias adotadas pelo governo baiano, Jerônimo destacou os investimentos em inteligência policial, formação continuada dos agentes e aquisição de equipamentos. O governador citou ainda o uso de tecnologias como câmeras corporais nas fardas dos policiais, que, em sua opinião, cumprem papel fundamental tanto na proteção dos agentes quanto na segurança da população.

“O agente de segurança é um servidor público e precisa prestar contas dos seus atos à sociedade”, afirmou o petista.

Segundo o governador, mecanismos de controle, como corregedorias e ouvidorias, são fundamentais para reduzir abusos e a letalidade policial, fortalecendo a confiança da população nas forças de segurança.

Estado preparado para enfrentar facções armadas
O governador também abordou o avanço das facções criminosas e o alto poder de fogo desses grupos. Para Jerônimo Rodrigues, o Estado não pode se mostrar fragilizado diante dessa realidade e precisa estar tecnicamente preparado para o enfrentamento.

Conforme o petista, embora prefira direcionar recursos públicos para áreas como educação, cultura e assistência social, a conjuntura impõe a necessidade de equipar adequadamente as forças de segurança. Jerônimo destacou que o uso da força deve ser sempre técnico, planejado e supervisionado, evitando excessos e desvios de conduta.

“Eu não gosto de usar dinheiro para comprar armas em vez de fazer mais teatros, escolas e creches. Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O Estado também precisa ter para enfrentá-lo”, declarou.

Prevenção social e políticas públicas integradas
Além da repressão ao crime, Jerônimo defendeu a integração da segurança pública com políticas sociais voltadas à prevenção da violência. O governador citou a ampliação de escolas em tempo integral, investimentos em saúde, assistência social e programas destinados a jovens em áreas mais vulneráveis.

Para ele, a presença do Estado nesses territórios é fundamental para reduzir a influência do crime organizado e oferecer alternativas à população. Segundo o petista, a segurança pública não se faz apenas com polícia, mas também com oportunidades, serviços públicos de qualidade e ações que promovam desenvolvimento social e inclusão.

Críticas ao governo Bolsonaro e cooperação federativa
Na entrevista, o governador criticou a redução de investimentos federais em segurança pública durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Conforme Jerônimo, a ausência de uma política nacional estruturada e a diminuição de recursos fragilizaram os estados no enfrentamento ao crime organizado.

Ele defendeu maior cooperação entre União, estados e municípios, especialmente no controle de fronteiras, no combate ao tráfico de armas e drogas e na integração dos sistemas de inteligência. Para o governador, cada ente federativo precisa cumprir seu papel para que o enfrentamento ao crime seja efetivo.

Pesquisas eleitorais e cenário político
No campo político, Jerônimo Rodrigues minimizou pesquisas eleitorais desfavoráveis e lembrou que levantamentos erraram em eleições anteriores na Bahia. De acordo com o petista, não existe eleição fácil e o cenário nacional tem influência direta sobre as disputas estaduais.

O governador afirmou que respeita as pesquisas, mas destacou que seu foco, neste momento, está na gestão e na entrega de resultados concretos nas áreas de segurança pública, educação, saúde e infraestrutura.

“Não existe eleição fácil. O que me interessa agora é governar, cuidar da segurança, da educação e da saúde”, disse Jerônimo Rodrigues, acrescentando que o cenário nacional também terá peso decisivo nas disputas futuras.

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