O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou mal durante a madrugada desta terça-feira (6), sofreu uma queda dentro da cela onde está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e bateu a cabeça em um móvel. O episódio foi tornado público pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e confirmado posteriormente pelo médico responsável por seu acompanhamento clínico.
“Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise caiu e bateu a cabeça no móvel. Estou com o médico aguardando o delegado para saber como foram os primeiros socorros”, disse Michelle, em post no Instagram.
De acordo com a ex-primeira-dama, Bolsonaro teve uma crise enquanto dormia, caiu no interior da cela e não recebeu atendimento imediato, já que o local permanecia fechado no momento do ocorrido. O socorro foi prestado mais tarde, quando agentes da Polícia Federal foram até o espaço onde o ex-presidente está custodiado.
Estado de saúde de Bolsonaro após a queda
Após avaliação médica, foi constatado que Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico leve (TCE). Segundo a equipe de saúde, esse tipo de quadro costuma apresentar recuperação do estado mental em até 24 horas, mas exige acompanhamento e observação, devido ao risco de complicações.
O novo problema de saúde ocorreu 6 dias após Bolsonaro ter recebido alta hospitalar. O ex-presidente passou por uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e por procedimentos para tentar controlar um quadro persistente de soluços, que motivou uma sequência de intervenções médicas no fim de 2025.
Queda ocorreu dentro da cela e não houve pedido imediato de socorro
Segundo informações repassadas pela equipe médica, Bolsonaro não acionou os agentes da Polícia Federal logo após a queda. O atendimento só ocorreu mais tarde, quando um policial percebeu um corte no rosto do ex-presidente durante a rotina na unidade. Após a avaliação inicial, o médico responsável recomendou que Bolsonaro permanecesse sob observação, diante da suspeita de traumatismo craniano leve.
Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 22 de novembro, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado, segundo decisão judicial. Desde então, seu estado de saúde tem sido acompanhado por médicos, em razão de complicações decorrentes de cirurgias anteriores e de novos procedimentos realizados no fim de 2025.
Moraes nega remoção imediata de Bolsonaro para exames após ex-presidente ter batido a cabeça
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou nesta terça-feira (6) um pedido de remoção imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para um hospital depois que ele bateu a cabeça durante a madrugada.
Em sua decisão, o ministro citou que o médico da Polícia Federal constatou apenas ferimentos leves no ex-presidente e não identificou a necessidade de encaminhá-lo a um hospital, sendo indicada apenas observação.
“Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal. A defesa, entretanto, aconselhada pelo médico particular do custodiado, tem direito a realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade”, disse o ministro em sua decisão.
Ele determinou que seja juntado o laudo médico da PF decorrente do atendimento de Bolsonaro e que a defesa “indique quais os exames que entende necessários para que se verifique a possibilidade de realização no sistema penitenciário”.
Internação recente durou 9 dias
O ex-presidente retornou à sede da PF na última quinta-feira (1º), após permanecer nove dias internado. Durante esse período, ele foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral, realizada no dia 25 de dezembro, além de outros procedimentos para tentar conter um quadro recorrente de soluços.
A hérnia inguinal ocorre quando tecidos do interior do abdômen atravessam um ponto enfraquecido da parede muscular, formando um abaulamento na região da virilha. Quando afeta os dois lados, recebe o nome de bilateral.
Após a cirurgia principal, a equipe médica decidiu realizar intervenções complementares. No dia 27 de dezembro, Bolsonaro passou por um bloqueio do nervo frênico do lado esquerdo. No dia 29, foi realizado o bloqueio do nervo frênico do lado direito. Já no dia 30, Michelle Bolsonaro informou que o ex-presidente havia sido submetido a uma cirurgia de reforço.
Na última quarta-feira (31), Bolsonaro realizou uma endoscopia, exame que apontou a persistência de esofagite e gastrite, segundo informações divulgadas à época.
Defesa pediu prisão domiciliar, mas STF negou
Ainda durante a internação, a defesa do ex-presidente protocolou pedido no Supremo Tribunal Federal para que Bolsonaro cumprisse a pena em prisão domiciliar, sob o argumento de necessidade de cuidados médicos contínuos. O requerimento, no entanto, foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Com a alta hospitalar, Bolsonaro foi conduzido em uma viatura da Polícia Federal do hospital até a Superintendência da PF, em Brasília. O deslocamento, de aproximadamente 2 quilômetros, durou seis minutos, e o comboio entrou por uma portaria lateral da unidade.
Quadro atual inspira atenção, dizem médicos
Após o novo episódio registrado nesta terça-feira, a equipe médica informou que o ex-presidente apresenta quadro compatível com traumatismo craniano leve, situação que demanda acompanhamento, mesmo quando não há sinais imediatos de gravidade. Até o momento, não foram divulgados boletins oficiais sobre a necessidade de nova internação hospitalar.
Segundo Michelle Bolsonaro, ela aguardava informações da Polícia Federal e dos médicos sobre como foram prestados os primeiros socorros e quais serão os próximos procedimentos adotados. O estado de saúde de Jair Bolsonaro, desde a prisão, tem sido acompanhado de perto por aliados e familiares, especialmente após a sequência de cirurgias, exames e intercorrências clínicas registradas nas últimas semanas