Na espera por um acordo para poder atravessar a fronteira com o Egito e escapar da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, o brasileiro Hasan Said Rabee diz que a situação na Faixa de Gaza a “cada dia fica pior”.
Ele, a mulher e as duas filhas de três e seis anos estão hospedados na casa de parentes em Khan Yunis, ao sul do território. “Estamos sem luz, e água só tem salgada [para beber]”, afirma. Ele completa também que “a comida está acabando”.
“Não temos previsão de quando vamos sair. Está muito perigoso aqui”, lamenta Hasan, em conversa com a coluna por mensagem de celular.
Ele diz fazer parte do grupo de brasileiros que pediu ao Itamaraty para ser retirado da Faixa de Gaza e que espera um acordo para que o Egito permita a entrada dos refugiados, além da anuência dos israelenses de seu lado da fronteira.
Nesta segunda (16), porém, o governo de Israel negou ter firmado um cessar-fogo temporário com o grupo terrorista Hamas para a retirada de civis da região.
A saída dos brasileiros é negociada pela cidade de Rafah, que fica na fronteira entre a península do Sinai, no Egito, e a Faixa de Gaza.
Após deixar o local, eles deverão ser transportados por um avião Embraer-190 da Presidência, que foi deslocado para Roma e aguarda autorização para pousar no aeroporto de Al Arish, no Egito, a 45 km de Rafah.
Nascido em Gaza, Hasan Rabee teve de fugir da região em 2014, quando as forças israelenses lançaram a operação Margem Protetora para destruir foguetes e túneis usados pelos terroristas.
No Brasil, ele recebeu o status de refugiado e arrumou emprego na cidade de São Paulo como vendedor de acessórios para celulares. Hasan afirma ter também cidadania brasileira.
Há 15 dias, ele voltou a Gaza para visitar parentes. Acabou surpreendido pelo confronto e ficou encurralado. Agora, teme pela vida da esposa e das filhas.
Mesmo antes do conflito, água potável já era um problema no território. Devido à extração excessiva do aquífero costeiro e à infiltração pela água do mar e esgotos, a água da torneira em Gaza é salgada, poluída e imprópria para beber.
O problema se agravou na guerra com a decisão de Israel de cortar o abastecimento na região.
Mônica Bergamo/Folhapress