Na tentativa de reduzir os danos, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou na sexta-feira (25) as plataformas retirarem publicações que criticam o senador. A decisão é uma tentativa de minimizar os danos na campanha de seu aliado, que já estava sendo explorada na disputa eleitoral.
Mendonça classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e determinou que os provedores atuem preventivamente contra sua disseminação. As redes também devem tornar indisponíveis, de imediato, novas reproduções da mentira, sem necessidade de outra ordem judicial específica.
O magistrado fixou multa diária de R$ 50 mil para cada provedor que descumprir a decisão. As empresas terão 48 horas para informar as providências adotadas e o número de conteúdos removidos; posts jornalísticos ou destinados a desmentir a informação falsa não entram na determinação.
Flávio divulgou um vídeo na noite de quinta-feira (24) para negar a acusação e voltou ao tema na sexta. “Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto”, disse. Pela manhã, afirmou que não há “absolutamente nada de concreto, nem projeto” e declarou: “Jamais faria isso”.
Repercussão começou com projeto de aliado
Um projeto para retirar o título de “Padroeira do Brasil” de Nossa Senhora Aparecida chegou a ser apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que mais tarde atuou como assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro. O Congresso arquivou a proposta no ano seguinte.
O caso ganhou tração após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, mencionar uma reação de setores da Igreja Católica a evangélicos que tentariam destituir Aparecida da condição de padroeira. Horas depois, a emissora emitiu um comunicado afirmando que a referência era ao projeto arquivado quase duas décadas antes, mas não desmentiu que a ideia segue em discussão em grupos religiosos.
Perfis também passaram a compartilhar um trecho de vídeo gravado por Flávio em 23 de agosto, quando ele justificou a ausência em um debate da TV Bandeirantes. Na gravação, o candidato disse: “Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Levantamento da empresa Palver apontou que 37% das mensagens sobre o caso o consideraram verdadeiro, com reações de indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio. O pico ocorreu na sexta-feira (25), com 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes sociais e 15 a cada 100 mil em WhatsApp e Telegram.