Desde antes das eleições municipais de 2024, moradores da comunidade quilombola de Tabuleiro da Vitória, em Cachoeira, aguardam a recuperação da Estrada do Moinho — única via de ligação entre o Engenho Vitória e o centro da cidade. A estrada permanece totalmente obstruída, dificultando o tráfego de veículos e colocando em risco a mobilidade de agricultores, marisqueiros, feirantes e famílias que dependem do caminho para atividades básicas do dia a dia.
Agricultores, feirantes, marisqueiros e quilombolas seguem isolados pela falta de manutenção na Estrada do Moinho
Atualmente, só é possível atravessar o trecho a pé ou em animais, pois o acúmulo de buracos e cascalho torna impossível o uso de motos e carros. A situação afeta diretamente centenas de famílias que vivem da agricultura e do comércio local.
Promessa não cumprida e prejuízos
Segundo relatos da comunidade, pouco antes da última eleição, um candidato a vereador articulou com um proprietário local a doação de cascalho para o reparo da estrada. No entanto, o que parecia uma solução se transformou em mais um problema. As máquinas enviadas ao local removeram uma quantidade excessiva de cascalho — muito além do necessário — destruindo cerca de 100 metros de cerca da propriedade do doador e promovendo um desmatamento significativo sem autorização.
Dias depois, as máquinas foram retiradas e o serviço sequer foi iniciado. Desde então, a estrada permanece intransitável, com sérios riscos de acidente, especialmente nas áreas de descida com grande desnível.
Sem resposta oficial
Além dos danos ao meio ambiente e ao proprietário que fez a doação, a Prefeitura de Cachoeira nunca emitiu um pronunciamento oficial sobre o caso. Lideranças comunitárias têm buscado apoio da Câmara de Vereadores para resolver a situação, mas até o momento nenhuma medida concreta foi tomada.
Moradores afirmam, em conversas informais, que a paralisação da obra tem origem em rivalidades políticas locais. “O mesmo governo que investiu R$ 10 milhões para asfaltar a ligação entre a BR e o Tabuleiro, agora se recusa a investir sequer o mínimo para recuperar o que ele mesmo destruiu”, dizem alguns moradores, inconformados com o abandono.