Eduardo Bolsonaro declara apoio a ACM Neto e defende união da direita na Bahia: “Vamos tirar o PT daí”

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou apoio ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) para as eleições na Bahia e afirmou acreditar que o nome do União Brasil aparece como favorito na disputa pelo governo do estado. Eduardo Bolsonaro defendeu o voto útil contra o PT e criticou a possibilidade de eleitores anularem o voto.

“O voto nulo não vai resolver nada, o PT você pode descartar. Então, você gostando ou indo por um processo de exclusão, você vai chegar em ACM Neto”, afirmou.

O ex-parlamentar comparou a escolha eleitoral a uma decisão prática do cotidiano e disse que a política “é a arte do possível”. “A política é interessante porque eu sei que vai ter gente que vai torcer o nariz. Mas não adianta torcer o nariz. Tem arroz e tem feijão. Vai querer o quê? Então eu acho que é muito disso daí”, declarou.

Eduardo Bolsonaro também avaliou o cenário da eleição de 2022 na Bahia e afirmou que, na visão de aliados, uma aliança entre ACM Neto e João Roma poderia ter alterado o resultado da disputa vencida pelo governador Jerônimo Rodrigues.

“Alguns amigos da Bahia falam que, se tivesse feito um acordo com o João Roma, ele performou exatamente aquilo que faltou para o ACM Neto ganhar no primeiro turno, e isso acabou abrindo margem para a vitória do Jerônimo no segundo turno”, disse.

O ex-deputado afirmou ainda que acompanha uma reaproximação entre ACM Neto e João Roma, o que, segundo ele, fortalece as chances eleitorais da oposição no estado. “ACM Neto voltou a ter uma boa relação com o João Roma, pelo menos é o que eu tenho acompanhado. Então isso daí faz com que tenha realmente uma possibilidade grande da eleição de ACM Neto”, afirmou.

Eduardo Bolsonaro também fez críticas ao Movimento Brasil Livre (MBL) ao comentar o voto nulo e voltou a defender a união de forças políticas de direita na Bahia. “A política é a arte do possível. Então, na Bahia, ACM Neto, e vambora tirar o PT daí, dar esse grande passo para retirar o PT do coração do Brasil, que é aí na Bahia”, concluiu.

PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro no STF por suposta coação contra ministros da Corte

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira (11) nas alegações finais enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que apura a atuação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto a autoridades dos Estados Unidos.

Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro teria tentado pressionar integrantes do Judiciário brasileiro por meio de articulações internacionais, em reação ao julgamento da chamada trama golpista, processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro já foi condenado.

PGR acusa Eduardo Bolsonaro de tentar constranger ministros do STF

No documento enviado ao Supremo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que o ex-deputado atuou de forma “continuada” para intimidar ministros da Corte e interferir no andamento das investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. De acordo com a manifestação da PGR, Eduardo Bolsonaro buscou apoio do governo norte-americano para estimular medidas como sanções diplomáticas, suspensão de vistos e até sobretaxas contra produtos brasileiros. Para a Procuradoria, a atuação extrapolou os limites da atuação política e passou a configurar prática criminosa.

“O inconformismo do réu materializou-se em atos concretos de hostilidade e promessas efetivadas de retaliação internacional, com o objetivo claro de paralisar as persecuções penais em curso, o que preenche integralmente os requisitos do tipo penal imputado”, afirmou Paulo Gonet nas alegações finais encaminhadas ao STF.

Ainda segundo o procurador-geral, Eduardo Bolsonaro utilizou a “força intimidatória” para tentar alterar o resultado do processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Processo envolve acusações ligadas à trama golpista

A denúncia foi aceita pelo STF em novembro do ano passado. O caso investiga a atuação do ex-parlamentar em articulações políticas e diplomáticas nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras.

A Procuradoria afirma que Eduardo Bolsonaro utilizou entrevistas, redes sociais e contatos políticos internacionais para defender punições ao Brasil e a ministros do Supremo, em uma tentativa de beneficiar o pai no julgamento relacionado aos atos antidemocráticos. Segundo a acusação, as ações tiveram impactos concretos sobre setores econômicos brasileiros após ameaças de sobretaxas e sanções comerciais.

“A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”, destacou Paulo Gonet.

O procurador também argumentou que as condutas do ex-deputado ultrapassaram o direito à divergência política. “Transcendeu a fronteira da discordância democrática para ingressar na seara da criminalidade”, afirmou o chefe da PGR.

Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde 2025

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o início de 2025. O ex-parlamentar perdeu o mandato na Câmara dos Deputados após acumular faltas às sessões legislativas. Como não constituiu advogado para atuar no processo, a defesa ficou sob responsabilidade da Defensoria Pública da União (DPU). Durante a tramitação da ação, a DPU alegou que as declarações do ex-deputado estariam protegidas pela imunidade parlamentar.

O ex-deputado foi citado oficialmente por edital e chegou a ser convocado para prestar depoimento por videoconferência. No entanto, ele não compareceu à audiência de instrução, considerada uma etapa destinada à apresentação da versão do réu. Apesar da ausência não ser obrigatória, a falta foi registrada nos autos do processo.

Julgamento pode ser marcado pela Primeira Turma do STF

Com o encerramento da fase de alegações finais, o processo agora está pronto para julgamento pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Os ministros irão decidir se Eduardo Bolsonaro será absolvido ou condenado pelo crime de coação no curso do processo.

A acusação da PGR ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022 e amplia a pressão jurídica sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright 2015 Reconcavo Online

Anuncie Conosco