Na última quinta-feira, dia 15, um apiário inteiro, de 12 colmeias superpopulosas, com cerca de um milhão e duzentos mil abelhas, foi totalmente exterminado no distrito do Alecrim, área rural próxima a Cachoeira. Importante destacar que Cachoeira sempre esteve na lista dos municípios que compõem o ranking da produção de mel do estado.
– Nunca vi uma coisa dessas em 40 anos de atividade apícola, disse Gustavo Falcon, ex-presidente da Federação das Associações de Apicultores da Bahia, FAABa, fundador da Associação de Apicultores do Recôncavo e tradicional criador da região com apiários no Alecrim e na região do Tabuleiro da Vitória.
– Trata-se da morte em massa de milhares de insetos de um dia para o outro, numa área que desconhece o uso de herbicidas e outros agrotóxicos exatamente por se tratar de zona preferencialmente explorada por pequenos agricultores e sitiantes.
A suspeita é de que algumas fazendas da vizinhança do apiário tenham feito uso de venenos a base de glifosato ou qualquer outro herbicida de grande toxicidade em suas pastagens, provocando esse grande morticínio.
O apicultor documentou o envenenamento, já recolheu amostras por congelamento de todos os enxames exterminados e comunicou o incidente a Associação de Apicultores do Recôncavo, a representação local da Associação de Defesa Agropecuária da Bahia, ADAB, a Secretaria do Meio-Ambiente da Prefeitura Municipal e ao Conselho Municipal do Meio-Ambiente, que vão analisar as amostras e identificar a causa da morte.
– Após as conclusões dos órgãos competentes, vamos tomar as providencias necessárias tanto para reparar o prejuízo quanto para ampliar a fiscalização em Cachoeira, cidade que possui dezenas de apicultores e meliponicultores e cujo mel orgânico é bastante apreciado e consumido em toda a região do Recôncavo, disse o decano da apicultura, Gustavo Falcón, responsável pela introdução e desenvolvimento da atividade na região.
– Sabemos que as abelhas são as primeiras a sentirem os efeitos nefastos dos agrotóxicos. Funcionam como uma espécie de sensores. Então, é preciso regular o uso e coibir o abuso de insumos químicos, por seus efeitos negativos para a natureza e para a saúde humana. Sobretudo numa cidade que tem uma base predominante de pequenos produtores de alimentos e que podem acabar fortemente impactados pelas consequências nocivas do envenenamento. Vejam o Vídeo: