O Hospital DF Star confirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será submetido a uma cirurgia, nesta quinta-feira (25), às 9h, em uma unidade hospitalar de Brasília. O procedimento está agendado para tratar uma condição de saúde já previamente diagnosticada e acompanhada por equipe médica.
Segundo a nota oficial divulgada, na tarde desta última quarta-feira (24) , Bolsonaro já realizou os exames pré-operatórios, incluindo avaliação cardiológica e de risco cirúrgico, e foi considerado apto para a cirurgia de hérnia inguinal bilateral, procedimento que requer técnica cirúrgica específica e anestesia geral. A previsão de duração é de aproximadamente quatro horas.
Procedimento e estratégias de anestesia
De acordo com os médicos responsáveis, o procedimento será feito sob anestesia geral, e está prevista uma avaliação adicional para o chamado bloqueio anestésico do nervo frênico. Essa estratégia é usada em situações específicas para reduzir episódios de soluço ou desconforto respiratório e será analisada durante a internação conforme a evolução clínica do paciente.
“O bloqueio anestésico do nervo frênico será avaliado durante a internação, a depender da evolução do pós-operatório e condição clínica”, afirmou o cirurgião-geral Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento médico do ex-presidente.
Esse tipo de bloqueio pode interromper temporariamente a função do diafragma, sendo útil em casos de soluços persistentes decorrentes de alterações gastrointestinais. O quadro atual de Bolsonaro é associado a desdobramentos da facada sofrida em 2018, que passou por várias intervenções e complicações ao longo dos anos.
Internação e vigilância
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação relacionada à trama golpista, e teve autorização para o procedimento concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A liberação do procedimento decorreu de avaliação médica da Polícia Federal, que elencou a correção cirúrgica como necessária para evitar agravamentos no quadro clínico.
O ex-presidente foi internado por volta das 9h30 desta quarta-feira, acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro, e está sob vigilância rigorosa. A segurança inclui monitoramento 24 horas por dia, com dois agentes permanentes na porta do quarto e equipes suplementares no entorno do hospital, conforme determinação judicial também assinada por Moraes.
O que é a hérnia inguinal bilateral
A hérnia inguinal — conhecida popularmente como hérnia na virilha — ocorre quando tecidos internos do abdômen, geralmente uma porção do intestino, atravessam um ponto enfraquecido da parede abdominal, formando um abaulamento visível na região inguinal. Quando o deslocamento ocorre de ambos os lados da virilha, a condição recebe o nome de hérnia inguinal bilateral.
Clinicamente, esse quadro pode causar dor, inchaço ou desconforto, especialmente ao realizar esforços físicos, tossir ou permanecer longos períodos em pé, embora em muitos casos a condição seja assintomática até ser agravada por esforço ou envelhecimento das estruturas abdominais. Peritos que analisaram o caso de Bolsonaro observaram que, apesar da necessidade de correção cirúrgica, não há indicação de caráter de urgência ou emergência, mas sim de prudência médica para evitar complicações futuras.
Técnicas cirúrgicas possíveis
A correção da hérnia inguinal pode ser feita por duas técnicas principais: videolaparoscopia ou cirurgia aberta, dependendo da complexidade do caso, histórico de cirurgias anteriores e condições clínicas específicas do paciente. Na videolaparoscopia, o cirurgião introduz uma câmera tridimensional na cavidade abdominal por pequenas incisões, permitindo visualizar as estruturas internas, liberar aderências e recolocar o intestino na posição correta.
Em seguida, é instalada uma tela de malha (mesh) para reforçar a aponeurose, a membrana que fornece sustentação à parede abdominal. Com o tempo, o organismo forma tecido fibroso ao redor dessa tela, reduzindo o risco de recidiva da hérnia.
Já na cirurgia aberta, mais comum em casos complexos ou em pacientes com múltiplas cirurgias prévias, o cirurgião faz uma incisão maior para acessar manualmente as alças intestinais, realizar reparos e reforçar a musculatura com suturas ou telas de sustentação, conforme necessário.