O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), minimizou, nesta terça-feira (13), as declarações do senador Jaques Wagner (PT-BA), sobre a formação da chapa majoritária para as eleições de outubro. Ao comentar a tese da “Chapa Puro-Governador” — que sugere uma majoritária formada exclusivamente por petistas (ele próprio, Wagner e o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa) —, o atual chefe do Executivo pregou cautela e pragmatismo.
As declarações de Jerônimo ocorrem após o senador baiano voltar a comentar, nesta última segunda-feira (12), a possibilidade da chapa governista que disputará as eleições deste ano ser formada pelos três últimos chefes do Executivo baiano. Com isso ficaria de fora o senador Angelo Coronel (PSD), que assim como Wagner, busca a reeleição.
Cautela e diálogo
Jerônimo Rodrigues foi diplomático, mas firme ao reivindicar seu papel de condutor do processo sucessório. Embora tenha respeitado a opinião de Wagner, o governador sinalizou que a prioridade não é a cor partidária da chapa, mas sua viabilidade eleitoral e a manutenção da coalizão.
“O senador Wagner, os deputados, senadores, podem se pronunciar. Eu, na condição de líder desse grupo, preciso ter a tranquilidade para poder conduzir. Nós estamos construindo a chapa para que não exista cavalo de batalha”, declarou Jerônimo
Para o governador, a estratégia deve ser macro: garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a sua própria recondução ao Palácio de Ondina e a vitória em duas vagas para o Senado.
“Não é quem vai ser, é a composição de uma chapa competitiva e que nosso grupo não se desuna”, reforçou, tentando afastar a imagem de um PT voraz que ignora o espaço dos aliados.
Engenharia para segurar o PSD
O grande nó cego da articulação é o senador Angelo Coronel (PSD). Com o desejo do PT de lançar Rui Costa e Jaques Wagner para as duas vagas do Senado, Coronel ficaria sem espaço para tentar a reeleição na chapa oficial. O risco do PSD, partido que detém o maior número de prefeituras na Bahia, migrar para a oposição ou lançar candidatura isolada é o maior pesadelo estratégico de Jerônimo.
Para solucionar o impasse “sem briga”, como definiu Wagner, o PT apresentou uma proposta: oferecer a primeira suplência de Jaques Wagner a Angelo Coronel. O plano de bastidor prevê que, após a vitória, o petista assumiria um cargo de destaque em um eventual novo ministério de Lula em 2027, abrindo caminho para que Coronel assumisse o mandato de senador por 8 anos.
“Eu realmente perguntei se ele toparia vir para a suplência. Não tem por que a gente brigar só pelo direito de ele ser candidato”, afirmou Wagner, atual líder do governo Lula no Senado, indicando que a proposta já está na mesa do PSD.
Reforma no secretariado
Além das definições da chapa majoritária, Jerônimo Rodrigues confirmou que a máquina estadual passará por ajustes técnicos e políticos até o final deste mês. A reforma no secretariado é impulsionada pela legislação eleitoral, que exige o afastamento de auxiliares que pretendem disputar cargos no pleito de outubro.
O governador planeja uma reunião de colegiado para mapear as intenções de cada secretário:
Janeiro: Primeira rodada de substituições para acomodar novos aliados e liberar candidatos.
Carnaval: Prazo limite para ajustes residuais.
“O objetivo é organizar o governo com antecedência. Se ficar algum ajuste para depois, até o Carnaval a gente fecha o restante”, completou Jerônimo.
Essa mudança nas pastas também servirá para calibrar a participação dos partidos da base (como MDB, PSB e o próprio PSD), distribuindo espaços que reflitam o peso de cada legenda na futura campanha.