O governador Jerônimo Rodrigues (PT) voltou a minimizar, na manhã desta quarta-feira (26), no Jardim de Alah, as recentes movimentações políticas envolvendo parlamentares que deixaram a base governista na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) para apoiar o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo, ACM Neto (União Brasil). Mesmo diante das baixas, como a saída do seu vice-líder, Cafu Barreto (PSD), e do deputado estadual Nelson Leal (PP), Jerônimo afirmou estar “confiante” na recomposição interna e garantiu que as divergências serão tratadas dentro do próprio grupo.
“Não empurramos ninguém que está aí se movimentando. Se temos críticas, fazemos dentro do movimento. Movimento este que surgiu com Wagner e passou por Rui”, disse o governador durante o lançamento da Operação Verão 2025/2026, ao reforçar que as saídas não foram estimuladas pelo governo.
Disputa por vagas ao Senado e manutenção da unidade
Um dos pontos sensíveis dentro da base é a disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa majoritária. Os nomes do senador Jaques Wagner (PT), do ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) e do também senador Angelo Coronel (PSD) seguem colocados para 2026, o que tem provocado tensões internas. Jerônimo reconheceu a complexidade do cenário, mas garantiu que a unidade será preservada.
A formação de uma chapa puro-sangue, apenas com nomes do PT, faria com que Coronel fosse alijado do grupo, o que poderia gerar uma fissura na base do governador para o pleito de 2026. O governador, no entanto, mostrou-se confiante de uma solução para a questão.
“Vamos encontrar uma saída com relação ao Senado. É da política. Não vamos abrir mão da unidade do grupo e de uma chapa competitiva”, afirmou.
O governador ressaltou que, apesar das movimentações, o foco da gestão permanece em “entregar resultados concretos” à população. Segundo ele, o debate político natural não compromete o ritmo administrativo.
“Nós estamos trabalhando dia e noite e o povo quer trabalho. A política observa, mas o povo enxerga quem está entregando”, disse.
Governo mantém ritmo de entregas em segurança, saúde e infraestrutura
Ainda em entrevista, Jerônimo destacou que a Bahia segue recebendo investimentos contínuos, especialmente em áreas como segurança pública, saúde e infraestrutura. A Operação Verão, lançada no evento, reforçará a presença policial em regiões turísticas até abril de 2026, com novas viaturas, policiamento especializado e ampliação de efetivo.
Além disso, o governador citou avanços anunciados na área da saúde, como novos serviços de combate ao câncer e a criação do Hospital Baiano de Oncologia, que será instalado em Feira de Santana, ampliando a capacidade de atendimento no interior.
Segundo ele, esses projetos demonstram que o governo segue “firme e focado no trabalho”, independentemente do ambiente político.
Empréstimos: Jerônimo defende política de captação e rebate críticas da oposição
Também durante o evento, Jerônimo voltou a defender os empréstimos autorizados pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Ele afirmou que o Estado só avança em operações financeiras quando há “condições adequadas” e os recursos são fundamentais para destravar obras de infraestrutura, habitação e mobilidade.
“Só passa na Assembleia e só sai do governo do Estado quando a gente tem condições adequadas. Se estamos tomando empréstimo, é porque queremos investir mais”, explicou.
O governador comparou o momento atual com o período em que o ex-governador Rui Costa ficou impedido de contratar financiamentos, segundo ele, por “boicote” do governo federal da época. Jerônimo também destacou que as operações passam por múltiplas instâncias de controle, como o Ministério da Economia, o governo federal e o Senado, onde há oposição atuante.
“Se tivesse algum problema, quem diria seria o governo federal ou o Senado. A Bahia está saudável e dentro das regras”, afirmou.
Oposição critica e fala em ‘endividamento sem precedentes’
As declarações ocorrem em meio às críticas do líder da oposição na AL-BA, deputado Tiago Correia (PSDB), que acusa Jerônimo de empurrar a Bahia para um “endividamento sem precedentes” ao solicitar o 22º empréstimo de sua gestão, no valor de R$ 650 milhões. Segundo a oposição, o montante da dívida estadual se aproxima de R$ 26 bilhões.
De acordo com Correia, o governo faz empréstimos para cumprir promessas assumidas “sem lastro financeiro” e que muitas dessas obras não sairão do papel devido à demora nos trâmites. “As promessas vão ficar no vazio”, disse.
Jerônimo e ACM Neto seguem em empate técnico em nova pesquisa para governo da Bahia
A disputa pelo Governo da Bahia em 2026 segue indefinida. Segundo nova pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta quarta-feira (26), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, seguem em empate técnico. Embora o levantamento estimulado mostre o ex-prefeito de Salvador numericamente à frente, a margem de erro mantém ambos dentro de um quadro de forte competitividade eleitoral.
Pesquisa mostra vantagem numérica de ACM Neto, mas disputa permanece aberta
De acordo com a sondagem, Neto aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Jerônimo registra 35%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, o cenário reduz a distância real entre os dois, especialmente quando observado o histórico recente das pesquisas. No levantamento anterior, realizado em setembro, o ex-prefeito marcava 40%, contra 36% do petista.
No cenário espontâneo — em que o entrevistado responde sem a apresentação de nomes — a diferença se estreita ainda mais. ACM Neto registra 12% das menções, enquanto Jerônimo aparece com 9%. O ministro da Casa Civil, ex-governador Rui Costa (PT), também é lembrado, com 2%, reforçando a presença de figuras do grupo governista entre as percepções iniciais do eleitorado.
Os números confirmam que, mesmo após quase 3 anos de governo, Jerônimo enfrenta dificuldades para ampliar sua base de apoio popular. Enquanto ACM Neto mantém alta lembrança e segue competitivo, mesmo fora do Executivo.
Cafu Barreto diz que números refletem ‘sentimento das ruas’
O deputado estadual Cafu Barreto (PSD), aliado de ACM Neto, comemorou o novo resultado e afirmou que a pesquisa traduz o que considera um desejo crescente de mudança no Estado. Para o ex-vice-líder governista na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a diferença de nove pontos na pesquisa estimulada demonstra que a oposição ganha fôlego num momento pré-eleitoral.
“Nós ainda estamos começando a conversar com o povo. Nem começamos a fazer política ainda. Diferente do governador, que está há quase 3 anos fazendo campanha”, declarou Cafu.
Segundo o parlamentar, o grupo oposicionista vive uma fase de articulação e ainda não colocou sua estrutura completa em campo. Para ele, quando o período eleitoral se aproximar e o tempo de rádio e TV for igualado entre os grupos, o ritmo da disputa mudará significativamente.
“Quando o jogo começar de verdade, aí o pau vai quebrar. Nosso time está com vontade, com a verdade e ansioso para ir às ruas”, disse.
O deputado comparou o momento atual com a eleição de 2022, quando a oposição também cresceu nas pesquisas durante o período pré-campanha. “Há um clamor por mudança. A esperança está mais viva do que nunca”, concluiu.
Nelson Leal fala em ‘virada política’
Outro novo aliado de ACM Neto, o deputado estadual Nelson Leal (PP), agora coordenador-geral do grupo oposicionista, também comentou os números. Para ele, o levantamento confirma uma trajetória de crescimento do ex-prefeito de Salvador e evidencia desgaste do grupo governista.
“Mesmo sem estar na cadeira de governador, ACM Neto já abriu uma diferença de nove pontos percentuais sobre Jerônimo, nesta mesma pesquisa. Embora eu ache que a diferença real é muito maior”, afirmou o parlamentar.
De acordo com Leal, o recorte espontâneo, embora mais enxuto, reforça a tendência observada no cenário estimulado. “Quando o entrevistado cita o nome sem cardápio, isso mostra força natural. E mesmo assim Neto aparece à frente”, disse.
O deputado avaliou ainda que o Estado atravessa um momento de transição política. “A Bahia precisa de mudança, o sentimento está cada vez mais claro. Imagina: sem ser governador, Neto aumenta sua distância para o atual governador, algo nunca visto antes”, declarou.