Lula pede retirada total de sigilo sobre Banco Master: “quem não deve não teme” 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou, nesta sexta-feira (11), a favor da retirada do sigilo das investigações sobre o Banco Master. Em publicação nas redes sociais, o petista afirmou que “o povo brasileiro precisa saber de toda a verdade” e anexou uma foto com a frase: “Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme”.

Ainda nesta sexta-feira (11), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça, relator do processo, libere em até 24 horas todas as informações envolvendo o inquérito para Fachin e os demais ministros. Apesar do levantamento do sigilo, devem permanecer restritos apenas os documentos referentes a diligências que estejam em andamento ou ainda serão realizadas e cuja divulgação possa comprometer a efetividade das medidas.

Daniel Vorcaro está preso desde 17 de novembro de 2025, quando foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, ao embarcar para o exterior. O ex-dono do Banco Master é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, entre outros crimes. O escândalo envolve nomes importantes da política brasileira, como os ministros do STF Alexandre de Moraes e o próprio André Mendonça, Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, as lideranças do Senado e da Câmara Davi Alcolumbre e Hugo Motta, Mario Frias, Lula, e mais.

Após pressão, Mendonça amplia quebra de sigilo e libera processos sobre Flávio Bolsonaro, Jaques Wagner e Ciro Nogueira

André Mendonça ampliou a retirada de sigilo do caso Master após a Procuradoria-Geral da República questionar a divulgação parcial dos procedimentos relacionados às investigações.

53 procedimentos vinculados às apurações serão tornados públicos após decisões tomadas entre quinta (10) e sexta-feira (11).

Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Cláudio Castro e Jaques Wagner estão entre os políticos citados nos processos alcançados pela nova decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal.

Edson Fachin havia dado prazo de 24 horas para Mendonça disponibilizar os procedimentos ligados à Petição 15.556 e à Operação Compliance Zero, preservando diligências que possam ser prejudicadas pela divulgação.

PGR argumentou que a primeira relação de documentos era incompleta e poderia gerar uma percepção equivocada sobre a transparência e a extensão das investigações do caso Master.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou, na noite desta sexta-feira (11), a retirada de sigilo de documentos relacionados ao caso Master, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) questionar a divulgação parcial dos procedimentos. A nova decisão inclui processos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), e o senador e candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT-BA), além de outros investigados.

De acordo com informações do G1, Mendonça atendeu ao pedido da PGR e retirou o sigilo de 18 processos relacionados ao caso Master. Além disso, o ministro determinou a abertura de outros 20 processos, ampliando o conjunto de documentos que poderão ser consultados. Com as decisões tomadas ao longo desta quinta-feira (10) e sexta-feira (11), o total chega a 53 procedimentos vinculados às apurações que serão tornados públicos.

A ampliação ocorre poucas horas depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinar que Mendonça disponibilizasse, em até 24 horas, os procedimentos relacionados à Petição 15.556 e à Operação Compliance Zero, ressalvadas diligências em andamento ou futuras cuja divulgação pudesse comprometer sua efetividade. A decisão de Fachin havia atendido a uma solicitação da PGR, que considerou incompleta a primeira relação de documentos disponibilizada pelo relator.

 

PGR questionou divulgação parcial dos autos

A controvérsia começou depois de Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo do procedimento principal do caso Master e de outros processos relacionados às investigações. A medida havia sido tomada após solicitação de Fachin, mas a PGR apontou que parte significativa dos procedimentos ligados à investigação mais ampla permanecia fora da relação divulgada.

Na manifestação enviada ao presidente do STF, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que a ausência desses documentos poderia comprometer a compreensão sobre a extensão das apurações.

“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero”, informou a PGR.

A PGR também sustentou que a divulgação incompleta poderia produzir uma percepção equivocada sobre a transparência do caso. “Fato que, embora se suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência […] perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”, afirmou o órgão.

Diante da manifestação, Fachin determinou que Mendonça encaminhasse aos demais ministros os procedimentos relacionados à investigação. O presidente do STF estabeleceu como exceção apenas diligências em andamento ou que ainda serão realizadas e cuja publicidade pudesse prejudicar a efetividade das medidas.

 

Documentos envolvem Flávio Bolsonaro e filme Dark Horse

Entre os novos procedimentos que tiveram o sigilo retirado está uma investigação envolvendo Flávio Bolsonaro. O parlamentar é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação foi autorizada em julho por André Mendonça, após solicitação da Polícia Federal. O procedimento apura possíveis crimes relacionados à forma como recursos teriam sido destinados à produção cinematográfica. A existência da investigação não significa, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha cometido crime, e as circunstâncias seguem sob apuração.

O caso do filme se conecta a outras frentes da investigação do Banco Master e envolve movimentações financeiras que passaram a ser analisadas pelas autoridades. Parte das informações relacionadas a essa frente havia permanecido sob sigilo na primeira decisão de Mendonça, mas a nova liberação amplia o acesso aos documentos.

Além de Flávio Bolsonaro, a nova relação inclui processos relacionados ao senador Ciro Nogueira, ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e ao senador Jaques Wagner. A liberação permite que os documentos dessas diferentes frentes sejam consultados, embora a abertura dos autos não represente conclusão sobre eventuais responsabilidades dos investigados.

 

Moraes e Zanin haviam pedido acesso ampliado

Antes da nova decisão de Mendonça, outros integrantes do STF também haviam se manifestado sobre o acesso aos documentos. O ministro Alexandre de Moraes defendeu o levantamento integral do sigilo dos procedimentos relacionados ao caso Master e criticou a disponibilização parcial do material.

Segundo Moraes, 180 documentos e arquivos digitais não haviam sido incluídos no conjunto inicialmente disponibilizado aos integrantes da Corte. O ministro argumentou que o acesso parcial poderia dificultar a análise completa dos fatos investigados e pediu que os procedimentos fossem liberados de forma ampla.

O ministro Cristiano Zanin também encaminhou pedido a Fachin. Ele solicitou acesso a uma mídia específica relacionada às investigações e afirmou que o material seria necessário para a análise de requerimentos apresentados pela PGR que deverão ser examinados pelo tribunal. Zanin também sustentou que a mídia estaria abrangida pelas determinações anteriores de compartilhamento dos autos.

 

53 procedimentos serão disponibilizados

Com a nova decisão, o conjunto de documentos relacionados ao caso Master que será tornado público chega a 53 procedimentos. A ampliação inclui processos que não haviam sido liberados na primeira decisão e alcança diferentes frentes da investigação conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero. A retirada do sigilo, contudo, não significa necessariamente que todo o conteúdo de cada procedimento esteja disponível sem qualquer restrição. A determinação de Fachin preservou a possibilidade de manutenção do sigilo sobre diligências que estejam em andamento ou que ainda serão realizadas, quando a publicidade puder comprometer a eficácia das medidas.

Mendonça havia afirmado anteriormente que a manutenção de determinados documentos sob sigilo estava relacionada justamente à necessidade de preservar investigações em andamento e informações pessoais de investigados. Com a nova decisão, o ministro ampliou significativamente o conjunto de materiais liberados, atendendo ao pedido feito pela PGR.

 

STF terá sessão extraordinária na terça-feira (15)

A divulgação dos novos documentos ocorre poucos dias antes da sessão extraordinária do STF marcada para terça-feira (15). O plenário deverá analisar questões relacionadas ao caso Master, incluindo procedimentos e elementos de investigação que envolvem diferentes integrantes e autoridades. Entre os pontos que estão no centro da discussão está um relatório da Polícia Federal que reúne informações sobre mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. O material é alvo de questionamentos e pedidos de análise dentro da Corte.

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